Advertência prévia: o programa de televisão a que se refere este artigo decorreu em Março deste ano, sendo portanto anterior a muitos dos mais dramáticos acontecimentos que ocorreram entretanto no Médio Oriente.

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Os israelitas estão a debater na televisão “sobre se os recém-nascidos em Gaza são inocentes ou se devem ser mortos”. Um vídeo de 15 de Março mostra Moshe Ya’alon a debater com os apresentadores do Canal 13, Eyal Berkovic e Moriah Asraf, sobre se Israel deve matar bebés.

Berkovic argumenta que não há inocentes em Gaza porque “todos são terroristas”. Ya’alon contrapõe que as Forças de Defesa de Israel não deveriam ser enviadas a Gaza “com o objejtivo de matar todos”, ao que Berkovic responde:

“Então a nação discorda de si! A nação discorda de si! Gaza deveria ser exterminada”.

Asraf, por sua vez, tentou repreender Ya’alon por dizer que os soldados israelitas deviam ter como alvo criaturas recém-nascidas.

“Acha que o actual governo israelita está a enviar soldados para matar bebés em Gaza? Acho que – no momento em que os rabis falam sobre como não há inocentes em Gaza… e Smotrich e Ben Gvir falam sobre evacuar, reduzir a população para que Gaza fique livre de árabes, que vamos estabelecer judeus no seu lugar – esse não deve ser o objectivo de guerra de um país em que eu queira viver.”

Nessa altura, Berkovic limita-se a constatar a diferença de pontos de vista:

“Ok, discordamos!”

 

 

Como Ya’alon observou, os principais rabis israelitas afirmaram de facto e explicitamente que a Torá exige a morte de bebés palestinianos.

 

 

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu aludiu à exterminação de Amalek* quando anunciou a guerra pela primeira vez:

 

 

O ministro das Finanças israelita Bezalel Smotrich disse que a guerra não deve parar “até que Amalek seja finalmente destruído”.

 

 

As tropas no terreno também foram explicitamente encorajadas a matar bebés palestinianos em nome da “exterminação de Amalek” e da “eliminação da memória dos palestinianos”:

 

 

Os apelos para “exterminar Amalek” são apelos ao genocídio e a uma guerra de extermínio, obviamente. E esta vontade de holocausto foi completamente normalizada em Israel, como Berkovic salientou de forma tão veemente. Ya’alon acabou até por ser violentamente atacado nos meios de comunicação israelitas pelas sensatas declarações que fez no debate, e acusado de espalhar “calúnias de sangue” antissemitas.

No ano passado, noutro caso semelhante, um vídeo que correu viral na web mostrava legisladores sionistas debatendo se é aceitável violar prisioneiros palestinianos.

 

 

Quando o governo israelita fez pequenas concessões, agindo como se fosse punir alguns soldados que foram filmados a violar um prisioneiro palestiniano, vozes públicas mostraram-se revoltadas com a decisão, e foram realizadas uma série de manifestações pelo “direito ao estupro” (!) e para exigir que os soldados não fossem punidos.

Um dos soldados acusados tornou-se uma pequena celebridade da televisão e foi até abençoado por um importante rabi próximo de Netanyahu, que afirmou:

“Derrotaste o inimigo, e daí? Está tudo bem… Não temos o direito de fazer isso?… Em qualquer outro país, eles receberiam medalhas… Não tenha medo dos gentios.”

 

 

 

No grupo dos gentios encontram-se todos os não judeus. Inclusivamente a gentil leitora. Inclusivamente o cortês leitor.

 

 

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* Na Bíblia Hebraica, Amalek é descrito como o arqui-inimigo dos israelitas. O nome pode referir-se a um indivíduo específico, aos descendentes desse indivíduo ou ao povo que habitava os territórios que os israelitas controlavam.