O João Nuno Pinto convidou, pela terceira vez, o Contra para ir conversar com ele no “Isto é o Povo a Falar” e Contra lá foi. O tema que escolhemos foi o da traição da administração Trump ao seu mandato eleitoral, que é cada vez mais gritante e que os acontecimentos presentes no Médio Oriente bem documentam. O programa foi gravado 24 horas antes do ataque sionista ao Irão, pelo que ficou imediatamente desactualizado, apesar de até termos mencionado que o Estado profundo de Washington DC estaria em vésperas de fazer a guerra a Teerão.
Foi mais uma hora de conversa corrida, que foi emitida na quinta-feira à noite no canal Kuriakos TV, e que agora partilhamos.
GUIÃO DO EPISÓDIO
Intro. Em que consistiu o mandato eleitoral de Trump?
Plano interno:
• ‘America First’ – Dar prioridade aos problemas que afectam os americanos.
• Reindustrializar o país, trazendo de volta para os EUA as indústrias com sede norte-americana e convidando ao investimento estrangeiro; liberalizar e reactivar o potencial de produção energética do país.
• Baixar impostos às empresas e acabar com o IRS.
• Travar a imigração descontrolada e massiva e o tráfico de pessoas, drogas e armas, principalmente na fronteira com o México.
• Deportar imigrantes ilegais, com especial incidência nos que cometeram crimes nos EUA ou pertencem a gangues criminosos activos nos EUA.
• Combater a cultura woke instalada no governo federal
• Combater o Estado Profundo e o complexo industrial e militar americano no seu despesismo e no seu secretismo – divulgar ficheiros Epstein, Ficheiros Kennedy, esclarecer as circunstâncias das duas tentativas de assassinato de Donald Trump, estancar a dívida soberana, emagrecendo a dimensão do governo federal e dos seus gastos.
• Responsabilizar criminalmente agentes do aparelho democrata que transformaram o Departamento de Justiça num braço armado da Casa Branca.
• Responsabilizar criminalmente os agentes do aparelho democrata e republicano que perseguiram e prenderam cidadãos envolvidos no 6 de Janeiro.
• Responsabilizar criminalmente os agentes do FBI que criaram ou alimentaram falsas narrativas como a do RussiaGate, que, como uma verdadeira polícia política, infiltraram dezenas ou centenas de agentes nos protestos de 6 de Janeiro de forma a provocarem caos e violência; perseguiram e prenderam jornalistas independentes por fazerem o seu trabalho, cidadãos católicos por serem contra o aborto e preferirem a missa em latim, e professores por terem recusado o processo de vacinação Covid e que chegaram a ser cadastrados como terroristas domésticos.
• Investigar a corrupção escandalosa da família Biden, que traficou influência com ucranianos e chineses enquanto Joe foi vice-presidente da administração Obama.
• Romper com o eixo globalista de inspiração totalitária Wall Street / Silicon Valley
Plano externo:
• Acabar com as “guerras eternas.”
• Trabalhar para fazer a paz na Ucrânia e no Médio Oriente.
• Tarifar países que castigam com direitos aduaneiros os produtos americanos.
• Reconhecer um mundo polarizado, não policiável pelos EUA.
• Privilegiar a diplomacia e tratados económicos, em desfavor de mudanças de regime e intervenções militares.
Promessas cumpridas
Plano interno:
Independentemente dos obstáculos levantados pelo sistema judicial norte-americano, assistimos a esforços concretos para:
• Reindustrializar, liberalizar e reactivar a produção energética dos EUA e incentivar o investimento no país.
• Travar a imigração e os tráficos na fronteira com o México.
• Deportar imigrantes ilegais e ou criminosos estrangeiros.
•Combater a cultura woke.
• Baixar a carga fiscal – “Big beautiful bill” reduz impostos, principalmente às empresas.
Plano externo:
• A Casa Branca desencadeou uma guerra tarifária / comercial a nível global, com implicações impossíveis de prever.
Desvios ao mandato eleitoral
Plano interno:
• A promessa de acabar com o IRS não se confirmou até agora.
• Os resultados apresentados pelo DOGE – Departamento de Eficiência Governamental – não corresponderam de todo ao prometido e saldam-se por um rotundo falhanço.
