Estátua equestre de Napoleão 1973

 

 

“De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedónia e Acaia.
Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedónia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma;
Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro.”
Tessalonicenses 1:7-9

 

Foram 150kms de carro, mais ou menos 2h que não nos custaram nada, já para Paulo, a sua viagem até Tessalónica pode ter tardado 4 dias no mínimo.

A metrópole da Macedónia nesses tempos era sem sombra de dúvida Tessalónica.

Berço do filósofo Aristóteles, um dos pais do método científico, e cidade amplamente frequentada pelas mais nobres famílias, bem como pela própria família real de onde descendeu Alexandre o Grande, não era de esperar outra coisa que não fosse uma entrada de rompante por parte do homem de Tarso. Assim foi.

 

 

Paulo segue direitinho para a Ágora, ou se quiser Fórum Romano local, pivot das sociedades de então, e dá-se a conhecer. Alguns já ouviram falar desta dupla, Paulo e Silas, e mostram reserva quanto a ter estes personagens pela cidade.

Não posso deixar de tirar o chapéu a Paulo. Vai direto ao cerne da questão, não se deixa intimidar por status sociais ou económicos, e não lhe faz a mínima diferença o que A, B ou C pensam e dizem dele. Já na atualidade há quem pense duas vezes em assumir o seu cristianismo, a sua mundivisão, e à segunda vez que pensa… fica calado.

Paulo não é desses. Ele hiperventila com necessidade e ânsia de fazer a obra, como tal, procura uma sinagoga onde possa apresentar as boas novas, o que assim sucede por 3 sábados consecutivos. Incrivelmente ou talvez não consegue de imediato ter um conjunto de seguidores de relevância, o que faz expandir os do Caminho e gera inveja de outros tantos.

Esses mesmos inflamam de tal forma o sentimento anti Paulo que fazem com que, uma vez mais, Paulo e Silas fossem bater com os costados na prisão. Mas com cuidado porque são cidadãos romanos e não queremos problemas. Tenho a certeza que ao ler estas linhas não vai recordar ninguém que lhe fez exatamente o mesmo. Uma indireta ao chefe acerca de si. Uma boca ao vizinho. Uma insinuação a um amigo comum. Paulo está-se a borrifar e eu cá pensei que devia começar a fazer o mesmo mais vezes.

A estadia de Paulo em Tessalónica é rápida, mas permaneceu a comunidade vibrante e em expansão.

 

 

Uma nota de muito agrado ou mesmo fascínio pelo absolutamente fantástico Museu Arqueológico de Tessalónica, que tem uma exposição brilhante, intuitiva, de fácil e lógico recorrido e que possui peças que nos transmitem o quão majestosa era a arquitetura e como impactava a sociedade em todas as suas vertentes. E aqui volto a Paulo e tento transportar-me para os sentimentos do homem de Tarso, judeu de nascença, seguidor de Cristo para salvação da alma, e imaginar o que sentiria ao ver, por exemplo o “Pórtico dos ídolos”, onde uma mão cheia de deidades romanas esculpidas a mármore, demandavam adoração, sacrifícios e devoção, caso contrário a fatura seria bem alta.

Não sei como é que ele não deitou umas quantas dessas estátuas ao chão.

Fez, isso sim, questão de recordar aos tessalonicenses agora cristãos, de onde tinham vindo; e que Deus era o verdadeiro.

 

JOÃO NUNO PINTO

 

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JOÃO NUNO PINTO NA ROTA DE PAULO
INTRODUÇÃO: UM INTINERÁRIO SAGRADO, ENTRE A GRÉCIA E A ÁSIA MENOR.
CAPÍTULO I . A JORNADA COMEÇA: PORTA DA EUROPA
CAPÍTULO II . FILIPOS: A AMADA E GENEROSA