A agência de espionagem doméstica alemã suspendeu os métodos de vigilância autoritária sobre o partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD), e a pressão da administração Trump pode ter desempenhado um papel significativo no processo.
O Gabinete Federal Alemão para a Protecção da Constituição (BfV), a poderosa agência de espionagem interna do país, tinha rotulado o AfD como uma “organização de extrema-direita confirmada”, abrindo caminho para a interdição do partido populista, antes de suspender essa designação na semana passada. A principal razão apresentada para essa retirada foi o facto de o AfD estar a recorrer da designação em tribunal e de a agência ter decidido esperar pela conclusão desse recurso para decidir se mantém a sua conclusão oficial.
No entanto, vozes importantes nos Estados Unidos, que são um importante aliado da Alemanha, criticaram imediatamente a designação numa linguagem lapidar, com o Secretário de Estado Marco Rubio a chamar-lhe “tirania disfarçada” e o senador norte-americano Tom Cotton, presidente do poderoso Comité de Inteligência do Senado dos EUA, a solicitar à directora da Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard (DNI), que suspendesse a cooperação entre os Estados Unidos e a Alemanha em matéria de inteligência.
De acordo com Cotton, as actividades de vigilância politicamente motivadas das autoridades alemãs assemelham-se a métodos utilizados por ditaduras, que são impróprios de um aliado democrático. A este propósito Cotton declarou:
“Em vez de tentar enfraquecer o AfD utilizando as ferramentas dos Estados autoritários, o novo governo alemão poderia ser melhor aconselhado a considerar por que razão o AfD continua a ganhar terreno eleitoral.”
I asked @DNIGabbard to ensure that no American intelligence agencies cooperate with German authorities involved in surveiling domestic political opponents.
These police state tactics are more suited for Russia or Communist China, not Western Europe’s largest country.…
— Tom Cotton (@SenTomCotton) May 7, 2025
A posição da administração Trump e de Tom Cotton sobre esta matéria espoletou uma ruptura drástica entre os dois aliados e até mesmo uma ameaça à segurança nacional da Alemanha, o que aumentou a parada na acção autoritária do estabelecimento globalista para sufocar a oposição política. Actualmente, o AfD é o maior partido da oposição no país e, pela primeira vez, ficou em primeiro lugar nas sondagens do mês passado.
Alice Weidel, co-presidente do AfD, disse que a pressão americana estava por trás da retirada do rótulo de designação do AfD pelo BfV. Joachim Steinhöfel, um advogado que defende a liberdade de expressão, disse à NIUS que a acção do BfV é “uma rendição completa dos serviços secretos alemães”. Steinhöfel sublinhou ainda que a influência dos EUA é vital, mostrando-se grato por esse exercício de influência:
“Também temos de agradecer aos americanos por exercerem uma enorme pressão.”
A Alemanha recorre frequentemente a parceiros externos para espiar os seus próprios cidadãos, uma vez que tem leis de privacidade muito rigorosas. Pensa-se que a NSA é especialmente activa na vigilância dos alemães. Por conseguinte, qualquer retirada dos EUA do fluxo de partilha de informações poderia ser desastrosa para o estabelecimento Alemão e o seu braço armado: os serviços secretos.
A retirada temporária da designação foi muito bem recebida pelo AfD, uma vez que dá espaço ao partido para respirar. Por um lado, uma votação sobre a proibição do partido tem poucas hipóteses de avançar sem essa designação. Por outro, o BfV já não tem os meios legais para vigiar todo o partido e os seus membros sem um mandado, incluindo a leitura de e-mails e chats, bem como inundá-lo com informadores.
Assim sendo, os serviços secretos alemães estão a ser forçados a repensar a sua política de vigilância, à medida que as divisões políticas aumentam. No entanto, se o tribunal de recurso concordar com o BfV e considerar que o AfD pode ser classificado como extremista de direita, a interdição pode voltar a colocar-se. Não se sabe ao certo quanto tempo demorará este processo de recurso, se meses ou mesmo anos; no entanto, o coro crescente da esquerda alemã, bem como da União Democrata-Cristã (CDU), para banir o AfD continua intenso.
Se isso acontecer, as tensões entre os EUA e a Alemanha poderão atingir novos patamares de desagravo.
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