Elon Musk moderou substancial e progressivamente os seus ambiciosos objectivos de redução de despesas no governo federal, apresentando estimativas 180% e 95% inferiores ao que tinha prometido em 2024 e em Fevereiro de 2025, respectivamente.
Na campanha eleitoral tinha prometido 2 triliões de dólares em poupanças, mais tarde reduziu as expectativas para 1 trilião de dólares e em Abril apresentou numa reunião do executivo federal 150 biliões de cortes apenas, o que corresponde a menos de 5% do orçamento federal.
Destes 150 biliões apenas 27% são auditáveis.
Musk não tinha poder legislativo nem executivo para cortar a maior parte das despesas que identificou como necessárias e tanto o Capitólio como a administração Trump não se mostraram disponíveis para codificar ou executar esses cortes.
O caso paradigmático é o da agência USAID, usada pela CIA para financiar mudanças de regime e pelo Estado Profundo para propagar a ideologia neo-liberal/woke por todo o mundo, cuja natureza escandalosa de fluxos financeiros para o estrangeiro causaram escândalo, mas que continua activa, agora sob a égide do Departamento de Estado liderado por Marco Rubio, um homem do “sistema”.
• Donald Trump tem repetidamente anunciado que pretende aumentar o orçamento do Pentágono em 1 trilião de dólares.
• O pacote orçamental que está a forçar no Congresso é na verdade muito parecido – no despesismo, no gigantismo, na ambição desmedida, na irresponsabilidade em relação à divida pública e na impossibilidade de auditoria futura – com qualquer iniciativa legislativa deste género de Biden, Obama ou Bush, filho,
• A proposta ensandecedora de aumentar o tecto da dívida em 5 triliões de dólares, será a esse título exemplar.
• A filosofia económica por trás desta aberração está datada de cinquenta anos, insistindo que cabe ao estado a inteira responsabilidade pelo desenvolvimento económico de um país; e é sobretudo religiosa, acreditando, sem evidência material ou histórica, que a dívida soberana americana pode ser literalmente inumerável desde que o seu PIB se mantenha em crescendo.
• O Departamento de Justiça de Donald Trump, liderado por Pam Bondi, revelou-se em absoluto incapaz de procurar os crimes cometidos pelo aparelho democrata durante o regime Biden (instrumentalização do aparelho judiciário contra Trump e os seus mais directos apoiantes, processos do 6 de Janeiro, perseguição política de opositores de regime Biden e das suas narrativas, etc.) bem como os fortes indícios de corrupção na família do ex-Presidente.
• Apesar de ter nomeado Kash Patel e Dan Bongino para a direcção do FBI, dois líderes de opinião do movimento populista americano, esta liderança tem falhado escandalosamente na missão para a qual teria em teoria sido nomeada, adoptando uma posição de “não há nada para ver aqui” no caso Epstein, cujos ficheiros continuam por revelar, recusando a responsabilização criminal de elementos da agência que chegaram ao ponto de, em 2016, montarem uma acção de espionagem sobre a campanha de Trump e a sua primeira presidência.
• A Casa Branca tem-se mostrado conivente com o principal eixo de poder globalista e tecnocrático dos EUA – Wall Street / Silicon Valley, apoiando uma iniciativa sinistra – protagonizada por Sam Altman, o fundador da Open AI e um globalista inimigo declarado de Trump e de qualquer filosofia populista – de fusão das tecnologias de Inteligência Artificial com projectos de ganho de função para criação de vacinas mRNA.
• Uma dos mais poderosas figuras “ocultas” da administração Trump é Peter Thiel. Enquanto CEO da PayPal, Thiel mandou fechar contas a utilizadores populistas, privando-os de tirar rendimento dos seus canais, durante os anos da pandemia Covid.
Peter Thiel foi patrão de JD Vance, quando este trabalhou na sua gestora de fundos de Wall Street e é fundador da Palantir, uma empresa de processamento de big data que oferece software de carácter distópico que não só pretende integrar informação multifacetada de cidadãos privados como desenvolve processos de prevenção do crime que são fotocopiados da famosa novela distópica de Phillip K. Dick “Relatório Minoritário”.
