Dupond e Dupont no pântano de Washington

 

Os leitores do ContraCultura têm neste momento razão para estarem zangados com esta publicação que meteu claramente os pés pelas mãos quando considerou que a nomeação de Kash Patel para director do FBI e de Dan Bongino para número dois da agência eram acertadas.

Um tremendíssimo dislate, pelo qual apresentamos as nossas mais ajoelhadas desculpas.

Nos dias que correm, recomendar seja quem for que suba a qualquer cargo político antes de esperar para ver como corre a coisa é um exercício arriscadíssimo. Uma vez em funções, mesmo aqueles que parecem íntegros, mesmo aqueles que parecem competentes, mesmo aqueles que parecem decentes, transformam-se rapidamente em nojentos e corruptos guardiões do esgoto.

Adiante.

 

Epstein não foi suicidado. Palavra de honra. A sério. Acreditem em mim porque sim e que Deus me perdoe.

Depois de meses de total inoperância, a liderança recém-nomeada do FBI sob o comando do director Kash Patel e do vice-director Dan Bongino desencadeou uma tempestade de fogo nos círculos populistas, depois de apoiar publicamente a narrativa oficial de que Jeffrey Epstein morreu por suicídio, e ignorando as preocupações mais do que justificadas sobre as tentativas de assassinato do presidente Donald Trump.

Durante uma tensa e circense aparição na programa de Maria Bartiromo na Fox News, os dois “aliados” de Trump, que chegaram onde chegaram por se apresentarem ao público americano como inimigos declarados do ‘Estado Profundo’, repetiram a mesma linha desacreditada dos poderes instituídos em Washington, atirando areia para os olhos de toda a gente que os procura manter bem abertos, num exercício olímpico de desvergonha e total ausência de coluna vertebral.

Durante a entrevista, Bartiromo perguntou a Patel e Bongino sobre o recente testemunho do primeiro no Senado, onde foi interrogado pelo senador John Kennedy (R-LA) sobre a morte de Jeffrey Epstein.

Kennedy perguntou:

“Jeffrey Epstein enforcou-se ou alguém o matou?”

A resposta de Patel foi:

“Senador, acho que ele se enforcou numa cela do Centro de Detenção Metropolitana”.

 

 

Quando Bartiromo desafiou Patel, observando, correctamente, que “as pessoas não acreditam nisso”, Patel encostou-se desajeitadamente à sua experiência como defensor público e procurador.

Maria Bartiromo: Disse que Jeffrey Epstein se suicidou. As pessoas não acreditam nisso.

Kash Patel: Bem, quero dizer, oiça, elas têm direito à sua opinião. Mas como alguém que trabalhou como defensor público, como procurador, que esteve no sistema prisional, que esteve no Centro de Detenção Metropolitano, que esteve em alojamentos segregados – reconhece-se um suicídio quando se vê um. E foi isso que aconteceu.

Dan Bongino: Ele suicidou-se. Mais uma vez, quer que eu… Eu vi o processo todo. Ele suicidou-se.

É impressionante como é que se consegue mentir assim, tão descaradamente, embora Patel pareça claramente mais tranquilo com o seu sicofantismo do que Bongino, que faz lembrar Neil Armstrong, na conferência de imprensa depois de ter chegado da Lua, de tão constrangido e emocionalmente escangalhado:

 

 

A reacção a estas declarações por parte dos populistas norte-americanos foi brutal e basta consultar os comentários do vídeo em cima no X para perceber a revolta. Alex Jones expressou a sua desconfiança em relação a estas alegações de Patel e Bongino, rotulando-as como uma “treta”. Vale a pena traduzir o que ele escreveu no X a este propósito:

“No geral, acho que Kash Patel e Dan Bongino estão a fazer um óptimo trabalho, mas esta afirmação de que a morte de Epstein não é um encobrimento, eu chamo-lhe uma treta.

(…)

Em primeiro lugar, Maurene Comey, a filha do ex-director do FBI caído em desgraça James Comey, estava encarregue da investigação do alegado suicídio de Epstein, o que não é um bom começo, e Maurene alegadamente perdeu as cassetes de CCTV da prisão como resultado de um erro técnico.

