Um helicóptero que transportava Vladimir Putin na região de Kursk foi forçado a abater drones, segundo afirmou uma autoridade de Moscovo no domingo passado.

O comandante da defesa aérea, o general Yuri Dashkin, disse à televisão estatal que a aeronave de Putin esteve envolvida numa “batalha de defesa aérea” depois de se ter encontrado no meio de um “ataque sem precedentes de drones ucranianos”.

O incidente terá acontecido na semana passada, quando o líder russo se encontrava numa excursão pela região de Kursk, parte da qual a Ucrânia ocupava anteriormente. Dashkin afirmou numa entrevista à televisão Rossiya-24:

“Durante o período em que o presidente estava a trabalhar na região de Kursk, o inimigo lançou um ataque sem precedentes com veículos aéreos não tripulados. Conduzimos simultaneamente uma batalha de defesa aérea e garantimos a segurança do voo do helicóptero presidencial”.

As forças russas destruíram vários drones ucranianos durante a operação, segundo o general Dashkin.

“A tarefa foi cumprida. O ataque dos drones inimigos foi repelido e todos os alvos aéreos foram atingidos.”

A Ucrânia não respondeu às alegações. A verificar-se, o momento do ataque sugere que as forças ucranianas tinham informações avançadas sobre a visita de Putin à zona de guerra, já que o Kremlin não divulgou publicamente a viagem até Putin abandonar a região.

Em Kursk, Putin encontrou-se com voluntários, líderes municipais e o governador em exercício Alexander Khinshtein, inspeccionando também a construção da central nuclear Kursk-II.

Acredita-se que Putin tenha viajado num helicóptero Mi-17 (na imagem), uma evolução do Mi-8 da era soviética. O Mi-17 tem 82 pés de comprimento e pode transportar até 30 passageiros ou quatro toneladas de carga. Está equipado com sistemas defensivos, incluindo bloqueadores de infravermelhos, ejector de contra-medidas e blindagem em torno de componentes críticos, concebidos para conter mísseis guiados por calor e fogo de armas de pequeno porte.

No entanto, os sistemas de defesa do helicóptero não são normalmente suficientemente potentes contra ataques coordenados de drones, razão pela qual são necessárias escoltas e protecção terrestre para voos arriscados.

As forças ucranianas lançaram uma incursão terrestre significativa em Kursk em Agosto de 2024 e tomaram território antes de a contra-ofensiva russa as repelirem meses depois. Após a chocante incursão, Putin enviou dezenas de milhares de tropas russas, para quebrar o domínio de Kiev no território fronteiriço.

A Ucrânia tem utilizado cada vez mais drones para atingir alvos no interior da Rússia, incluindo refinarias de petróleo, campos de aviação militares e instalações governamentais. A frequência e a escala dos ataques ucranianos em território russo aumentaram significativamente desde os primeiros meses do conflito. Em Maio de 2023, drones ucranianos danificaram o Palácio do Senado do Kremlin. O ataque sem precedentes ao símbolo do Estado russo provocou uma onda de choque muito para além de Moscovo.

O ataque ao helicóptero marca uma das tentativas mais directas de atingir Putin pessoalmente desde o início da guerra.

Ao contrário de Volodymyr Zelensky, o presidente ucraniano, que visita frequentemente a linha da frente, Putin tem evitado as zonas de combate nos últimos três anos.

Neste contexto, que condições há para qualquer tipo de negociações de paz entre Moscovo e Kiev, que ainda a semana passada Donald Trump prometia disparatada e entusiasticamente?