Em definitivo, Donald Trump é o grande camaleão do Século XXI. É o populista que protege o estabelecimento, o ‘Presidente da Paz’ que nos vai conduzir à III Guerra Mundial, o génio da economia que quer aumentar ainda mais a já insustentável dívida pública americana, o inimigo do Estado Profundo que nos quer convencer que Epstein se suicidou e o libertário que vai pagar uma fortuna do dinheiro dos contribuintes americanos para que sejam devidamente monitorizados e controlados por uma das mais sinistras empresas tecnológicas alguma vez criadas: a Palantir.

Klaus Schwab deve estar agora a perceber que tem um discípulo com que não contava, porque de facto a administração Trump está a recolher e integrar dados sobre todos os americanos e vai recorrer à empresa de análise de dados Palantir para o fazer.

O presidente Trump contratou a empresa, fundada pelo bilionário Peter Thiel, para cumprir a sua ordem executiva de Março, que mandata as agências governamentais a partilharem dados entre si. A ordem aumentou os receios de que o governo esteja a criar uma base de dados para exercer poderes não escrutinados de vigilância sobre o público americano.

Desde então, o governo tem mantido silêncio sobre esses esforços, aumentando as suspeitas. Enquanto isso, a Palantir recebeu mais de 113 milhões de dólares do governo federal desde que Trump assumiu o cargo, tanto em contratos existentes quanto em novos contratos com os Departamentos de Defesa e Segurança Interna. Espera-se que esse número cresça exponencialmente, especialmente considerando que a empresa acaba de ganhar um novo contrato de 795 milhões de dólares com o Departamento de Defesa na semana passada.

Além disso, a Palantir está a negociar com várias outras agências do governo federal, incluindo a Administração da Segurança Social e o IRS, sobre a compra de sua tecnologia. A ferramenta Foundry da Palantir, que analisa e organiza e integra grandes quantidades de dados, já está a ser usada no DHS, no Departamento de Saúde e Serviços Humanos e em pelo menos duas outras agências, permitindo que a Casa Branca reúna dados de diferentes proveniências.

Os esforços da administração para compilar dados em grande escala começaram sob a iniciativa do Departamento de Eficiência Governamental de Elon Musk, que buscava dados pessoais dos americanos em várias agências, incluindo o IRS, a SSA, o Medicare e muitas outras. Em alguns casos, ordens judiciais impediram esses esforços, mas não em todos.

Por seu lado, Peter Thiel tem várias ligações com o DOGE, tanto através de Musk como através de muitos dos seus antigos empregados que trabalham agora para a agência ou que assumiram outros cargos na administração Trump. E este esforço de recolha de dados poderia dar a Thiel e ao governo federal um poder sem precedentes sobre os americanos.

Defensores da privacidade, sindicatos estudantis e organizações de direitos laborais estão entre aqueles que entraram com acções judiciais para impedir os esforços de recolha de dados de Trump, muitas vezes pelas razões erradas, ou seja, meramente determinadas pelo combate político. O envolvimento da Palantir também dá a uma já poderosa empresa de tecnologia acesso a esses dados, e seu CEO, Alex Karp, não tem exactamente uma agenda benigna, esperando lucrar com o tecnomilitarismo americano. Musk também tem planos para os dados do governo, usando a sua plataforma de IA, o Grok, para os processar e capitalizar.

 

A tecnológica que veio das trevas.

A Palantir Technologies Inc. é uma empresa americana de capital anónimo especializada em plataformas de software para análise de big data. Com sede em Denver, Colorado, foi fundada por Peter Thiel, Stephen Cohen, Joe Lonsdale e Alex Karp, em 2003.

A empresa tem quatro projetos principais: Palantir Gotham, Palantir Foundry, Palantir Apollo e Palantir AIP. O Palantir Gotham é uma ferramenta de inteligência e defesa utilizada por militares e analistas de contraterrorismo. Entre os seus clientes estão a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos (USIC) e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Este software é uma das cinco ofertas autorizadas para Sistemas de Segurança Nacional de Missão Crítica pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O Palantir Foundry tem sido utilizado para integração e análise de dados por clientes corporativos como Morgan Stanley, Merck KGaA, Airbus, Wejo, Lilium, PG&E e Fiat Chrysler Automobiles. O Palantir Apollo é uma plataforma para facilitar a integração contínua e entrega contínua em todos os ambientes.

Em Abril de 2023, a empresa lançou a Plataforma de Inteligência Artificial (AIP), que integra grandes modelos de linguagem em redes operadas de forma privada. Esta ferramenta demonstrou a sua eficácia em teatros de guerra, onde um operador militar poderia implementar operações e receber respostas através de um chatbot de IA. Conforntado com os riscos potenciais da inteligência artificial generativa utilizada em ambiente militar, Karp disse que o produto não permitiria que a IA realizasse operações de forma independente, exigindo sempre a supervisão humana. Empresas comerciais também têm utilizado a AIP em muitos domínios. As aplicações incluem planeamento de infraestruturas, análise de redes e alocação de recursos.

Os clientes originais da Palantir eram agências federais da USIC. Desde então, expandiu a sua base de clientes para servir tanto governos internacionais como estaduais e locais, e também empresas privadas. A tecnológica tem mantido relações profícuas com o World Economic Forum.

É do conhecimento público que um dos principais accionistas da empresa é a CIA. A Palantir foi também referenciada como instrumental no ataque sionista aos pagers de alegados militantes do Hezbollah.

 

 

Convém lembrar que o actual vice-presidente dos EUA, JD Vance, trabalhou como gestor de fundos para Peter Thiel, na Wall Street, e que este último, como CEO da PayPal, mandou fechar contas a utilizadores populistas, privando-os de tirar rendimento dos seus canais, durante os anos da pandemia Covid; e que Alex Karp, é um neo-liberal convicto e um sionista militante, que se orgulha de ter contribuído para travar a “extrema-direita” na Europa.

 

 

Um dos argumentos de venda da Palantir é que os seus produtos, quando devidamente integrados, permitem a previsão de actos criminosos e/ou terroristas, bem como acções militares por potências hostis. Ou seja: um autêntico Relatório Minoritário.

 

 

Donald Trump está assim, mais uma vez, a dormir com o inimigo, traindo por completo o seu mandato eleitoral.