O governo britânico rotulou quase metade do seu próprio povo como “terrorista”.

Não por pilhar lojas, incendiar carros, lançar bombas, ceifar vidas ou incitar o genocídio de povos, mas por ousar pensar que vale a pena salvar a cultura ocidental, ou proteger o próprio país e salvaguardar o futuro dos filhos de uma onda de migração descontrolada.

É isso que acontece quando as elites globalistas decidem que o patriotismo é um crime.

O governo do Reino Unido classificou 42% dos seus cidadãos como apoiantes de “ideologias terroristas extremistas” por terem preocupações com a migração em massa e a erosão cultural, de acordo com documentos e relatórios oficiais.

Especificamente, o programa governamental Prevent, de “combate à radicalização”, tem agora como alvo o “nacionalismo cultural” — definido como a crença de que “a cultura ocidental está sob ameaça da migração em massa e da falta de integração de certos grupos étnicos e culturais” — como uma forma de terrorismo de extrema-direita.

 

 

Essa designação, descrita num curso de formação online do Prevent, assinala estas opiniões como um caminho potencial para o terrorismo, exigindo intervenção por meio de esquemas de desradicalização (leia-se: lavagem ao cérebro ou encarceramento).

A posição draconiana, para não dizer insana, do programa governamental gerou indignação, com críticos argumentando que criminaliza opiniões dissidentes.

Lord Young, secretário-geral da Free Speech Union, escreveu uma carta à ministra do Interior, Yvette Cooper, alertando que a designação de crimes de pensamento como terrorismo é “motivo de séria preocupação”, sublinhando:

“Embora não esteja definida na lei, nem sujeita a restrições legais, a definição no curso de formação amplia o âmbito da suspeita para incluir indivíduos cujas opiniões são totalmente legais, mesmo que politicamente controversas.”

Porque nos tempos que correm é controversa a recusa da substituição demográfica.

Young alertou que mesmo o ex-ministro da Imigração Robert Jenrick, que disse que “a migração excessiva e descontrolada ameaça canibalizar a compaixão do público britânico”, ou o primeiro-ministro Keir Starmer, que observou, com máxima hipocrisia e pressionado pela opinião pública, que regras de imigração abstrusas correm o risco de transformar o Reino Unido “numa ilha de estranhos”, seriam considerados “terroristas” segundo a definição do governo.

O programa Prevent, já criticado por não ter conseguido impedir o assassino de Southport, Axel Rudakubana, apesar de três denúncias, decidiu agora fazer das vítimas os carrascos.

A medida permite efectivamente ao governo visar selectivamente civis e vigiar cidadãos sem mandado judicial.

Lord Young observou ainda:

“Agora que o ‘nacionalismo cultural’ foi classificado como uma subcategoria da ideologia terrorista de extrema-direita, mesmo as crenças tradicionais de centro-direita correm o risco de ser tratadas como ideologicamente suspeitas, apesar de estarem bem dentro dos limites da expressão legal.”

 

 

A liberdade de expressão está morta no Reino Unido. O último e escandaloso vector do policiamento da opinião nas ilhas britânicas resultou na detenção de Julian Foulkes, um policia aposentado, por uma publicação nas redes sociais que alertava sobre o antissemitismo, com a polícia descrevendo criticamente a sua biblioteca como “muito Brexit”.

Foulkes recebeu posteriormente um pedido de desculpas e uma indenização de 20.000 libras, mas muitos outros não tiveram a mesma sorte. A colunista do Telegraph Allison Pearson foi interrogada pela polícia por causa de uma publicação no X que questionava protestos pró-palestinianos, e Hamit Koskun foi multado por queimar um Alcorão, levando Jenrick a acusar os tribunais de reviverem as leis contra a blasfémia.

Um homem autista de 24 anos foi encaminhado ao Prevent por frequentar sites “ofensivos e anti-trans” e comédias de direita, de acordo com a Free Speech Union.

Mas os leitores do Contra sabem que podem encontrar muitos outros exemplos da tirania sobre o livre discurso no Reino Unido, documentados nesta publicação.