No domingo, o Ministério da Defesa russo emitiu uma declaração oficial informando que um ataque coordenado com enxames de drones ucranianos atingiu e danificou aeronaves militares em várias bases aéreas localizadas no interior do território russo.

Os aeródromos afectados incluem:

Oblast de Murmansk
Oblast de Irkutsk
Oblast de Ivanovo
Oblast de Ryazan
Oblast de Amur

 

 

Vários meios de comunicação dos EUA — incluindo a Bloomberg, o The Wall Street Journal e a CBS News — confirmaram que a operação ucraniana com enxames de drones teve como alvo e destruiu aproximadamente 40 aeronaves militares russas em quatro bases aéreas.

De acordo com oficiais da inteligência ucraniana citados pela CBS News, as aeronaves destruídas incluem bombardeiros Tu-95MS e Tu-22M3, que desempenham um papel central nas forças aéreas estratégicas e nucleares de longo alcance da Rússia.

 

 

O Military Balance+, um banco de dados mantido pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, indicou que a Rússia tinha uma frota de 54 bombardeiros Tu-22M3 e 58 Tu-95MS antes do ataque. Ainda não é claro quantos desses bombardeiros de longo alcance, especificamente, foram destruídos, mas a Bloomberg fala em mais de 40.

Um oficial de segurança ucraniano disse à Associated Press que o planeamento do ataque levou cerca de um ano e meio e foi supervisionado pessoalmente pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.

 

 

Embora a Casa Branca não tenha feito comentários à CBS sobre o ataque, fontes do governo disseram à agência que a administração Trump não teve conhecimento desta acção militar e o Presidente ainda não se pronunciou sobre o assunto. No entanto, a NATO e muito provavelmente os serviços de inteligência norte-americanos e europeus estarão certamente no vórtice de uma operação técnica e logisticamente sofisticada como esta, que atingiu aeródromos no extremo norte do país e até na Sibéria Oriental.

Os ucranianos até já afirmaram que informaram previamente a Casa Branca do ataque que iam realizar.

 

 

Imagens de código aberto que circulam no X mostram um enxame coordenado de drones ucranianos a atacar bombardeiros estratégicos de longo alcance russos — aeronaves capazes de transportar cargas convencionais e nucleares — nas profundezas do território russo.

A escala, precisão e profundidade do ataque levaram alguns observadores militares a descrever a operação como um «Pearl Harbor russo».

O chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia, Vasyl Malyuk, liderou a operação e as perdas foram avaliadas em cerca de 2 bilões de dólares, segundo este funcionário.

Drones ucranianos atacaram no domingo uma base militar perto do povoado de Sredniy, disse Igor Kobzev, governador da região de Irkutsk, numa declaração no Telegram. Ele não especificou a extensão dos danos. O povoado de Sredniy fica situado a cerca de 5.190 km de Moscovo, nas imediações da base militar de Belaya.

Canais russos do Telegram também publicaram relatos não confirmados de um ataque com drones perto da cidade de Olenegorsk, a cerca de 1.840 km de Moscovo. A base aérea de Olenya está localizada perto de Olenegorsk.

Imagens de vídeo de código aberto partilhadas pelo monitor de conflitos OSINTtechnical no X parecem mostrar um enxame coordenado de drones ucranianos lançados a partir de contentores marítimos fortemente modificados perto da base aérea russa de Belaya.

 

 

Mais imagens — transmitidas através de uma ligação de vídeo dos drones kamikaze — capturam vários ataques a bombardeiros russos de longo alcance, que terão causado danos significativos. Contas nas redes sociais afirmam que os ataques tiveram como alvo as bases aéreas de Belaya e Olenya.

 

 

De acordo com o utilizador do X Insider Paper, blogs militares russos também compararam a escala e o impacto do ataque a Pearl Harbor, sublinhando que uma escalada dramática da Rússia na guerra com a Ucrânia pode ser iminente.

O ataque no interior da Rússia ocorre quando diplomatas de Moscovo e Kiev se preparavam para enviar delegações à Turquia para a segunda rodada de “negociações de paz”. Mas se estas negociações já pareciam condenadas, depois dos ucranianos tentarem assassinar Putin quando o Presidente russo viajava de Helicóptero na região de Kursk, na semana passada, é fácil perceber que ninguém vai fazer seja o que for de pertinente a Instambul.

É de prever que Moscovo reaja de forma virulenta a este ataque, já que Vladimir Putin não tem agora como contrariar as vozes que nas estruturas de poder militar e político do seu país há muito apelam a uma abordagem mais agressiva do conflito, não só na Ucrânia, mas também em relação ao bloco ocidental. Quando a NATO decide atacar os esquadrões do escudo nuclear da Rússia, passa a ser impossível ao presidente russo continuar a insistir na sua política de contenção.

Estamos neste momento a um passo da guerra total. E das duas uma: ou Donald Trump não tem qualquer poder sobre as decisões da NATO (e dos serviços de inteligência americanos que por certo sabiam que o ataque ia acontecer), circunstância de gravidade inequívoca, ou, tendo conhecimento desta acção militar, está prestes a ficar na história como o Presidente que levou os EUA à III Guerra Mundial.

Nada mau, para quem há cinco meses atrás se intitulava como o ‘Presidente da Paz’.

Clayton Morris faz aqui um resumo deveras assertivo do ponto de não retorno a que chegámos, na guerra do Ocidente contra a Rússia.