Tendo navegado a partir de Tróade, fomos directamente para Samotrácia, no dia seguinte, fomos a Neápolis e, de lá, a Filipos.
Actos dos Apóstolos 16:11-12

 

Não posso escamotear o facto de que o entusiasmo que rodeia a viagem tomou conta de toda a equipa.

O desafio já o conhecemos, a entrega será a habitual, mas de alguma forma no nosso subconsciente paira, como uma nuvem que teima em não dissipar, a fasquia colocada por Paulo nos primeiros momentos das igrejas e comunidades cristãs e ao longo da sua restante vida.

Conseguimos alcançar o ritmo? Temos a energia para nos catapultar adiante? E se adversidades houver, abdicamos ou estamos dispostos a ir até as últimas consequências, tal como Paulo?

 

 

O voo Lisboa / Atenas decorreu sem sobressaltos de maior para além das já endémicas demoras no aeroporto da capital lusitana, esperava-nos uma partida ás 00.35h de terça-feira com chegada ao aeroporto internacional de Atenas, “Eleftherios Venizelos” o que aconteceu sim, mas deixou-nos com apenas uma hora para desembarcar e ir para a porta de embarque seguinte que nos levaria até ao aeroporto de Kavala, “Megas Alexandros”, para os da língua de Camões, “Alexandre o Grande”.

Curiosidade. Alguns de nós, eu incluído, voámos pela primeira vez o tipo de avião que opera aquela rota, o ATR 72-600, e sem grandes cogitações técnicas, 3 de nós estamos acima de 1,80m de altura e 2 estamos mesmo perto dos 1,90m. Foram 40 minutos de tortura para os nossos joelhos – não menosprezando, Paulo, a pé durante dias – qualquer semelhança entre nós e sardinhas em lata era plenamente justificada.

 

 

Chegados a Kavala seguimos para o nosso local de repouso. Literalmente, porque a verdade é que estávamos desde as 21h00 do dia anterior em modo viagem, e como se diz “elas não matam, mas moem” e carregar com o peso de algum do nosso equipamento não é fácil. Não nos queixamos, apenas contextualizamos a necessidade de descansar antes de tão grande “obra”.

E foi mesmo por causa da obra que não consegui dormir, de todo, contentei-me com um duche de água fria e de imediato comecei a olhar para os próximos passos a dar.

 

 

Uma vez que teríamos que ir para o centro de Kavala para almoçar, começámos de imediato a preparar o plano de ataque para o dia de amanhã. O que filmar, que intervenções fazer, que detalhes acentuar. Afinal de contas estamos na antiga Neápolis, a cidade europeia que assistiu á chegada do Evangelho de Jesus pelos pés e palavras do Apóstolo Paulo.

Talvez não exista tanto assim para contar, uma vez que Filipos é mesmo ali ao lado e todos sabem que foi lá que se deu a primeira conversão europeia, curiosamente ou talvez não, uma mulher de nome Lídia e que era uma comerciante de algum gabarito no ramo das tintas para tingir roupa, nomeadamente cor púrpura.

Mas a porta de entrada foi Neápolis, era o porto que carregava o comércio “ás suas costas”, que permitia aos comerciantes levar ás demais cidades estado gregas os seus produtos e a mim pareceria injusto não mencionar o melhor de todos os perfumes, a mais consistente de todas as filosofias, o mais alvo tecido, a mais doce de todas as frutas e a mais preciosa de todas as pedras. O Evangelho. E se desembarcou, desembarcou em Neápolis. O seu a quem de direito.

 

JOÃO NUNO PINTO

 

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JOÃO NUNO PINTO NA ROTA DE PAULO
INTRODUÇÃO: UM INTINERÁRIO SAGRADO, ENTRE A GRÉCIA E A ÁSIA MENOR.