A Administração Obama “fabricou e politizou informações de inteligência” para criar a narrativa de que a Rússia estava a tentar influenciar as eleições presidenciais de 2016, apesar das informações da comunidade de inteligência afirmarem o contrário.
Na sexta-feira, a directora de Inteligência dos EUA, Tulsi Gabbard, desclassificou documentos que revelam “provas esmagadoras” que demonstram como, depois de o presidente Donald Trump ter vencido as eleições de 2016 contra Hillary Clinton, o então presidente Barack Obama e a sua equipa de segurança nacional lançaram as bases para o que viria a ser a investigação sobre o conluio entre Trump e a Rússia, que se prolongou durante anos.
Os documentos revelaram que, nos meses que antecederam as eleições de Novembro de 2016, a comunidade de inteligência avaliou consistentemente que a Rússia “provavelmente não estava a tentar influenciar as eleições usando meios cibernéticos”.
🧵 Americans will finally learn the truth about how in 2016, intelligence was politicized and weaponized by the most powerful people in the Obama Administration to lay the groundwork for what was essentially a years-long coup against President @realDonaldTrump, subverting the… pic.twitter.com/UQKKZ5c4Op
— DNI Tulsi Gabbard (@DNIGabbard) July 18, 2025
Um exemplo dessa avaliação reside num documento de 7 de Dezembro de 2016, semanas após as eleições, em que os pontos de discussão do então director de Inteligência, James Clapper, afirmavam:
“Adversários estrangeiros não usaram ataques cibernéticos à infraestrutura eleitoral para alterar o resultado das eleições presidenciais dos EUA”.
A Fox News Digital obteve uma cópia desclassificada do Relatório Diário Presidencial entregue a Obama, preparado pelo Departamento de Segurança Interna, com relatórios da CIA, da Agência de Inteligência de Defesa, do FBI, da Agência de Segurança Nacional, do Departamento de Segurança Interna, do Departamento de Estado e de fontes abertas, datado de 8 de Dezembro de 2016. O relatório afirma:
“Avaliamos que os actores russos e criminosos não afectaram os resultados das recentes eleições nos EUA através da realização de actividades cibernéticas maliciosas contra a infraestrutura eleitoral. Os actores afiliados ao governo russo provavelmente comprometeram uma base de dados de registo de eleitores de Illinois e tentaram fazer o mesmo em outros estados, sem sucesso.”
O relatório afirma porém que
“É altamente improvável que o esforço tenha resultado na alteração do resultado oficial da votação de qualquer estado. (…) A actividade criminosa também não atingiu a escala e sofisticação necessárias para alterar os resultados eleitorais.”
O documento observou que o Gabinete do Director de Inteligência Nacional (ODNI) avaliou que quaisquer actividades russas teriam como provável objectivo
“causar efeitos psicológicos, como minar a credibilidade do processo eleitoral e dos candidatos”.
O documento afirmou que os cibercriminosos
“tentaram roubar dados e interromper os processos eleitorais visando a infraestrutura eleitoral, mas essas acções não alcançaram um efeito disruptivo notável”.
A ironia aqui é que, graças à iniciativa fraudulenta da campanha de Hillary clinton e da Administração Obama, tais esforços, que por si só seriam ineficazes, acabaram por ser efectivos, já que a partir de 2016 a confiança dos americanos no processo eleitoral da federação caiu a pique, à esquerda e à direita do espectro político.
A Fox News obteve também comunicações desclassificadas do FBI sobre o Relatório Diário Presidencial, afirmando que as suas conclusões “não deveriam avançar até que o FBI tivesse partilhado as suas preocupações”. Essas comunicações revelaram que o FBI redigiu uma “nota dissidente” ao Relatório Diário Presidencial original.
O relatório deveria ser publicado a 9 de Dezembro de 2016, no dia seguinte à sua entrega a Barak Obama, mas comunicações posteriores revelaram que o Gabinete do Director de Inteligência Nacional, “com base em algumas novas orientações”, decidiu adiar a sua publicação.
“Não será publicado amanhã e provavelmente não será publicado até à próxima semana”, escreveu o vice-director de Inteligência Nacional, cujo nome foi ocultado, em adenda ao relatório.
No dia seguinte, 9 de Dezembro de 2016, foi realizada uma reunião na Situation Room da Casa Branca, com o assunto: “Resumo das conclusões da reunião do PC sobre um tema sensível (OMITIDO)”.
A reunião contou com a presença de altos funcionários do Conselho de Segurança Nacional, James Clapper, o então director da CIA John Brennan, a então conselheira de Segurança Nacional Susan Rice, o então secretário de Estado John Kerry, a então procuradora-geral Loretta Lynch e o então vice-director do FBI Andrew McCabe, entre outros.
A acta da reunião agora desclassificada revelou que os principais participantes “concordaram em recomendar a sanção de certos membros da inteligência militar russa e das cadeias de comando da inteligência estrangeira responsáveis por operações cibernéticas como resposta às actividades cibernéticas que tentaram influenciar ou interferir nas eleições dos EUA”, se tais actividades atendessem aos requisitos de uma ordem executiva que exigia o bloqueio de propriedades pertencentes a pessoas envolvidas em actividades cibernéticas maliciosas.
