O ContraCultura tem o prazer de anunciar que o Embaixador Francisco Henriques da Silva vai acrescentar à sua obra publicada um novo trabalho editorial: “Guerras Culturais e Ameaças Woke”, da Âncora Editora.

Francisco Henriques da Silva é licenciado em História, e teve uma ilustre carreira diplomática, tendo sido cônsul nos EUA, Director-geral de Assuntos Multilaterais no MNE e embaixador na Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Índia, México e Hungria. É cronista e ensaísta regular do ContraCultura.

De entre a sua obra publicada destacamos os dois volumes de “Memórias Diplomaticamente (In)Correctas”, publicados em 2020 e 2022 (Âncora), “Crónicas dos (des)feitos da Guiné” (Almedina 2012) e “Guerra na Bolanha” (Âncora, 2015)

Do Press Realese do lançamento de “Guerras Culturais e Ameaças Woke”:

Assistimos a  conflitos militares ininterruptos, brutais, preocupantes, na Ucrânia, no Médio Oriente e noutros lugares, com o seu cortejo de vítimas, de destruição  e desesperança, sem quaisquer soluções à vista. Concomitantemente, somos também confrontados com guerras culturais e estas afectam-nos a alma, o essencial da nossa Cultura, o âmago da nossa Civilização.

Num Ocidente em declínio, permitimos, absurda e indulgentemente, o advento e a evolução galopante de uma esquerda radical woke adversa aos nossos valores, princípios e referências, a tudo o que herdámos da Grécia, Roma e Jerusalém e ao que construímos, laboriosa e consistentemente, ao longo do tempo; não só a Ciência e a Tecnologia, mas, muito mais do que isso, as nossas Cultura, Civilização, Identidade e sentido de pertença. Essa esquerda pseudo-progressista é incentivada pelo hiperliberalismo prevalecente e omnipresente. Faz-se tábua rasa do passado, reescreve-se a História, condescende-se com o relativismo, força-se a adopção de uma orwelliana novilíngua, introduz-se a correcção política, a ideologia de género e a cultura de cancelamento, usa-se e abusa-se dos “ismos” (anti-racismo, feminismo, LGBTismo, etc.), sexualiza-se as crianças, impõe-se o pensamento único.

Permito-me realçar que o  wokismo é uma ideologia política inflexível e punitiva. Ao contrário do cristianismo, que admite o pecado original mas oferece a redenção pelo baptismo, o wokismo imputa pecados originais sem garantir qualquer ensejo de absolvição. Ser homem, branco ou heterossexual é tratado como uma mácula permanente e indelével, segundo a sua doutrina que, no fundo, tem laivos de uma autêntica religião (sem Deus, obviamente).

Essa visão gerou um grande descontentamento nas maiorias, exaustas de culpas impostas, e radicalizou minorias, que veem a culpa e a vergonha como insuficientes para as suas reivindicações. Essa tensão ameaça desestabilizar o sistema.

Em síntese – e este é o problema político de fundo – o centro-direita timorato mostrou-se incapaz de enfrentar este desafio político-cultural, rendeu se ao globalismo e não desafiou a hegemonia cultural da esquerda.

Ao mudar-se a matriz cultural, implanta-se um truculento – e suicidário – regime totalitário. Tem de se pôr cobro, de uma vez por todas, a esta insanidade, terminando com o jacobinismo wokista e dando início ao Termidor.

O pêndulo pode, porém, mau grado todos os nosso esforços, movimentar-se no sentido oposto e nada nos diz que as conquistas wokistas, nalguns casos fortemente implantadas, posam ser revertidas. Não existe, nem é por ora detectável, qualquer ponto de equilíbrio.

O optimismo não é a palavra de ordem.

O ContraCultura convida os seus leitores a estarem presentes no lançamento da obra, que será realizado na Sociedade de Geografia de Lisboa, no dia 21 de Maio, pelas 17H30. Basta para isso que tenham este artigo acessível no telemóvel.