
Estamos a chegar a um ponto, no Ocidente, em que a realidade é insustentável. Não se aguenta, literalmente.
Reparem bem nesta história, contada por Candace Owens, e que parece 100% credível, mesmo apesar de ser completamente inacreditável.
Em Fevereiro, quando estava a terminar a sua reportagem sobre Brigitte Macron, Candace recebeu repetidos recados da Casa Branca, em que lhe era solicitado, e depois exigido, que pusesse um fim a esse trabalho jornalístico.
Acabou até por receber um telefonema de Donald Trump, no mesmo sentido. A coisa correu de tal forma surrealista que Candace só tem uma maneira de definir a conversa:
“Eu falei com o Presidente dos Estados Unidos sobre o pénis da mulher de Macron!”
Os dias em que foi alvo desta pressão coincidiram com a visita de Emmanuel Macron à Casa Branca. E aparentemente, o Presidente francês ameaçou não colaborar com o processo de paz na Ucrânia que na altura Trump estava interessado em promover, se a jornalista norte-americana não pusesse um fim à investigação sobre a natureza do seu casamento.
A sério. Isto aconteceu. Oiçam a Candace:
Alguém acha que ela está a mentir?
E é difícil perceber o que é mais ridículo: o facto do Presidente francês chantagear Trump no sentido de silenciar Owens (como se os EUA não tivessem uma Primeira Emenda), a propósito de um processo de paz que podia salvar incontáveis vidas humanas e que nada tem a ver com as suspeitas que recaem sobre a primeira-dama francesa e a relação que tem com o marido, ou os recadinhos insolentes que a Casa Branca endereçou à jornalista (como se os EUA não tivessem uma Primeira Emenda), num crescendo que acabou por ser personalizado através de um contacto desenvolvido pelo próprio Presidente.
É claro que Candace Owens, sendo Candace Owens, ignorou a pressão a que estava a ser sujeita.
Mas isto supera ou não a mais delirante imaginação de qualquer romancista de cordel?
É espantoso. É nojento. É caricato. Mas é assim.
Relacionados
2 Set 26
A Verdade em estilhaços: cinco lições cruciais (e incómodas) sobre o futuro da informação.
A democracia não exige que todos tenham a mesma opinião, mas precisa de um acordo sobre factos essenciais. Sem uma base comum de realidade, o debate civilizado dá lugar a conflitos constantes entre mundos paralelos que não se comunicam. A crónica de Francisco Henriques da Silva.
31 Ago 26
Tim Dillon: ninguém cala a sátira.
Como é que Tim Dillon escapa aos tribunais, às turbas woke e ao complexo industrial de censura, depois de fazer no seu podcast afirmações arriscadíssimas como a de que os Obama assassinaram uma escrava sexual?
27 Ago 26
Líder do Partido Verde britânico partilha no Instagram ameaça de morte contra Nigel Farage.
Zack Polanski, líder do Partido Verde do Reino Unido, sugeriu a decapitação de Nigel Farage junto dos seus 700 mil seguidores no Instagram. E se fosse Farage a associar a guilhotina ao pescoço de Starmer, por exemplo, quanto tempo demorava a ser encarcerado?
24 Ago 26
Grand Theft Auto VI: Caos total na Califórnia.
Um grupo de hackers penetrou no servidor da Rockstar e roubou uma versão jogável do GTA6. Os hackers estão a exigir aquilo que a comunidade de jogadores há muito pede à indústria (honestidade, basicamente), para não deixarem cair o jogo no domínio público.
11 Ago 26
Com acções em queda, Netflix pondera emissões em directo para animar accionistas e envolver subscritores.
As acções da Netflix estão em baixa após um ciclo de desempenho abaixo do esperado e um dos piores arranques de semestre em duas décadas. A solução para o desanimo dos accionistas e o baixo envolvimento dos subscritores é a transmissão de directos televisivos.