Após a reunião, de acordo com o Gabinete do Director de Inteligência Nacional, o assistente executivo de Clapper enviou um e-mail aos líderes da comunidade de inteligência, encarregando-os de criar uma nova avaliação da comunidade de inteligência “a pedido do presidente”, que detalhasse as “ferramentas utilizadas por Moscovo e as acções que tomou para influenciar as eleições de 2016”. O registo informa que
“O ODNI liderará este esforço com a participação da CIA, FBI, NSA e DHS”.
Mais tarde, funcionários de Obama “deixaram escapar declarações falsas para os meios de comunicação”, alegando que “a Rússia tentou, por meios cibernéticos, interferir, se não influenciar activamente, no resultado de uma eleição”.
A 6 de Janeiro de 2017, foi divulgada uma nova Avaliação da Comunidade de Inteligência (ICA) que, de acordo com o Gabinete do Director de Inteligência dos EUA, “contradizia directamente as avaliações da comunidade de inteligência feitas ao longo dos seis meses anteriores”.
Funcionários dos serviços secretos disseram à Fox News Digital que a ICA foi “politizada” porque “suprimiu informações de inteligência de antes e depois da eleição que mostravam que a Rússia não tinha intenção nem capacidade para hackear a eleição de 2016″.
Os funcionários também disseram que essa avaliação enganou o público americano “alegando que a comunidade de inteligência não fez nenhuma avaliação sobre o impacto das atividades russas”, quando os serviços tinham na verdade avaliado esse impacto, e acrescentando que
“O Relatório diário presidencial de Dezembro que não foi publicado afirmava claramente que a Rússia ‘não teve impacto’ nas eleições através de ciberataques.”
O funcionário também disse que a ICA avaliou que “a Rússia foi responsável pela fuga de dados do DNC e do DCCC”, mas “não mencionou que o FBI e a NSA anteriormente expressaram baixa confiança nessa atribuição”».
Funcionários do Gabinete do Director de Inteligência Nacional disseram à Fox News Digital na sexta-feira que estão a investigar o assunto há meses e que a Avaliação de Inteligência de 6 de Janeiro de 2017 foi baseada em informações fabricadas, ou seja, o Dossiê Steele, ou consideradas como não fiáveis.
Os funcionários afirmaram que a inteligência foi “politizada” e depois
“usada como base para inúmeras difamações que procuravam retirar legitimidade à vitória do presidente Trump: a investigação de Mueller que durou anos, dois processos de impeachment no Congresso, funcionários de alto nível a serem investigados, presos e atirados para a prisão, tensões aumentadas entre os EUA e a Rússia e muito mais”.
Gabbard disse à Fox News Digital que esta “não é uma questão partidária”, mas sim uma questão que “diz respeito a todos os americanos”, afirmando ainda:
“As informações que estamos a divulgar hoje mostram claramente que houve uma conspiração traidora em 2016 cometida por funcionários do mais alto nível do nosso governo. O objectivo deles era subverter a vontade do povo americano e promulgar o que foi essencialmente um golpe de Estado que durou anos, com o objectivo de tentar impedir o presidente de cumprir o mandato que lhe foi conferido pelo povo americano. O abuso flagrante de poder e a rejeição descarada da nossa Constituição ameaça os próprios alicerces e a integridade da nossa república democrática. Não importa o quão poderosas sejam, todas as pessoas envolvidas nesta conspiração devem ser investigadas e processadas com todo o rigor da lei, para garantir que nada parecido volte a acontecer. A fé e a confiança do povo americano na nossa república democrática e, portanto, no futuro da nossa nação, dependem disso. Como tal, estou a fornecer todos os documentos ao Departamento de Justiça para garantir a responsabilização que o presidente Trump, a sua família e o povo americano merecem.”
A desclassificação dos registos e a sua divulgação pelo gabinete de Gabbard surge depois de se saber que o antigo director da CIA John Brennan e o antigo director do FBI James Comey estão sob investigação criminal por actividades relacionadas com a investigação original sobre Trump e a Rússia.
Além disso, como o Contra já tinha documentado em 2024, é sabido que a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos recrutou os seus aliados estrangeiros para espiar a campanha de Donald Trump em 2016, numa iniciativa claramente ilegal ao abrigo da lei dos EUA.
Uma manobra de diversão?
A revelação destes documentos altamente comprometedores para as figuras de proa da administração Obama só poderá ser encarada com seriedade se, como Tulsi Gabbard sublinha, aqueles envolvidos na conspiração forem “investigados e processados com todo o rigor da lei.” Caso contrário, tudo isto não passará de uma manobra de diversão, destinada a distrair o eleitorado populista do desastre – e da infâmia – do caso Epstein, como aliás o Contra já sugeriu a propósito das investigações que recaem sobre James Comey e John Brennan, anunciadas recentemente pelo Departamento de Justiça.
Não é de crer porém, considerando o trajecto da actual administração, que estes já referidos criminosos e outras figuras poderosas do Estado profundo envolvidas na conspiração, como James Clapper, Susan Rice, John Kerry ou até mesmo Barak Obama, sejam sujeitos a qualquer tipo de acção realmente punitiva. Alías, é muito duvidoso até que estes três últimos sejam alvo de qualquer investigação.
Tulsi fez o seu trabalho. Mas Pam Bondi não fará o dela. Nem na Casa Branca alguém estará seriamente a equacionar levar as conclusões da Directora de Inteligência até às últimas consequências.
E além de tudo o mais: uma investigação séria sobre a fraude do conluio russo terá sempre e inevitavelmente que começar pela bruxa má do Ocidente, genericamente conhecida por Hillary Clinton.
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