Falando sob condição de anonimato, uma fonte política de Teerão de alto escalão afirmou que a administração Trump comunicou às autoridades iranianas, a 21 de Junho, que não procurava um confronto total e que pretendia apenas atacar as instalações nucleares de Fordow, Isfahan e Natanz. É importante ressaltar que a fonte sénior também confirmou que as instalações visadas foram evacuadas, com a “maioria” do stock de urânio enriquecido do Irão mantido em locais seguros e que os EUA garantiram por este meio que não estão previstos esforços para uma mudança de regime.
BIG: High-ranking Iranian source tells @amwajmedia that Trump team gave advance notice of bombings of nuclear sites and insisted they’re intended as “one-off”. Signs of Trump seeking repeat of Jan 2020 (Soleimani killing=>symbolic Iranian retaliation).https://t.co/wDfPbkKkET
— Mohammad Ali Shabani (@mashabani) June 22, 2025
Dado que o Irão terá recebido um aviso prévio, é possível, entre todas as probabilidades imaginárias, que Trump pretenda repetir os eventos de Janeiro de 2020, em que um ataque iraniano com mísseis balísticos, em grande parte simbólico, a bases americanas no Iraque, foi consequente à autorização de Trump para o assassinato do então comandante da Força Quds, Qasem Soleimani.
Ainda assim, e para aumentar o ruído, a desinformação e o travestismo que tem caracterizado o fluxo de comunicação da administração Trump e particularmente do próprio Presidente, Donald Trump publicou ontem este bizarro post no Truth Social:
Ataque “devastador” ou circo máximo?
Entretanto, uma fonte iraniana de alto escalão confirmou que a maior parte do urânio altamente enriquecido armazenado na instalação nuclear de Fordow foi transferida, antes dos ataques dos EUA, para um local não revelado. A fonte acrescentou que o número de funcionários no local também foi reduzido ao mínimo em antecipação a um possível ataque.
Nos dois dias que antecederam os ataques dos Estados Unidos às três instalações nucleares iranianas, imagens de satélite mostram “actividade incomum de camiões e veículos” na instalação de enriquecimento de combustível de Fordow, de acordo com um analista sénior da empresa de satélites Maxar.
Apesar de Trump e do Departamento de Defesa norte-americano afirmarem que se tratou de um sucesso retumbante, os iranianos insistem que foi um fracasso total e há motivos para creditarmos mais a propaganda de Teerão do que aquela que está a ser massificada por Washington.
🇮🇷🇺🇸| Iranian MP Naqdali:
US should not get its hopes up. Nothing special happened in the US attack on Isfahan nuclear facility.
— Arya – آریا (@AryJeay) June 22, 2025
O ataque americano às instalações nucleares iranianas pode muito bem ter sido um espectáculo para sionistas verem mais do que uma acção militar bem sucedida, e circulam já relatos de que as infraestruturas alvejadas não sofreram danos assim tão graves como isso. Até funcionários séniores da administração americana reconhecem que não ocorreu uma destruição total dos locais atingidos pelos bombardeamentos.
And now the US is backtracking BIGLY pic.twitter.com/KTX5jPPUNq
— Kit Klarenberg 🔻🔻🔻🔻🔻 (@KitKlarenberg) June 22, 2025
É até provável que o ataque nem sequer tenha sido executado com bombardeiros B2 e bombas bunker buster, como Trump e o Departamento de Defesa norte-americano anunciaram, mas com mísseis Tomahawk disparados de submarinos. Ou seja, pode ter-se tratado de uma operação de baixo risco e baixo impacto.
My thoughts on the attack on Iran, as currently reported.
It’s clear that an attack took place. Official sources in the DoD are claiming 30 sub-launched Tomahawks and 6 MOPs were used via B-2s. I see no reason to take that claim at face value, absent some amount of proof.⬇️… pic.twitter.com/zSJqbhdHZP
— Armchair Warlord (@ArmchairW) June 22, 2025
Fordow, Iran analysis:
Using the building as a reference to transfer a useable scale on the recent photo, I estimated the larger crater size to be 6 meters, the smallest 3 meters.This is EXACTLY consistent with a 1000 pound warhead, possibly delivered at standoff range (LACM). pic.twitter.com/hYhsrRwP6B
— Korobochka (コロボ) 🇦🇺✝️ (@cirnosad) June 22, 2025
Pelas imagens de satélite, é possível perceber que as entradas de Fordow, a principal infraestrutura nuclear iraniana, instalada nas profundezas do subsolo, foram fechadas com terra e que não sofreram impactos directos.
Fordow entrance tunnels were filled with earth before the attack. Nothing moved.
