
Pela primeira vez desde o assassinato do presidente Kennedy, há quase 62 anos, a CIA admitiu tacitamente que um agente especializado em guerra psicológica conduziu uma operação que entrou em contacto com Lee Harvey Oswald, antes do assassinato em Dallas.
A evidência, um memorando da CIA de 17 de Janeiro de 1963 mostrando que Joannides foi instruído a ter um pseudónimo e uma carta de condução falsa com o nome “Howard Gebler”, caiu no domínio público quinta-feira, incluída num lote de 40 documentos relativos a este agente, e indica que a CIA mentiu durante décadas sobre o seu papel no caso Kennedy, antes e depois do seu assassinato.
Até quinta-feira, a agência negava que Joannides fosse conhecido como “Howard”, o nome do agente responsável pelo contacto da CIA que trabalhava com activistas de um grupo anti-comunista oposto ao ditador cubano Fidel Castro, chamado Directório Estudantil Cubano.
Durante décadas, a agência também afirmou falsamente que não tinha nada a ver com o grupo estudantil, que foi fundamental para que as posições pró-Castro de Oswald fossem conhecidas publicamente logo após o tiroteio.
Jefferson Morley, autor e especialista no assassinato, afirmou a este propósito:
“A história de cobertura de Joannides está oficialmente morta. E Isto é muito importante. A CIA está a mudar de tom em relação a Lee Harvey Oswald.”
— Megatron (@Megatron_ron) July 5, 2025
A informação veio à tona como parte da ordem do presidente Trump para que o governo cumpra suas obrigações de divulgar todos os documentos sob a Lei de Registos JFK de 1992. Pouco se sabia sobre o envolvimento de Joannides no caso, até às divulgações de 1998, nos termos da lei. Novas publicações desses registos anteriormente ocultos continuam a adicionar informações à história.

Joannides era o vice-chefe da filial da CIA em Miami, supervisionando “todos os aspectos da acção política e da guerra psicológica”. A missão incluía financiar e dirigir secretamente o grupo de estudantes cubanos, identificado pelas suas iniciais em espanhol – DRE.
A 9 de Agosto de 1963, mais de três meses antes do assassinato de 22 de Novembro, quatro agentes do DRE entraram numa briga com Oswald em New Orleans, quando ele estava a distribuir panfletos pró-Castro do “Comité Fair Play for Cuba”. A audiência judicial subsequente foi coberta pelos media locais.

A 21 de Agosto desse ano, Oswald debateu com activistas do DRE na TV local, atraindo mais atenção da comunicação social para as suas alegadas simpatias comunistas. Após o assassinato, o boletim informativo do DRE identificou Oswald como um comunista pró-Castro, e o Miami Herald e o Washington Post cobriram a história.
Os registos agora divulgados mostram que a CIA mentiu sobre o financiamento ou envolvimento com a DRE. Isso inclui as interacções da agência com a Comissão Warren (1964), o Comité Church (1975), o Comité Selecto da Câmara sobre Assassinatos (1977-78) e o Conselho de Revisão de Assassinatos (até 1998).
Joannides não tinha apenas conhecimento de Oswald antes do assassinato – ele desempenhou depois um papel central no processo de iludir a Comissão Especial da Câmara sobre Assassinatos.
Na época, a CIA nomeou Joannides para ser o seu contacto com a comissão. Mas ele e a agência ocultaram o facto de que estavam envolvidos com a DRE e, portanto, com o caso Kennedy, mentindo e atrasando a produção de registos pela CIA.
O conselheiro-chefe da comissão, Robert Blakey, testemunhou em 2014 que perguntou a Joannides sobre “Howard” e a DRE, e que “Joannides garantiu que não encontraram nenhum registo de nenhum oficial designado para a DRE, mas que continuaria a procurar.”
Um ex-investigador da comissão, Dan Hardway, testemunhou perante uma comissão de supervisão da Câmara no mês passado que o agente da CIA estava a conduzir uma “operação secreta” para minar a investigação do Congresso sobre o assassinato.
Dois anos depois de obstruir o Comité Selecto da Câmara, Joannides recebeu a Medalha de Inteligência de Carreira da agência de Langley. O agente morreu em 1990.
Entretanto, a deputada Anna Paulina Luna (R-FLA), que supervisiona a comissão da Câmara dos Representantes responsável por examinar os documentos recém-divulgados sobre JFK, disse que Joannides estava “1000%” envolvido num encobrimento da CIA.
Em conclusão: estes documentos não só provam que a CIA mentiu sobre o assassinato de JFK como sugerem que Lee Harvey Oswald pode ter sido de facto usado pela agência como bode expiatório, dado o conhecimento que tinha do seu perfil ideológico, através da actividade da DRE.
Uma outra tese que parece agora também plausível, amplamente divulgada em 1991 por Oliver Stone em “JFK“, é que Oswald, que começou a sua vida adulta nos Marines, era um agente duplo controlado pela CIA e que os incidentes de New Orleans foram ensaiados numa manobra típica de desinformação sobre a identidade e a filiação do seu operacional. Um ano antes de Oswald se tornar conhecido como pró-Castro, o Pentágono formulou um plano chamado Operação Northwoods para encenar um ataque de bandeira falsa nos Estados Unidos e culpar Cuba, justificando assim uma invasão militar. Oswald pode ter feito parte dessa operação ou de uma operação análoga.
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