Depois, para além das “fitas perdidas” através de um “erro técnico”, ambos os guardas – que deveriam estar a vigiar a cela de Epstein, que estava sob vigilância 24 horas por dia por suicídio, o que é um procedimento normal em todas as prisões e por ser um prisioneiro de alto perfil – “adormeceram”.

Há rumores e um vídeo que se pode pesquisar e que afirma que foi utilizado óxido nitroso para adormecer os guardas e que, depois, Epstein foi levado por outro indivíduo. Outros afirmam que os guardas foram pagos para não falarem.

De qualquer forma, para que as cassetes desaparecessem misteriosamente ou fossem apagadas e para que não um, mas DOIS guardas adormecessem concomitantemente, as probabilidades de ambos os acontecimentos ocorrerem ao mesmo tempo no mesmo local são astronómicas.

Sabemos que os Comey são corruptos.James Comey acabou de enviar um apelo para assassinar o nosso presidente em exercício. Porque é que acham que ele faria isso? O que é que Comey, os Clintons e os Obamas têm a esconder? Está a prestar atenção aos recentes posts de Trump? Está a começar a ligar os pontos? Lembrem-se, não há coincidências.”

 

 

 

Alex Jones está aqui a ser simpático com Patel e Bongino, classificando a performance perto do zero absoluto dos dois servos do sistema como “óptima”, mas sobretudo mostra-se deveras leal com Donald Trump. Porque se “Comey, os Clinton e os Obamas” têm alguma coisa a esconder, será apenas justo perguntar se o actual Presidente também tem razões para o encobrimento. E sendo certo que Bongino e Patel têm simpatias sionistas, é pertinente perguntar se as mentiras que desavergonhadamente estão a disseminar têm por motivação esconder o envolvimento da Mossad no esquema de chantagem montado por Epstein e, no contexto específico da morte do infame pedófio e traficante de menores, se os serviços de inteligência israelitas estão envolvidos no pretenso e implausível suicídio.

Epstein estava alojado no Metropolitan Correctional Center (MCC), uma instalação conhecida pelas suas rigorosas medidas de segurança. No entanto, na noite de sua morte, vários protocolos foram inexplicavelmente violados. E para além dos mencionados em cima por Alex Jones:

– Os guardas afectos à unidade de Epstein que “adormeceram” e não efectuaram os controlos obrigatórios durante cerca de três horas falsificaram posteriormente os registos para encobrir a sua negligência.

– O companheiro de cela de Epstein foi transferido na noite anterior à sua morte, deixando-o sozinho, contrariando os procedimentos normais para os reclusos em risco.

– O médico legista da cidade de Nova Iorque concluiu que Epstein morreu por suicídio através de enforcamento. No entanto, o Dr. Michael Baden, um patologista forense de renome contratado pela família de Epstein, observou a autópsia e notou lesões mais consistentes com estrangulamento homicida, incluindo fracturas do osso hioide e da cartilagem da tiroide.

Nenhuma destas inexplicáveis circunstâncias foram explicadas pelos Dupond e Dupont que se apresentaram na Fox News.

 

E quanto à tentativa de assassinato de Donad Trump no comício de Butler? Não há nada para ver aqui.

Igualmente chocantes foram os comentários de Bongino sobre a tentativa de assassinato de Donald Trump no comício de Butler, rejeitando as preocupações com a versão oficial da ocorrência, se é que existe alguma. Depois de Kash Patel ter feito o impossível para desvalorizar as teorias da conspiração que legitimamente circulam a este propósito, Bongino teve o desplante de afirmar o seguinte:

Bongino: Sabe que mais, Maria? Kash não está a brincar. Fomos informados pessoalmente sobre todos os pormenores deste caso. Um deles está activamente em tribunal neste momento, por isso, por respeito ao caso, é provavelmente mais apropriado que eu fique calado sobre isso. No entanto, não vou dizer às pessoas o que elas querem ouvir – vou dizer-vos a verdade. E se gostam ou não, isso depende de vocês. Se houvesse um grande e explosivo “lá” – dada a minha história como agente dos Serviços Secretos e a minha amizade pessoal com o Presidente – dê-me uma razão lógica e sensata para não o termos contado. Se se lembrar de uma… não há. Em alguns destes casos, o “lá” que procura não existe. Eu conheço pessoas… Eu percebo. Eu percebo. Não está lá. Se estivesse lá, nós teríamos dito.

