Demonstrando que é capaz de partilhar a sua imensa plataforma com toda a gente, literalmente com toda a gente, Joe Rogan convidou para um episódio do seu podcast o senhor Zahi Hawass, o corrupto e infame “egiptólogo” e ex-Ministro das Antiguidades egípcio que tudo fez e continua a fazer para impedir um aprofundado estudo arqueológico de toda a monumentalidade faraónica e o respectivo esclarecimento dos seus mais flagrantes enigmas.

É fácil de perceber que Hawass tem muito mais de mafioso do que de arqueólogo, e até Rogan já o reconheceu, este é capaz de ser o pior momento de sempre do Joe Rogan Experience. O Egípcio passou as duas horas da conversa a atirar areia para os olhos de toda a gente, com aquela atitude de “não há nada para ver aqui”, muito característica do mainstream corporativo; a engrandecer-se risivelmente, minuto sim, minuto sim; a tentar vender o seu último livro com o desplante de um comerciante de automóveis soviéticos emn segunda mão – e gripados; e a demonstrar avidamente que tem mais poder que integridade.

Num dos momentos mais abstrusos da conversa, Rogan falou das imagens captadas recentemente através de uma tecnologia de radar, que detectaram um conjunto de imensas estruturas subterrâneas por baixo das pirâmides de Gizé. Hawass regiu com firmeza, afirmando peremptoriamente:

“Eu investiguei isso. Ninguém vos pode dizer que é exacto. Perguntei a todas as pessoas que percebem de radar e ultra-sons – todas as pessoas que trabalham comigo. Disseram-me: ‘Isso é uma treta. Não pode acontecer de todo'”.

Rogan pressionou-o:

“Compreende a tecnologia por detrás das imagens de satélite?”

O Dr. Hawass admitiu que não:

“Não sou um cientista.”

Não, não é um cientista. Nem é preciso dizer, porque é algo que se percebe claramente.

Quando Rogan mencionou investigações recentes sobre o Túmulo de Osíris, o Dr. Hawass interrompeu, afirmando desavergonhada e falsamente:

“Eu descobri-o!”

O túmulo de Osíris, um antigo complexo funerário subterrâneo em Gizé, é conhecido pelos seus três níveis, incluindo uma câmara de entrada, uma sala com sarcófagos e uma câmara subterrânea inundada que se crê ser um túmulo simbólico de Osíris.

Este complexo foi mencionado pela primeira vez por Heródoto e redescoberto na década de 1930, tendo sido explorado, e não descoberto, pelo Dr. Hawass em 2008.

Rogan respondeu com moderação à mentira do egípcio:

“Eu sei, eu compreendo – vocês descobriram-no. Mas eles usaram a mesma técnica para mostrar que [o túmulo] existe.”

Mas Hawass inistiu na aldrabice:

“Não, não. Isso está errado. Não é verdade de todo. Posso dizer-vos como o encontrei.”

Rogan tentou mais uma vez esclarecer que, mesmo que fosse Hawass a ter descoberto o túmulo, as imagens de satélite utilizadas pelos cientistas pareciam confirmar e visualizar as estruturas conhecidas. Hawass rejeitou as descobertas da equipa como sendo falsas, mesmo quando Rogan salientou que as suas técnicas parecem confirmar as descobertas alegadamente feitas pelo próprio Hawass.

Não recomendamos assim que a estimada audiência perca muito tempo com este objecto altamente constrangedor e deprimente, mas vale a pena consumir uns pouco minutos de qualquer segmento do extenso clip para se perceber o nível manhoso, fraudulento e nepotista de um homem que tem enorme poder sobre aquilo que sabemos e não sabemos do nosso passado em geral e acerca do planalto de Gizé, em particular.

 

 

A academia contemporânea é uma abominação. O que nos salva é que as pessoas estão cada vez mais despertas para a fraude dos peritos e a caixa de comentários do podcast no Youtube é uma maravilha da recensão crítica contemporânea.