Falando sob condição de anonimato, uma fonte política de Teerão de alto escalão afirmou que a administração Trump comunicou às autoridades iranianas, a 21 de Junho, que não procurava um confronto total e que pretendia apenas atacar as instalações nucleares de Fordow, Isfahan e Natanz. É importante ressaltar que a fonte sénior também confirmou que as instalações visadas foram evacuadas, com a “maioria” do stock de urânio enriquecido do Irão mantido em locais seguros e que os EUA garantiram por este meio que não estão previstos esforços para uma mudança de regime.

 

 

Dado que o Irão terá recebido um aviso prévio, é possível, entre todas as probabilidades imaginárias, que Trump pretenda repetir os eventos de Janeiro de 2020, em que um ataque iraniano com mísseis balísticos, em grande parte simbólico, a bases americanas no Iraque, foi consequente à autorização de Trump para o assassinato do então comandante da Força Quds, Qasem Soleimani.

Ainda assim, e para aumentar o ruído, a desinformação e o travestismo que tem caracterizado o fluxo de comunicação da administração Trump e particularmente do próprio Presidente, Donald Trump publicou ontem este bizarro post no Truth Social:

 

 

 

Ataque “devastador” ou circo máximo?

Entretanto, uma fonte iraniana de alto escalão confirmou que a maior parte do urânio altamente enriquecido armazenado na instalação nuclear de Fordow foi transferida, antes dos ataques dos EUA, para um local não revelado. A fonte acrescentou que o número de funcionários no local também foi reduzido ao mínimo em antecipação a um possível ataque.

Nos dois dias que antecederam os ataques dos Estados Unidos às três instalações nucleares iranianas, imagens de satélite mostram “actividade incomum de camiões e veículos” na instalação de enriquecimento de combustível de Fordow, de acordo com um analista sénior da empresa de satélites Maxar.

Apesar de Trump e do Departamento de Defesa norte-americano afirmarem que se tratou de um sucesso retumbante, os iranianos insistem que foi um fracasso total e há motivos para creditarmos mais a propaganda de Teerão do que aquela que está a ser massificada por Washington.

 

 

O ataque americano às instalações nucleares iranianas pode muito bem ter sido um espectáculo para sionistas verem mais do que uma acção militar bem sucedida, e circulam já relatos de que as infraestruturas alvejadas não sofreram danos assim tão graves como isso. Até funcionários séniores da administração americana reconhecem que não ocorreu uma destruição total dos locais atingidos pelos bombardeamentos.

 

 

É até provável que o ataque nem sequer tenha sido executado com bombardeiros B2 e bombas bunker buster, como Trump e o Departamento de Defesa norte-americano anunciaram, mas com mísseis Tomahawk disparados de submarinos. Ou seja, pode ter-se tratado de uma operação de baixo risco e baixo impacto.

 

 

Pelas imagens de satélite, é possível perceber que as entradas de Fordow, a principal infraestrutura nuclear iraniana, instalada nas profundezas do subsolo, foram fechadas com terra e que não sofreram impactos directos.

 

 

O que de qualquer forma não quer dizer que a iniciativa não esteja carregada de consequências geo-estratégicas nefastas (começando pelo fecho do Estreito de Ormuz e o consequente aumento do preço dos combustíveis). E seja como for, depois de tantas mentiras, depois de ter mostrado o seu lado negro, de agressor, mas também de aldrabão profissional, ninguém nunca mais vai confiar em Donald Trump para qualquer processo diplomático e negocial que queira desenvolver ou qualquer promessa que faça a aliados ou qualquer ameaça que anuncie a inimigos. Ainda há dias prometia que só iria equacionar o bombardeamento de alvos no Irão quando se esgotassem as iniciativas negociais, o que poderia demorar duas semanas. E no sábado, demorou apenas 3 horas para passar de uma promessa de paz à ameaça de guerra total.

 

 

 

Os dois Alexandres comentam o circo, como só eles sabem.

 


 
 

Vozes dissidentes.

Talvez o mais prestigiado magistrado populista dos EUA (já na reforma), o Juiz Napolitano, acusou entretanto Donald J. Trump de todo o tipo de inconstitucionalidades, já que a Casa Branca atacou o Irão sem autorização do Congresso, sendo que o poder de fazer a guerra a uma nação estrangeira sem a autorização dos representantes federais que é constitucionalmente atribuído à presidência justifica-se apenas quando a nação é atacada ou corre esse risco eminente, o que não é de todo o caso. Napolitano sugere até que o actual Presidente dos EUA seja destituído, por ter cometido “crimes de guerra”.

Este minuto e meio de acusações mostra bem como o ataque ao Irão dividiu radicalmente o eleitorado republicano, entre conservadores e populistas.

 

 

Outros comentadores da vida política americana de alto perfil mediático, como Robert Barnes, notaram, até justificados pelas palavras de Donald Trump, que a acção militar espoletada pela Casa Branca pode ter funcionado como alavanca para a aprovação da sua lei orçamental, a célebre BBB, no senado.

 

 

O britânico Paul Joseph Watson, que nos últimos tempos tem evitado, em vídeo e na sua plataforma Modernity, vários temas quentes para não criticar desmedidamente Donald Trump, não aguentou mais e publicou um crítico desabafo.

Para além da óbvia traição ao eleitorado populista norte-americano, que o elegeu, e do alinhamento claro de Donald Trump com o Estado Profundo e a sua facção sionista, PJW destaca outros vectores consequentes a esta guerra: mais uma fornada de “refugiados” muçulmanos vai cair sobre a Europa, já a seguir, os preços da energia vão disparar outra vez, e os ataques terroristas no Ocidente também.

Tudo coisas que já temos de sobra, não é? Mas fazem parte da agenda leninista-globalista e Donald Trump está a cumpri-la, como bom liberal de Nova Iorque.

 

 

E tudo isto, porquê?