A agência de notação Moody’s desvalorizou a dívida dos Estados Unidos, retirando o país da sua classificação de elite “Aaa” para ‘Aa1’, que a agência considera ser de “grau elevado”. Segundo a Moody’s, a decisão, que foi anunciada na sexta-feira, 16 de Maio, às 16h45 – muito depois do fecho dos mercados – baseou-se no aumento dos défices americanos e nos custos crescentes dos juros.
Num comunicado que explica a decisão de baixar a classificação da dívida pública norte-americana, a Moody’s refere:
“As sucessivas administrações norte-americanas e o Congresso não conseguiram chegar a acordo sobre medidas para inverter a tendência de grandes défices orçamentais anuais e de custos de juros crescentes.”
É provável que esta decisão agite ainda mais os mercados de obrigações do Tesouro dos EUA, que registaram uma elevada volatilidade após o anúncio das tarifas do “Dia da Libertação” do Presidente Donald J. Trump.
No entanto, a responsabilidade imediata pela descida da notação cabe quase inteiramente à intransigência da Reserva Federal face aos crescentes apelos para que o banco central baixe as taxas de juro dos EUA. Apesar dos indicadores crescentes de que a inflação diminuiu substancialmente e que o país pode até estar a enfrentar uma ameaça deflacionária muito mais preocupante, o presidente do Fed, Jerome Powell, e o Comité Federal de Mercados Abertos (FOMC) do banco central recusaram-se até agora a cortar as taxas desde sua última redução, que ocorreu pouco antes da eleição presidencial de 2024.
O Índice de Preços ao Produtor (PPI) de Abril, junto com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), mostram sinais significativos de deflação na economia americana, sugerindo baixos níveis de liquidez e colapso da procura do consumidor. No entanto, Powell e o FOMC continuam a insistir que acreditam que as tarifas de Trump – que reduziram o défice em Abril – poderiam reiniciar a inflação, argumento que não é apoiado pelo impacto económico de tarifas anteriores ou pelos dados económicos actuais.
Relacionados
5 Mai 26
O bode expiatório da Casa Branca: Trump impõe novas tarifas à União Europeia.
Donald J. Trump aumentou as tarifas sobre os veículos fabricados na União Europeia (UE), alegando, que o bloco não cumpriu os termos do seu acordo comercial com os EUA, mas sem especificar os termos desse incumprimento.
5 Mai 26
O abismo é aqui: Dívida dos EUA é agora superior ao seu PIB.
A dívida nacional dos EUA atingiu um marco histórico a 31 de Março deste ano, quando ultrapassou o valor total da produção de toda a economia americana. O apocalipse financeiro do governo federal é agora mais que provável.
28 Abr 26
Carga fiscal no Reino Unido vai bater recorde histórico e crescer quatro vezes mais do que a média europeia.
A carga fiscal do Reino Unido deverá subir para 42,1% do PIB até 2030, marcando o aumento mais rápido entre todas as principais economias, de acordo com o Fundo Monetário Internacional.
23 Abr 26
Alienado ou em negação? Trump desvaloriza aumento dos preços dos combustíveis: “Não estão muito altos.”
Libertando ainda mais suspeitas de que vive numa bolha de insanidade ou completamente alienado da realidade, o presidente norte-americano insistiu que os preços dos combustíveis “não estão muito elevados”, apesar de terem subido 50% nos EUA.
22 Abr 26
O estranho caso das refinarias em chamas.
Como se a destruição das explorações petrolíferas e das refinarias no Golfo não fosse suficiente para arrasar com a economia global, dezenas de refinarias e centrais energéticas por todo o mundo estão a ser incendiadas ou danificadas, sem que ninguém saiba explicar porquê.
16 Abr 26
Milagre económico do Regime Epstein: Crescimento do PIB americano no último trimestre de 2025 foi 2,3% abaixo do esperado.
O Departamento de Análise Económica do governo federal americano reviu a sua projecção de crescimento do PIB dos EUA para o último trimestre de 2025 de uns iniciais 2,8% para 0,5%. A economia americana cresceu no ano passado menos de metade do que a economia chinesa.