Alex Karp, outro dos fundadores da Palantir, um neo-liberal convicto e um sionista militante, gabou-se já publicamente de utilizar as tecnologias da empresa para travar a “extrema-direita” na Europa.
A administração trump acabou de contratar a Palantir para integrar a informação de que o governo federal dispõe sobre os cidadãos da federação de forma a vigiar e monitorar os seus movimentos, comportamentos políticos em rede social, rendimentos, estado de saúde, etc.
• Para além de se opor a qualquer regulamentação da indústria de Inteligência Artificial, a Casa Branca integrou no seu projecto-lei orçamental (“Big Beautiful Bill”), uma cláusula que interdita os estados de legislarem sobre estas tecnologias, uma medida que será até inconstitucional, considerando o carácter federativo dos EUA.
• Donald Trump compactuou com e celebrou a compra de vários portos no Canal do Panamá pela infame BlackRock, a gestora de fundos que lidera a filosofia globalista e que sempre se opôs às suas candidaturas, à sua visão ‘America First’ e ao movimento MAGA.
• Continuamos à espera que os cientistas e os burocratas e os empresários que cometeram crimes contra a humanidade durante a pandemia sejam levados à justiça.
• Continuamos na expectativa que o Pentágono cumpra efectivamente uma auditoria às suas contas. As últimas sete foram dadas como inconclusivas ou impossíveis de realizar. É neste momento impossível saber como, quando e onde é que o Pentágono gasta mais de 800 biliões de dólares por ano.
Plano Externo
• A actual administração americana não conseguiu criar condições para a paz, nem na Ucrânia nem no Médio Oriente e muito pelo contrário, continua deitar gasolina sobre cenários já incendiados anteriormente pelos Estados Unidos.
• Em relação à guerra da Ucrânia, Donald Trump começou por tentar ser relevante num processo onde não tinha quaisquer alavancas para obrigar Vladimir Putin a cumprir com uma agenda que não respeita os interesses de Moscovo.
Quando percebeu que seria impotente para conformar os russos aos seus objectivos permitiu que os EUA e a NATO retomassem a entrega de armas à Ucrânia, mesmo depois de ter humilhado, na Sala Oval e perante a imprensa, o Presidente Zelensky, que Trump reconhece ser um líder que não está à altura da situação em que o seu país se encontra.
O Presidente americano chegou a apelidar o presidente Putin de “doido” em declarações à imprensa, cerca de 24 horas depois do presidente russo ter sofrido uma tentativa de assassinato pelas forças ucranianas, e aparentemente sem sequer ter conhecimento do facto, sendo dessa tentativa informado por um jornalista que se encontrava nessa conferência de imprensa.
Donald Trump parecer não perceber que não pode ser mediador de um conflito enquanto oferece armas, inteligência e dinheiro a uma das partes.
No entretanto, é muito difícil de acreditar que o ataque lançado no principio deste mês contra os aeródromos onde estavam estacionados os esquadrões da frota nuclear russa, a milhares de quilómetros da frente ucraniana, não tenham sido planeados e executados com o apoio da NATO e dos serviços de inteligência ocidentais.
Estas duas hipóteses são igualmente assustadoras: ou Trump sabia desses ataques, e todos os seus esforços no sentido da paz foram traídos quando autorizou a opera- ção, ou não sabia, e nesse caso percebemos que a NATO, a CIA e outros serviços de inteligência do bloco ocidental trabalham neste momento à revelia da Casa Branca.
• No Médio Oriente, a administração Trump tem oscilado entre a obediência à agenda sionista e a tentativa, muitas vezes espúria, de procurar soluções de paz.
• Logo no início do mandato, o presidente americano anuciou o seu plano de paz para a Faixa de Gaza, que se baseava na transformação da região num complexo imobiliário de luxo, controlado pelos Estados Unidos, sem explicar como é que iria proceder a tal empreendimento, que implicaria necessariamente a deslocação de milhões de palestinianos, sabe-se lá para que geografia e contra a sua vontade.
