Uma publicação no Truth Social atribuída ao presidente dos EUA, Donald J. Trump, anunciou um ataque militar directo dos EUA a três instalações nucleares no Irão: Fordow, Natanz e Esfahan. A publicação afirma que se tratou de um “ataque muito bem-sucedido”, envolvendo uma carga completa de bombas, particularmente na instalação de Fordow, com todas as aeronaves a regressarem em segurança.

Os relatórios iniciais sugerem que bombardeiros americanos B2 foram usados no ataque, com relatos de fontes abertas informando que Fordow “desapareceu” do mapa.

Acredita-se que os EUA tenham lançado até seis bombas bunker buster em Fordow e usado cerca de 30 mísseis Tomahawk em outras instalações nucleares iranianas.

A mensagem de Trump elogia as forças americanas como inigualáveis a nível global e sugere que a operação não só foi bem-sucedida, mas também um ponto de partida para apelar à paz global. O inquilino da Casa Branca concluiu a sua mensagem com capitulares:

“AGORA É HORA DE PAZ!”

 

 

Há quem creia que esta última expressão do post de Trump poderá sinalizar uma mudança de direcção na política externa da Casa Branca, após uma agressão militar que, mais uma vez, foi executada sob uma cortina de declarações contraditórias e enganadoras da administração americana e do próprio Presidente, na medida em que afirmou há poucos dias atrás que tomaria uma decisão sobre bombardeamentos no Irão nos próximos quinze dias e em função das negociações que pretendia ainda desenvolver com os iranianos.

 

 

A decisão marca uma escalada dramática no posicionamento militar americano em relação ao Irão e pode reacender tensões regionais de imprevisível teor. As instalações mencionadas são componentes-chave da infra-estrutura nuclear do Irão, há muito vistas como potenciais pontos de conflito por Washington e pelos seus aliados. Como retaliação imediata, podemos assistir ao fecho do Estreito de Ormuz, por onde transita quase 30% do crude mundial.

Russos e chineses por certo reagirão a este ataque americano a um dos seus aliados, intensificando as tensões globais já em clara subida de tom.

Não foi até este momento apresentada, pelo regime sionista ou pelo regime Trump, qualquer prova de que o Irão estaria prestes a construir qualquer arma nuclear e o ataque foi realizado sem a sanção do congresso americano nem discussão nas Nações Unidas.

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, advertiu na quarta-feira à noite:

“Os americanos devem saber que qualquer intervenção militar dos EUA será, sem dúvida, acompanhada de danos irreparáveis.”

As forças armadas dos EUA têm cerca de 40.000 efectivos estacionados no Médio Oriente, em bases que poderão ser facilmente atingidas pelos iranianos.