“Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim firmes no Senhor, amados”.
Filipenses 4:1

 

Aquela que é considerada a primeira comunidade cristã fundada na Europa nasce a escassos 16 kms de Kavala, onde estamos sediados nestes dias. Filipos, assim chamada em honra a Filipe II da Macedónia, pai de Alexandre o Grande, desenvolveu um cristianismo que ainda hoje é uma pérola de perseverança e resiliência, bem como generosidade. E mantenha na sua memória essa palavra, generosidade.

Mas nós quisemos ir por partes e assim foi.

 

 

Andámos literalmente perdidos entre montanhas à procura do principal meio de comunicação desta zona, a via Egnácia, por onde Paulo terá andado em passada determinada e sem vacilar, afinal de contas a salvação não espera por ninguém menos ainda se ninguém a anunciar e essa era a missão deste homem.

Eu, de ténis de marca, meia “à bimbo”, camisa de linho de manga curta porque este corpo merece o melhor e uma garrafa de água devidamente fria só porque tem que ser, e ainda assim fui derrotado por um pequeno troço que insiste em não desaparecer desta estrada desnivelada onde cada pedra mais do que apoio parece uma armadilha para nos fazer tropeçar, e no entanto Paulo, com as sandálias da época, sem nenhuma estação de serviço a cada 10 kms nem água fresca à descrição, percorreu este trajeto de Neápolis até Filipos.

 

 

Hoje senti nos pés, nas pernas, na minha cabeça de sabichão o peso de caminhar nas pegadas de Paulo e não estou sequer a falar do peso espiritual, estou mesmo a queixar-me do físico. Como é que podemos pensar na transformação do mundo pelo Evangelho se não há abnegação, espírito de sacrifício ou se o próprio cristão estiver “aburguesado”? Não me admira que seja Paulo o escolhido para esta missão, afinal de contas “…não mais eu vivo, mas Cristo vive em mim…” foi o que este homem de Tarso afirmou na Carta aos Gálatas. Dizer que me senti envergonhado talvez seja um exagero, mas coloquei em perspetiva muitas das minhas dores e mágoas.

 

 

Mas não há cristianismo em Filipos sem a primeira conversão, sem a primeira pessoa a receber a mensagem do Cristo Salvador ressuscitado e essa foi, ironicamente para quem acusa Paulo de misoginia, uma mulher. E não uma mulher qualquer. Uma comerciante de tecidos púrpura, que em si mesmo eram de grande valor e logo não estavam ao alcance de todos. E aqui logo me questionei quanto ao cristianismo de alguns, tímido, envergonhado, quase na esperança de que ninguém saiba que são cristãos. Afinal a religião é uma “coisa” do foro privado. Prefiro escrever de outras curiosidades do dia para não perder o controle do teclado…

Filipos é uma cidade de primeiras coisas para a cristianismo europeu e a Oktagono Philippon (Basilica Octagonal de Filipos) é considerada a primeira igreja na Europa.

 

 

Nascida por cima de um local que era conhecido por casa de oração, não é inverosímil pensar que a primeira igreja europeia tenha a sua origem na casa de alguém que disponibilizou o seu lar para os que eram do caminho pudessem ouvir a Palavra. Ainda se lembra da palavra que pedi para não esquecer? Generosidade.

 

 

Filipos e os seus membros eram verdadeiras, e peço que me desculpem, máquinas de dar dinheiro para a obra e para que Paulo pudesse levar a obra por diante e, no entanto, todos prosperavam. Onde o coração estiver aí vai estar o nosso tesouro.

Falta de certeza qualquer coisa. O dia foi tão cheio e recompensador que deve mesmo faltar, mas deixem-me usar as palavras do próprio Paulo:

“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”
Filipenses 3:13-14

 

 

JOÃO NUNO PINTO

 

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JOÃO NUNO PINTO NA ROTA DE PAULO
INTRODUÇÃO: UM INTINERÁRIO SAGRADO, ENTRE A GRÉCIA E A ÁSIA MENOR.
CAPÍTULO I . A JORNADA COMEÇA: PORTA DA EUROPA