Não satisfeito com as actividades de máxima destruição belicista em Gaza, no Líbano, no Irão e no Iémen – e nesse niilismo de cinzas apoiado em toda a linha pela administração Trump – o regime Netanyahu decidiu lançar uma série de ataques militares contra a capital síria, Damasco, e contra uma unidade de tanques que se aproximava da cidade de Suweida, no sul da Síria. A cidade é predominantemente drusa — um grupo religioso minoritário que os israelitas dizem querer proteger. Os ataques em Damasco tiveram como alvo e destruíram o Ministério da Defesa e o Quartel-General do Estado-Maior do exército sírio.

Acto contínuo, o longo julgamento por corrupção do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu foi novamente adiado.

 

 

O conflito renovado, que pode reacender as hostilidades em toda a região, tem origem no que começou como um ataque beduíno sunita à população drusa de Suweida. A situação agravou-se quando as forças governamentais sírias pareceram dispostas a juntar-se aos combatentes tribais beduínos contra os drusos, que alegadamente permanecem leais ao regime deposto de Assad.

As forças armadas israelitas confirmaram a operação, justificando-a como uma “mensagem ao [presidente sírio Ahmed] al-Sharaa sobre os eventos em Suweida”. Israel também atacou tanques sírios e realizou ataques com drones nos últimos três dias, matando soldados do regime.

Israel traçou uma linha vermelha no sul da Síria, prometendo proteger a minoria drusa do que considera uma renovada opressão por parte do regime sírio. No entanto, Netanyahu advertiu os drusos das Colinas de Golã, controladas por Israel, que tentavam atravessar para a Síria:

“Não atravessem a fronteira. Estão a arriscar as vossas vidas; podem ser assassinados, podem ser feitos reféns e estão a impedir os esforços das Forças de Defesa de Israel”.

Muitos na comunidade drusa continuam cautelosos em parecer alinhados com Israel. No entanto, a violência contínua, desencadeada por um roubo envolvendo membros de tribos beduínas e que se transformou numa guerra sectária, forçou muitos a procurar ajuda externa. O xeque Hikmat al-Hijri, uma importante figura espiritual drusa, apelou publicamente à intervenção internacional.

A queda do regime de Assad, ironicamente patrocinada por Israel, deixou um vácuo de poder no sul da Síria. Damasco tem lutado para reafirmar o controlo, e a sua tentativa de reentrar em Suweida no fim de semana foi recebida com forte resistência das milícias locais. Um cessar-fogo anunciado na terça-feira entrou em colapso em poucas horas.

O Ministério do Interior sírio insiste que a única solução é a reintegração de Suweida no Estado central. Mas os ataques contínuos a combatentes e civis drusos têm alimentado o ressentimento. Civis presos em Suweida relatam estar sem energia e suprimentos, com atiradores tornando as ruas mortais.

O presidente al-Sharaa, anteriormente conhecido pelo seu nome de guerra Abu Mohammad al-Julani, é um jihadista sunita anteriormente procurado pelos EUA, cujo Hay’at Tahrir al-Sham (HTS) é um ramo da Al-Qaeda anteriormente alinhado com o Estado Islâmico. Além de perseguir os drusos, o regime de al-Sharaa também supervisionou massacres de cristãos sírios, que eram amplamente protegidos por Assad.

Concluindo: os mesmos sionistas que mudaram o regime na Síria, fazem a guerra agora a quem lá colocaram no poder. Porque morrem de amores pelos drusos que se recusam a receber como refugiados.

Desde 7 de Outubro de 2023 que a estratégia de Benjamin Netanyahu parece ser a de reduzir todo o Médio Oriente a escombros (alimentando no processo inúmeras teorias da conspiração sobre os acontecimentos desse dia nefasto). E no Ocidente, não há quem lhe faça frente. Muito pelo contrário.

É espantoso.