• Depois de bombardear durante semanas o Iémen, sem resultados práticos já que nem sequer conseguiu o domínio do espaço aéreo na região, e sem que se perceba qual o interesse directo dos EUA em combater os Houthis, já que os americanos não têm interesses comerciais ou estratégicos no Mar Mar Vermelho, Trump foi a Riade falar de paz e das virtudes da cooperação internacional e do comércio. Mas as tensões em relação ao Irão só têm aumentado desde que assumiu a presidência, pressionada pelos republicanos do Congresso e pelo governo de Nethanyahu a agir sobre a alegada ameaça nuclear iraniana, mesmo apesar da directora de inteligência da administração americana, Tulsi Gabbard, ter garantido ao Congesso, em Março deste ano, que o país dos aiatolás não estava a construir armas nucleares.
• Donald Trump parece agora dominado pelos falcões do seu gabinete e os ‘republicanos só de nome’ do Capitólio, pelo aparelho industrial e militar americano e pelas almas condenadas do pântano de Washington, e dá até a sensação que objectiva um mandato muito parecido com aquele que o seu senil antecessor cumpriu.
Epílogo – Cúmulos da ironia.
• Demonstrando que o pântano de Washington não se deixa drenar, Donald Trump ainda não conseguiu perceber em que circunstâncias é que as duas tentativas de assassinato de que foi vítima se concretizaram, principalmente o atentado de Butler, Pensilvânia, cujas estranhíssimas incidências nunca ninguém no governo federal conseguiu explicar.
Não deixa de ser irónico que o proprio directo adjunto do FBI, Dan Bongino, nomeado pelo actual presidente, tenha proclamado que essas circunstâncias são perfeitamente normais e que nada tem a acrescentar à versão oficial dos factos – a de que Thomas Crooks era um atirador isolado e ensandecido, contra todas as evidências.
• Por outro lado, recaem agora suspeitas, propagadas por aquele que se considerava ser um dos seus mais próximos colaboradores, Elon Musk, de que os ficheiros Epstein nunca serão revelados pela Casa Branca já que Donald Trump estará no caso profundamente envolvido.
Relacionados
8 Mai 26
Por uma vez, estão certos: maioria dos democratas americanos acha que os EUA são uma força maligna.
Não é comum (é até muito raro), mas o eleitorado do Partido Democrata é capaz de ter acertado esta: uma sondagem recente mostra uma queda significativa no número de liberais que vêem os EUA como uma força para o bem no mundo.
8 Mai 26
Giorgia Meloni critica deepfakes “sensuais” divulgados por “adversário fanático”.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, abordou a ameaça transformista dos deepfakes, depois de imagens geradas por inteligência artificial que a retratavam em lingerie terem circulado online.
8 Mai 26
Governo de Merz propõe lei que dá aos municípios alemães o poder de impedirem que membros do AfD comprem propriedades.
O Ministério da Construção alemão apresentou um novo projecto-lei que dá aos municípios o direito de preferência na compra de propriedades que podem ser adquiridas por “inimigos da Constituição”. Leia-se: membros do AfD.
7 Mai 26
Espanha:amnistia massiva para os imigrantes ilegais já está a sobrecarregar os serviços públicos.
Os serviços públicos em Madrid estão a entrar em colapso devido à pressão do programa de amnistia em massa para os imigrantes ilegais, enquanto as autarquias lutam para satisfazer as necessidades tanto dos residentes como dos imigrantes.
7 Mai 26
Instabilidade política, na Roménia: Governo globalista cai após voto de desconfiança de social-democratas e nacionalistas.
O Governo globalista-leninista da Roménia caiu na terça-feira, depois de o primeiro-ministro Ilie Bolojan ter sido destituído por um voto de desconfiança apoiado pelo Partido Social Democrata e pela Aliança para a União dos Romenos, de tendência nacionalista.
6 Mai 26
Confirma-se o triunfo globalista, na Hungria: Péter Magyar nomeia para ministra da educação uma activista LGBT.
A nomeação para Ministra da Educação de Judit Lannert está a indignar os conservadores húngaros, depois de se saber que promoveu o activismo LGBTQ+ no Verão de 2021, precisamente quando Orbán tentava passar uma lei de protecção das crianças contra a perversão woke nas escolas.






