Advertência prévia: o programa de televisão a que se refere este artigo decorreu em Março deste ano, sendo portanto anterior a muitos dos mais dramáticos acontecimentos que ocorreram entretanto no Médio Oriente.
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Os israelitas estão a debater na televisão “sobre se os recém-nascidos em Gaza são inocentes ou se devem ser mortos”. Um vídeo de 15 de Março mostra Moshe Ya’alon a debater com os apresentadores do Canal 13, Eyal Berkovic e Moriah Asraf, sobre se Israel deve matar bebés.
Berkovic argumenta que não há inocentes em Gaza porque “todos são terroristas”. Ya’alon contrapõe que as Forças de Defesa de Israel não deveriam ser enviadas a Gaza “com o objejtivo de matar todos”, ao que Berkovic responde:
“Então a nação discorda de si! A nação discorda de si! Gaza deveria ser exterminada”.
Asraf, por sua vez, tentou repreender Ya’alon por dizer que os soldados israelitas deviam ter como alvo criaturas recém-nascidas.
“Acha que o actual governo israelita está a enviar soldados para matar bebés em Gaza? Acho que – no momento em que os rabis falam sobre como não há inocentes em Gaza… e Smotrich e Ben Gvir falam sobre evacuar, reduzir a população para que Gaza fique livre de árabes, que vamos estabelecer judeus no seu lugar – esse não deve ser o objectivo de guerra de um país em que eu queira viver.”
Nessa altura, Berkovic limita-se a constatar a diferença de pontos de vista:
“Ok, discordamos!”
They are having serious debates on Israeli TV as to whether newborn babies in Gaza are innocent or whether they should be killed.
Seldom is the question asked in the West how other Middle Eastern societies can live safely next to this Israeli society. pic.twitter.com/VFqCdVxXol
— Trita Parsi (@tparsi) April 24, 2025
Como Ya’alon observou, os principais rabis israelitas afirmaram de facto e explicitamente que a Torá exige a morte de bebés palestinianos.
Israel’s top rabbi in Jaffa calls to genocide Gaza: “Don’t leave a soul alive…not only 14, 16-year-old lads…also the next generation. And those who create the future generation.” Asked “Babies too?” He responds “Same thing. You can’t outsmart the Torah.” https://t.co/IgdFc6986O
— David Sheen (@davidsheen) March 8, 2024
O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu aludiu à exterminação de Amalek* quando anunciou a guerra pela primeira vez:
Netanyahu declaring invasion: “You must remember what Amalek has done to you, says our Holy Bible”
1 Samuel 15:3
“Now go and smite Amalek, and utterly destroy all that they have, and spare them not; but slay both man and woman, infant and suckling, ox and sheep, camel and ass” pic.twitter.com/5QF9PkGhjJ
— Michael Tracey (@mtracey) October 28, 2023
O ministro das Finanças israelita Bezalel Smotrich disse que a guerra não deve parar “até que Amalek seja finalmente destruído”.
Top Israeli official Bezalel Smotrich explains his government’s plan for Gaza: “We will not stop until Amalek is finally destroyed.” pic.twitter.com/v3sQEhSPwv
— Chris Menahan 🇺🇸 (@infolibnews) November 16, 2023
As tropas no terreno também foram explicitamente encorajadas a matar bebés palestinianos em nome da “exterminação de Amalek” e da “eliminação da memória dos palestinianos”:
“These animals can no longer live.”
Ezra Yachin, a 95-year-old Israeli army reservist, is seen inciting “every Jew with a weapon” to kill Palestinians and “erase the memory of them” pic.twitter.com/LUQs0XoR5U
— Middle East Eye (@MiddleEastEye) October 13, 2023
Posted proudly by Bibi-affiliated journalist Yinon Magal:
“I’m coming to occupy Gaza / and beat Hezbollah / I stick by one mitzvah / to wipe off the seed of Amalek / I left home behind me / won’t come back until victory / we know our slogan / there are no “uninvolved civilians” pic.twitter.com/hzN9Bd8M3D— B.M. (@ireallyhateyou) December 7, 2023
Os apelos para “exterminar Amalek” são apelos ao genocídio e a uma guerra de extermínio, obviamente. E esta vontade de holocausto foi completamente normalizada em Israel, como Berkovic salientou de forma tão veemente. Ya’alon acabou até por ser violentamente atacado nos meios de comunicação israelitas pelas sensatas declarações que fez no debate, e acusado de espalhar “calúnias de sangue” antissemitas.
No ano passado, noutro caso semelhante, um vídeo que correu viral na web mostrava legisladores sionistas debatendo se é aceitável violar prisioneiros palestinianos.
MK Ahmad Tibi (TA’AL): To insert a stick in a person’s rectum, is that legitimate???
MK Hanoch Milwidsky (Likud): Yes! If he is a Nukhba everything is legitimate to do him!Some of you have probably already heard about the events in Sde Teiman concentration camp today: MPs came… pic.twitter.com/JynQZOqnDH
— B.M. (@ireallyhateyou) July 29, 2024
Quando o governo israelita fez pequenas concessões, agindo como se fosse punir alguns soldados que foram filmados a violar um prisioneiro palestiniano, vozes públicas mostraram-se revoltadas com a decisão, e foram realizadas uma série de manifestações pelo “direito ao estupro” (!) e para exigir que os soldados não fossem punidos.
Um dos soldados acusados tornou-se uma pequena celebridade da televisão e foi até abençoado por um importante rabi próximo de Netanyahu, que afirmou:
“Derrotaste o inimigo, e daí? Está tudo bem… Não temos o direito de fazer isso?… Em qualquer outro país, eles receberiam medalhas… Não tenha medo dos gentios.”
Meir Mazuz, top Israeli rabbi favored by Netanyahu and his cabinet, blesses soldiers that gang-raped a Palestinian abducted from Gaza: “You beat the enemy, so what? It’s all good… Don’t we have the right to do it?… In any other country, they’d get medals… Don’t fear the goyim” pic.twitter.com/iNvkkKYvUe
— David Sheen (@davidsheen) September 7, 2024
No grupo dos gentios encontram-se todos os não judeus. Inclusivamente a gentil leitora. Inclusivamente o cortês leitor.
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* Na Bíblia Hebraica, Amalek é descrito como o arqui-inimigo dos israelitas. O nome pode referir-se a um indivíduo específico, aos descendentes desse indivíduo ou ao povo que habitava os territórios que os israelitas controlavam.
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