 

 

Esta é uma reviravolta impressionante em relação às denúncias anteriores de Bongino sobre as falhas dos Serviços Secretos. Ainda no ano passado, ele denunciava a cultura de corrupção dessa agência e levantava todo o tipo de conspirações sobre a ocorrência, tanto no seu podcast como até em audiências do Congresso.

Thomas Crooks conseguiu fazer o seguinte a 13 de Julho de 2024:

– Voou com um drone sobre o recinto de feira da Pensilvânia e obteve imagens aéreas da disposição do comício no dia do evento – incluindo duas horas antes de Trump subir ao palco.
– Passou um telémetro pela segurança.
Escapou a agentes da autoridade de várias agências estatais, locais e federais.
– De alguma forma, “trepou” a um telhado com a sua espingarda a 450 pés de distância de Trump, rastejou até ao ponto de observação perfeito enquanto os transeuntes alertavam a polícia e ainda conseguiu disparar 8 tiros contra Trump.
– Estacionou um veículo cheio de explosivos perto do comício de Trump
– Crooks conseguiu andar à volta do local depois de os atiradores furtivos lhe terem tirado uma fotografia com um ar suspeito.
– Um franco-atirador localizado na janela do segundo andar estava a apenas 40 pés de distância de Crooks e não o neutralizou.
– Foi permitido que Trump subisse ao palco depois de Crooks ter sido considerado suspeito pelos Serviços Secretos.
– Crooks tinha contas de mensagens encriptadas em plataformas alemãs, belgas e neo-zelandezas.
– Apesar de não ter sido admitido no clube de tiro do liceu, por ser um péssimo atirador, só errou o alvo porque Trump deslocou a cabeça ligeiramente, acertando-lhe ainda assim na orelha.

Mas para Bongino e Patel, não há agora nada para ver aqui. Temos é que acreditar no que eles dizem porque sim. Mas sobre os estranhos factos listados em cima, nem uma palavra.

É espantoso.

O diabo deve mesmo ser perito em fazer propostas irrecusáveis, para ser assim tão fácil o comércio das almas.

Dave Smith comenta estes e outros segmentos da deprimente entrevista de Maria Bartiromo, denunciando a estratégia falaciosa dos dois responsáveis do FBI, que exigem do público a crença cega naquilo que afirmam, sem esclarecer nenhum dos intrigantes factos que libertam a dúvida sobre essas afirmações.

 

 

Há que mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma.

Quatro meses depois de Donald Trump tomar posse, continuamos sem conhecer a lista de clientes de Jeffrey Epstein. Continuamos sem respostas para a montanha de perguntas que recaem sobre as duas tentativas de assassinato de que foi vítima o actual Presidente americano. Continuamos a saber o mesmo que já sabíamos sobre a morte de JFK. Continuamos sem uma resposta decente sobre o que aconteceu nos céus de New Jersey em Dezembro de 2024. Continuamos à espera que os cientistas e os burocratas e os empresários que cometeram crimes contra a humanidade durante a pandemia sejam levados à justiça. Continuamos na expectativa que o Pentágono cumpra efectivamente uma auditoria às suas contas. Continuamos na expectativa que os comissários que instrumentalizaram o Departamento de Justiça para perseguir o candidato republicano às presidenciais de 2024 sejam processados. Continuamos na expectativa que os crimes de corrupção da família Biden sejam procurados. Continuamos na expectativa que os pides do FBI, que perseguiram cristãos, prenderam jornalistas e intimidaram cidadãos dissidentes, sejam, pelo menos, despedidos. Continuamos na expectativa de que os responsáveis pelo infame processo levantado no Congresso e no Departamento de Justiça contra os manifestantes do 6 de Janeiro sejam julgados pelos seus crimes.

O Departamento de Justiça de Donald Trump, liderado por Pam Bondi, depois de Matt Gaetz ter servido de isco para consumo dos populistas e expiação dos neocons, tem sido uma desilusão imensa.

O FBI de Donald Trump, liderado por Kash Patel e Dan Bongino, homens em que eram depositadas legítimas expectativas de decência, integridade e eficiência, tem sido uma decepção de dimensões ciclópicas.

E, assim, não é apenas na política externa que a actual Casa Branca tem falhado rotundamente. A nível interno há todo um gordo dossier de fiascos.