O caso Epstein continua a agitar com intensidade sísmica as bases e as cúpulas do movimento MAGA, colocando a presidência de Donald Trump num equilíbrio precário entre os sinistros poderes instituídos em Washington e a sua fundação eleitoral e mediática.

Deixamos aqui três exemplos, previamente publicados no Blogville e não circunscritos aos EUA, de como, ao contrário do que o presidente norte-americano desejaria, o escândalo se tem mostrado insistentemente dominante no discurso mediático e político dos últimos dias.

 

Em negação.

Não têm faltado episódios de pura comédia em que os apoiantes mais dedicados e tresloucados de Donald Trump inventam desculpas para redimir o seu redentor. Do estafado “xadrez de 4 dimensões”, que parte do princípio dúbio que o inquilino da Casa Branca não só domina o xadrez de 3 dimensões, como o transcende, de tal forma que está a usar aquilo que sabe sobre o envolvimento das elites de Washington na rede pedófila de Epstein para seu próprio ganho político; à ideia, peregrina, de que o Presidente não tem qualquer responsabilidade nos actos desastrosos da sua procuradora geral e dos seus directores do FBI, vale tudo para negar o óbvio.

Este post aqui ilustra perfeitamente o estado febril e delirante até daqueles aliados fiéis de Trump que denunciaram o escândalo Epstein, mas que ainda assim continuam a acreditar no que lhes dizem as “fontes oficiais” e os “quadros de topo” das agências federais.

 

 

Quando é mais que óbvio para qualquer pessoa minimamente lúcida que:

– A verdade sobre o caso Epstein nunca será revelada ao público;

– Depois de gerir catastroficamente este dossier, qualquer tentativa da administração Trump de aplacar a revolta das bases não será mais que um encobrimento do encobrimento.

– Mesmo que, por absurdo, a Casa Branca estivesse disposta a alguma transparência, ninguém ia acreditar numa palavra proveniente de Pam Bondi, Kash Patel e Don Bongino. E mesmo Trump, nesta matéria específica e não só, perdeu toda a credibilidade.

– O aparelho do estado Profundo é quem de facto manda nos EUA. E isso não vai mudar porque o Tucker Carlson ou o Charlie Kirk ou o Benny Johnson estão deveras indignados.

 

Por que raio é que os pedófilos do Congresso não querem ser desmascarados?

Mas não são só os populistas MAGA norte-americanos que exibem preocupantes sinais de negação patológica. Reparem nesta manchete do britânico Daily Mail:

 

 

Sim, claro, está-se mesmo a ver que a proxeneta de Epstein ia agora sair da prisão a que foi condenada para entrar pelo Congresso a dentro e apontar a dedo os pedófilos que lá residem, e é de facto muito estranho que os congressistas não estejam para aí virados…

Uau. Quem diria.

Alguém que não viva no país de Alice está realmente à espera que os criminosos que governam os EUA permitam que os americanos saibam que são governados por criminosos? Alguém com um neurónio a funcionar alimenta a expectativa de que esses criminosos confessem ou sejam judicialmente acusados pelos seus crimes hediondos e por serem chantageados pela Mossad e pela CIA para votarem no Capitólio de acordo com interesses que transcendem largamente os interesses dos seus eleitores, numa sequência de actos de traição à pátria para os quais a federação até prevê a pena capital?

Seria bom que esta gente toda caísse na realidade. E a recomendação não aconselha o conformismo, pelo contrário. O facto é que não adianta de nada protelar a conclusão definitiva, por muito feia que seja: a de que estamos todos entregues à bicharada luciferina – e os americanos, se calhar, mais que toda a restante manada. E não é com declarações indignadas e expectativas irrealistas que escapamos a este triste destino.

Vai ser preciso mais, muito mais, do que isso.

 

Irredímivel Bongino.

Num momento de genial inspiração, o Almada Negreiros escreveu um dia que Portugal era

“a pátria onde Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões!”

Ora, este verso faz agora lembrar um senhor chamado Dan Bongino, que, enquanto emitiu um muito bem sucedido podcast, encheu a barriga com a “teoria da conspiração” Epstein, só para agora deixar, enquanto director adjunto do FBI, o eleitorado populista esfomeado daquilo que mais necessita: a verdade.

Convém nunca esquecermos que estamos a falar de uma rede satânica de elitistas que entretinham o tédio com menores de idade. E que o governo federal americano os está a proteger a todos. E a mentir na cara das pessoas sabendo perfeitamente que ninguém acredita na mentira. É uma atitude a todos os títulos recordista de desprezo para com o eleitorado.

Parece que Bongino “considerou“, num momento em que ganhou vergonha na cara, demitir-se do cargo, dado o infame contexto. Mas já se arrependeu dessa consideração. Isto embora não se perceba bem o que há para “considerar”. Qualquer pessoa de bem não vai querer ser associada a este acto de terrorismo do Estado contra o cidadão.

 

 

 

Mais um a morder a poeira.

E eis mais um trumpista fanático de queixo caído: Carl Benjamin, o célebre populista britânico, patrão da plataforma The Lotus Eaters, comenta a forma como a actual administração americana fechou o caso Epstein e conclui que a única tese credível é que a Mossad ameaçou de morte os dois líderes do FBI caídos em desgraça, Patel e Bongino, de forma a que a mais sombria das histórias deste século não caísse na rua: a de que os serviços secretos sionistas utilizavam o tráfico e abuso sexual de menores para fins de manipulação dos políticos em Washington.

Está carregado de razão, claro. Até quando diz que a circunstância retira a Donald Trump o brilho da sua vitória eleitoral, e  a esperança de milhões de pessoas em todo o mundo – e não só nos EUA – de que este mandato poderia de facto fazer a diferença no combate às sinistras forças que imperam no Ocidente.

Está agora mais que visto que não é esse o caso.