Tucker Carlson entrevistou Masoud Pezeshkian, o Presidente do Irão. Segundo o jornalista independente norte-americano, o objectivo não era sugerir que tudo o que o entrevistado diz é verdade. Não será por certo, na medida em que se trata de um líder político, e os políticos mentem por profissão, e ainda por cima um líder político de um regime ferozmente totalitário. Pezeshkian surge até, na entrevista, como um lobo na pele do cordeiro, de tal forma representa as intenções do seu país e dos mandatos religiosos que o regem como pacíficos. Há que interpretar as suas palavras com o grão de sal que advém do contexto: os líderes iranianos sabem que serão aniquilados numa guerra aberta com os EUA.

A questão é que os cidadãos no Ocidente têm o direito de formar as suas próprias opiniões sobre as questões que afectam os seus países e merecem ter acesso ao máximo de informação possível para o fazer. Isso inclui o conhecimento das perspectivas daqueles que são considerados adversários pelas elites dirigentes nos EUA e na Europa.

E assim sendo, o que disse Masoud Pezeshkian? Como o dirigente iraniano falou em farsi, e foi dobrado em inglês em tempo real, a entrevista é um tanto difícil de seguir, pelo que o Contra sintetiza as suas mais importantes declarações.

 

O Irão quer guerra com os Estados Unidos?

Não. De acordo com Pezeshkian, Teerão “não quer que esta guerra continue de forma alguma”. Ele insistiu que o seu país não é o instigador deste conflito e que está empenhado em

“promover a paz, a tranquilidade e a amizade com os países vizinhos e com o resto do mundo”.

 

O Irão está disposto a desistir do seu programa nuclear?

O entrevistado rejeitou a premissa da pergunta.

“A verdade é que nunca quisemos desenvolver uma bomba nuclear. Nem no passado, nem no presente, nem no futuro.”

E foi ainda mais longe, descrevendo a construção de armas nucleares como “errada” e “contrária ao decreto religioso” do seu país, afirmando:

“É religiosamente proibido para nós procurar uma bomba nuclear”.

As autoridades iranianas estão dispostas a permitir que os inspectores verifiquem que não estão a construir uma bomba? Aparentemente, sim.

“Nunca fomos a parte que fugiu da verificação. Estamos prontos para receber essas supervisões, mas, infelizmente, como resultado dos ataques ilegais dos Estados Unidos contra os nossos centros e instalações nucleares, muitos dos equipamentos e instalações foram severamente danificados. Portanto, não temos acesso… Temos que esperar e ver o que acontece e o quanto foram danificados para que possamos prosseguir com a supervisão.”

Ninguém tem maneira de saber se isto é verdade. E o Contra desconfia que é 100% mentira, porque os bombardeamentos americanos não foram assim tão bem sucedidos como isso, mas podem de facto ter colocado a descoberto certas  áreas de desenvolvimento industrial e nuclear que os iranianos não querem mostrar ao mundo.

 

O Irão está aberto a retomar as negociações?

Sim, mas as autoridades iranianas estão cépticas quanto à boa fé dos Estados Unidos, o que é perfeitamente compreensível, já que foram atacados por Israel quando conduziam negociações com a administração Trump. Pezeshkian descreveu os governos de Trump e Netanyahu como os maus da fita neste conflito, alegando que não negociaram com seriedade e dizendo que “torpedearam a mesa de negociações” com os seus ataques militares.

Afirmando que as exigências dos EUA e de Israel de que o seu país sacrifique todo o enriquecimento de urânio enquanto eles orgulhosamente mantêm enormes arsenais de armas nucleares são injustas e hipócritas, acrescentando:

“Nunca quisemos nada além do respeito pelos nossos direitos, que são legítimos e consagrados no direito internacional.”

 

O governo israelita tentou assassinar Pezeshkian?

O Presidente iraniano acredita que sim, mas não conseguiu fornecer provas, apesar de ter sido pressionado por duas vezes por Tucker.

Mas considerando que políticos e comentadores americanos como Ted Cruz e Mark Levin afirmaram que o Irão tentou matar Donald Trump também sem apresentar quaisquer provas, e que muitos americanos acreditaram nisso, a palavra de Pezeshkian terá o mesmo valor facial.

 

Os Estados Unidos devem imiscuir-se no conflito entre o Irão e Israel?

O Presidente iraniano acha que não.

“O governo dos EUA deve abster-se do envolvimento numa guerra que não é sua, que não é da América. É a guerra de Netanyahu… ele tem a sua própria agenda, uma agenda desumana, que é ter guerras eternas. Guerras que continuam sem fim.”

Neste ponto, o homem está carregado de razão. O problema é que não é só Netanyahu que deseja “guerras eternas”. As elites de Washington tudo fazem também para as manter.

 

Os americanos devem recear o Irão?

Pezeshkian acredita que o Ocidente tem uma impressão errada sobre a nação que dirige. Falando da história do Irão, salientou que as suas forças armadas, ao contrário das americanas, não invadem outro país há várias gerações.

Mas e os cânticos de “Morte à América”?

“Os cânticos não significam a morte do povo dos Estados Unidos, nem mesmo dos funcionários dos Estados Unidos. Significam o fim dos crimes, o fim da carnificina, o fim do apoio à morte de outros, o fim da insegurança e da instabilidade.”

Independentemente de aceitarmos ou não a sinceridade destas declarações, é impossível negar a responsabilidade do governo americano pelo enorme sofrimento no Médio Oriente. Centenas de milhar de civis mortos na Guerra do Iraque. Dezenas de milhar no Afeganistão. Centenas de milhar na Síria. E isto sem mencionar o conflito nos últimos dois anos em Gaza, que Washington financia ostensivamente.

 

Quem é o culpado pela terrível relação entre Israel e o Irão?

Os israelitas, segundo Pezeshkian.

“Basta ver o que têm feito nos últimos dois anos na Palestina, em Gaza, o que Netanyahu tem feito, matando mulheres e crianças, bombardeando escolas e hospitais, e áreas civis e residenciais, nada menos do que… um genocídio em grande escala. Isso teve um impacto negativo na forma como o meu país e toda a região vêem Israel. O seu próprio comportamento e as suas próprias acções são os culpados, porque isso é inaceitável.”

 

O que o futuro reserva? As relações entre os EUA e o Irão podem melhorar?

O lider iraniano espera que sim.

Pezeshkian insistiu que o seu governo deseja melhores relações com o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos, aceitando até a possibilidade de investimentos de empresas americanas no seu país, e apelando ao levantamento das sanções e a uma paz real e duradoura.

E todos partilham esse objectivo? Não:

“Israel não quer que tais coisas aconteçam. Israel não vê paz e tranquilidade na região. Mas gostaria de repetir mais uma vez que o presidente dos Estados Unidos, o Sr. Trump, é capaz de guiar a região rumo à paz e a um futuro melhor.”

 

Mais uma vez, a publicação destas palavras não significa que Tucker Carlson, ou o ContraCultura, acredite nelas ou as endosse. Significa apenas que devemos ouvir, sem qualquer filtro, aqueles que os poderes instituídos no Ocidente nos querem convencer que são nossos inimigos.

Mas o verdadeiro inimigo será sempre quem procura suprimir a informação. E no Irão, tanto como na Europa e na América, há muita gente que trabalha em nome dessa missão totalitária.

Eis a entrevista de Tucker Carlson a Masoud Pezeshkian, no seu formato integral.