June 20: June 21:
June 22: https://t.co/UQfyO0ng8W pic.twitter.com/UYQDmCwEHc
— MenchOsint (@MenchOsint) June 22, 2025
O que de qualquer forma não quer dizer que a iniciativa não esteja carregada de consequências geo-estratégicas nefastas (começando pelo fecho do Estreito de Ormuz e o consequente aumento do preço dos combustíveis). E seja como for, depois de tantas mentiras, depois de ter mostrado o seu lado negro, de agressor, mas também de aldrabão profissional, ninguém nunca mais vai confiar em Donald Trump para qualquer processo diplomático e negocial que queira desenvolver ou qualquer promessa que faça a aliados ou qualquer ameaça que anuncie a inimigos. Ainda há dias prometia que só iria equacionar o bombardeamento de alvos no Irão quando se esgotassem as iniciativas negociais, o que poderia demorar duas semanas. E no sábado, demorou apenas 3 horas para passar de uma promessa de paz à ameaça de guerra total.
Os dois Alexandres comentam o circo, como só eles sabem.
Vozes dissidentes.
Talvez o mais prestigiado magistrado populista dos EUA (já na reforma), o Juiz Napolitano, acusou entretanto Donald J. Trump de todo o tipo de inconstitucionalidades, já que a Casa Branca atacou o Irão sem autorização do Congresso, sendo que o poder de fazer a guerra a uma nação estrangeira sem a autorização dos representantes federais que é constitucionalmente atribuído à presidência justifica-se apenas quando a nação é atacada ou corre esse risco eminente, o que não é de todo o caso. Napolitano sugere até que o actual Presidente dos EUA seja destituído, por ter cometido “crimes de guerra”.
Este minuto e meio de acusações mostra bem como o ataque ao Irão dividiu radicalmente o eleitorado republicano, entre conservadores e populistas.
Outros comentadores da vida política americana de alto perfil mediático, como Robert Barnes, notaram, até justificados pelas palavras de Donald Trump, que a acção militar espoletada pela Casa Branca pode ter funcionado como alavanca para a aprovação da sua lei orçamental, a célebre BBB, no senado.
Basically confirming @Peoples_Pundit that key Senators hijacked Trump foreign policy by refusing to push his bill unless he backed war with Iran. https://t.co/WespKqOwx0
— Robert Barnes (@barnes_law) June 22, 2025
O britânico Paul Joseph Watson, que nos últimos tempos tem evitado, em vídeo e na sua plataforma Modernity, vários temas quentes para não criticar desmedidamente Donald Trump, não aguentou mais e publicou um crítico desabafo.
Para além da óbvia traição ao eleitorado populista norte-americano, que o elegeu, e do alinhamento claro de Donald Trump com o Estado Profundo e a sua facção sionista, PJW destaca outros vectores consequentes a esta guerra: mais uma fornada de “refugiados” muçulmanos vai cair sobre a Europa, já a seguir, os preços da energia vão disparar outra vez, e os ataques terroristas no Ocidente também.
Tudo coisas que já temos de sobra, não é? Mas fazem parte da agenda leninista-globalista e Donald Trump está a cumpri-la, como bom liberal de Nova Iorque.
E tudo isto, porquê?
I’m old enough to remember the beginning of the month when almost nobody was concerned with Iran’s nuclear program.
— Morgoth (@MorgothsReview) June 22, 2025
Relacionados
13 Mai 26
Serviços de inteligência dos EUA afirmam que Irão pode sobreviver ao bloqueio de Ormuz durante meses.
Uma análise confidencial da CIA, entregue aos decisores políticos governamentais na semana passada, concluiu que o Irão pode sobreviver ao bloqueio naval dos EUA durante pelo menos três a quatro meses antes de enfrentar dificuldades económicas mais severas.
12 Mai 26
Trump rejeita resposta do Irão ao plano de paz como “totalmente inaceitável”.
A proposta do regime iraniano, que demanda total controlo sobre o Estreito de Ormuz (que não detinha antes da guerra), foi pensada precisamente para ser recusada. Teerão sabe que está em vantagem, estratégica e até militar; e não tem qualquer interesse em ceder.
6 Mai 26
Marinha Real Britânica tem agora apenas cinco fragatas no activo. Tantas como… A Marinha Portuguesa.
A Marinha Real Britânica ficou com apenas cinco fragatas disponíveis para serviço activo após a retirada efectiva da HMS Iron Duke. O país que quer fazer a guerra à Rússia tem agora tantas fragatas como Portugal. Boa sorte.
28 Abr 26
Israel viola cessar-fogo no Líbano com ofensiva de ataques aéreos.
Ignorando completa e flagrantemente a afirmação de Donald Trump de que Israel estava "proibido" de atacar o Líbano, e apesar de um acordo de cessar-fogo de três semanas, Israel intensificou os ataques aéreos no país vizinho, visando alegadamente posições do Hezbollah.
27 Abr 26
Irão instala mais minas no Estreito de Ormuz, Trump ordena à Marinha que “dispare para matar”.
O Irão continua a armadilhar o Estreito de Ormuz, ameaçando o fornecimento global de petróleo e levando Donald J. Trump a emitir uma ordem de "disparar para matar" contra as embarcações que lançam as minas.
23 Abr 26
Boa sorte: Europa mobiliza-se para construir um “Plano B” para a NATO.
As nações europeias estão a avançar com um plano para reforçar as capacidades de defesa da NATO de forma independente, entre receios de uma possível retirada dos EUA. E mesmo que o plano falhe, os contribuintes europeus vão ser mais espoliados ainda.






