Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam!

Anuncio uma grande alegria: temos um Papa.

A Igreja de Cristo é dona de uma realidade exclusiva: a tristeza da orfandade é, em poucos dias, superada pela alegria da sucessão paternal. Um sinal de permanência em um mundo onde nada parece permanecer. Um sinal sólido de uma promessa de Nosso Senhor: Non praevalebunt! Como nosso já amado Papa Leão XIV ecoou: o mal não prevalecerá.

Choramos há poucos dias e hoje sorrimos. Gaudium magnum.

Se o mundo põe nossa fé em dúvida, e se os males temporais nos amedrontam e causam incerteza, instabilidade, a rocha firme de Cristo, seu Vigário na Terra, hoje nos exorta: não tenham medo, estamos todos nas mãos de Deus.

O mundo inteiro olha para Roma, para uma chaminé e uma gaivota. Olhamos também nós para Roma, e lembramos que ali perto mesmo estava o famoso Circo de Nero, imperador de Roma, com todas as suas atrocidades. E hoje olhamos para o mesmo lugar e nos perguntamos: onde está o Imperador Romano? Onde está o sucessor de César? Onde está o sucessor de Nero?

Pois o sucessor de Pedro está bem ali. Com o mundo inteiro a observá-lo. Todos os impérios ruíram. A Igreja, o Império de Cristo, permanece.

E eis que, entre tantos nomes possíveis, ele escolhe ser chamado Leão. Leão XIV. Um nome que carrega memória, autoridade e, acima de tudo, um pressentimento. O último pontífice com esse nome, Leão XIII, foi aquele que, segundo a tradição, ouviu com espanto uma terrível conversa entre o Senhor e Satanás. Ali, o Papa do Rosário compôs a oração a São Miguel Arcanjo, aquela súplica que muitos de nós repetimos, sem saber que talvez hoje, mais do que nunca, ela retorne como escudo e espada da Igreja.

Agora, não por acaso, o novo sucessor de Pedro é eleito exatamente no dia da aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano — 8 de maio. Um sinal celeste que não poderia ser ignorado. Miguel, o príncipe das milícias celestiais, é aquele que combate as forças das trevas, que sustenta os anjos fiéis e que expulsa os espíritos rebeldes. Em tempos de confusão, tibieza e sombras dentro e fora da Igreja, surge um Papa cujo nome remete à coragem do rugido e cuja eleição se reveste do manto de Miguel.

Coincidência? Para o mundo, talvez. Para nós, é Providência.

É como se Leão XIV tivesse se deixado batizar, não só por uma escolha pessoal, mas por um chamado inscrito no tempo e confirmado pelos céus. Um Papa de combate, sim, mas de combate espiritual. Não para causar divisão, mas para recordar, como o Cristo no templo, que há uma hora de erguer a voz com mansidão firme, e há uma hora de empunhar o látego contra os mercadores da fé.

A escolha do nome e a data de sua eleição nos fazem recordar: a Igreja caminha sob vigilância do céu. Leão XIII escutou, rezou e compôs. Leão XIV, talvez, será o que luta, orienta e protege. Com Miguel ao seu lado, e com Pedro sob seus pés.

Neste novo tempo, com novo pai, renovamos também nossa esperança. Porque a barca de Pedro segue, não pelo mérito dos homens, mas pela fidelidade de Deus. E o nome escolhido por este pontífice, em um dia tão carregado de memória espiritual, nos permite vislumbrar que, mesmo nas horas mais densas da noite, o céu ainda fala. E fala alto.

Non praevalebunt. O mal não prevalecerá.

Porque Miguel combate, Pedro conduz e Cristo reina per omnia saecula saeculorum.

 

 

PAULO H. SANTOS
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Paulo H. Santos é professor de filosofia, bacharel em Filosofia (UCP- Brasil), escritor, católico e colunista desde 2020. Escreve em português do Brasil.
As opiniões do autor não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.