A Hungria, liderada pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, vai manter a sua intenção de vetar a candidatura da Ucrânia à União Europeia (UE). A decisão surge na sequência dos resultados de uma consulta nacional realizada pelo governo, na qual 95% dos eleitores se opuseram à adesão da Ucrânia. Orbán anunciou a realização de uma consulta sobre este assunto em Março, como parte de sua campanha mais ampla contra a adesão da Ucrânia à UE.

O governo húngaro empregou uma campanha mediática de grande alcance para influenciar a opinião pública. Falando na cimeira da UE em Bruxelas, na quinta-feira, Orbán reiterou a sua posição, afirmando:

“O problema é a guerra; se integrarmos a Ucrânia na UE, integraremos a guerra.”

Os tratados da União Europeia incluem obrigações de defesa mútua, que são menos firmes do que os compromissos de defesa mútua dos estados membros da NATO, mas ainda assim passíveis de envolver o bloco num conflito directo com a Rússia, a propósito da Ucrânia. O conflito poderia potencialmente envolver também os EUA, uma vez que a maioria dos membros da UE também são membros da NATO e que estas duas entidades estão cada vez mais próximas, em termos agenda política e militar.

As tensões entre a Hungria e a Ucrânia intensificaram-se nos últimos meses, alimentadas por alegações de uma rede de espionagem húngara na região de Zakarpattia (Transcarpática) da Ucrânia, que tem uma população étnica húngara significativa que há muito tempo é sujeita a medidas repressivas por parte de Kiev, irritando o governo húngaro.

 

 

A Comissão Europeia avaliou que a Ucrânia e a Moldávia estão prontas para iniciar negociações sobre a adesão à UE, mas a ameaça de veto da Hungria pode tornar a avaliação redundante. A Moldávia, assim como a Ucrânia, têm problemas geopolíticos, incluindo o território separatista «soviético» da Transnístria, onde um número desconhecido de tropas russas está actualmente estacionado.

Acresce que a Ucrânia e a Moldávia não cumprem de todo os critérios de adesão que até aqui têm sido requeridos pela União Europeia. Nem políticos, nem económicos. Mas nesta altura do campeonato, a UE não tem critérios para além daquele que consiste em provocar rapidamente uma guerra, que será sempre apocalíptica, com a Rússia.

Entretanto, Moscovo opõe-se agora a essa adesão. Nos acordos de paz que propôs a Kiev no início da guerra e que Zelensky foi convencido a rejeitar pelas irresponsáveis lideranças globalistas do Ocidente, Vladimir Putin não objectava a que a Ucrânia fizesse parte da União Europeia, que via como uma organização de carácter económico, pelo que considerava que a Rússia não tinha legitimidade para se imiscuir na estratégia económica de Kiev.

A sua opinião mudou entretanto, porque de facto a União Europeia deixou cair completamente a sua vertente de desenvolvimento económico partilhado, sendo hoje principalmente uma organização política e militar, que trabalha até contra a prosperidade dos povos que a constituem.