O Projecto Daedalus consistiu num estudo conduzido entre 1973 e 1978 pela Sociedade Interplanetária Britânica com o intuito de projectar uma nave interestelar com tecnologia da época ou disponível até ao fim do século XX, capaz de alcançar o seu destino no período de uma geração humana. O objetivo seria alcançar a Estrela de Barnard, a cerca de 5.9 anos-luz, no espaço de 50 anos. Seria uma missão científica não tripulada e deveria ter a flexibilidade de explorar também outras estrelas num determinado raio de ação. Cerca de uma dúzia de cientistas e engenheiros liderados por Alan Bond trabalharam no programa que tinha como conceito de propulsão um foguete de fusão nuclear.
Nos cinco anos dedicados ao projecto, uma equipa de 13 designers e dezenas de consultores científicos investiu aproximadamente 100.000 horas de trabalho.

O potencial da fusão nuclear como um mecanismo de propulsão que permitiria o voo interestelar tinha sido reconhecido desde a primeira metade do século XX. A ideia foi proposta inicialmente em 1947, por Stanislaw Ulam, um astrofísico de Los Alamos. No seguimento das propostas de Ulam, Ted Taylor iniciou o projecto Orion em 1958. Pouco mais de uma década mais tarde, Alan Bond acreditava que era o momento certo para investigar a viabilidade da fusão para uma missão interestelar. Depois de discutir intensamente a ideia com outros membros da Sociedade Interplanetária Britânica e alocar as verbas necessárias, avançou com a ideia.
O coração do Daedalus era constituído pelo propulsor de fusão nuclear, no qual pequenas ampolas de combustível seriam injectadas a alta velocidade numa câmara de reacção e inflamadas por feixes de electrões de alta energia. Conceptualmente, a ideia não é muito diferente de um motor de combustão interna de injecção electrónica convencional, em que pequenas gotas de gasolina são injectadas numa câmara de combustão e inflamadas.

Os produtos resultantes da fusão na câmara de reacção seriam canalizados axialmente para a retaguarda do veículo principal por um número de bobinas de campo, que actuavam como um catalisador magnético. Este material ejectado seria responsável pelo impulso geral do veículo.
A Daedalus seria construída em órbita e teria uma massa inicial de 54 mil toneladas. Foi projectada para ser uma nave de dois estágios, com a primeira fase transportando 46 mil toneladas de combustível e a segunda fase transportando 4 mil toneladas. Após uma fase de impulso total de quase quatro anos, o engenho iria alcançar a velocidade máxima de 12,2% da velocidade da luz para atingir o seu objectivo meio século depois.
Desenhada como uma sonda não tripulada, a Daedalus iria permanecer no sistema solar de Barnard durante um período de tempo relativamente curto (cerca de dois dias, o suficiente para atravessar todo sistema), durante o qual iria reunir dados científicos importantes.

Uma das características notáveis do projeto Daedalus foi o uso de Hélio 3 em cápsulas de combustível. O Hélio 3 é um dos combustíveis mais difíceis de inflamar, já que exige uma temperatura de ignição superior, quando comparado a outros combustíveis de fusão. No entanto, a energia que liberta atinge os mais elevados índices entre os diversos combustíveis de fusão, proporcionando assim um maior impulso. As cápsulas seriam detonadas à cadência de 250 por segundo e o plasma resultante seria direcionado por um bocal magnético. Decorrente da escassez de Hélio 3 na Terra, este teria que ser extraído de Júpiter por sondas robotizadas que flutuariam sobre a sua atmosfera num grande balão de ar quente. A extracção de Hélio 3 da atmosfera jupiteriana demoraria vinte anos. Hoje sabemos que este composto também pode ser extraído da Lua, onde é abundante.
O segundo estágio da nave carregaria dois telescópios ópticos de cinco metros de diâmetro e dois radiotelescópios de vinte metros de diâmetro cada. Aproximadamente 25 anos depois da partida os telescópios começariam a examinar os arredores da estrela de Barnard para descobrir prováveis planetas. As informações recolhidas nesta primeira fase seriam transmitidas à Terra pela cúpula de quarenta metros do exaustor, e depois de analisadas definiriam os alvos da pesquisa. Como a nave não desaceleraria ao aproximar-se do sistema de Barnard, teria que lançar dezoito mini sondas com motores iónicos movidos pela energia eléctrica gerada nos reactores nucleares. Estas sondas teriam câmaras, espectrómetros e outros equipamentos para análise, e passariam pelos seus alvos ainda a 12% da velocidade da luz, transmitindo os dados colectados à nave mãe, que só então os retransmitiria para a base na Terra.

O compartimento de carga da Daedalus transportaria as mini sondas, telescópios, e outros equipamentos de comunicação e pesquisa protegidos por um disco de berílio com sete milímetros de espessura e pesando cerca de cinquenta toneladas. Para evitar colisões com pequenos corpos celestes, pequenas sondas-insecto emitiriam uma nuvem de partículas que permaneceriam duzentos quilómetros à frente do veículo principal. Em caso de falhas ou mau funcionamento, a nave também contava com robôs autónomos, “os conservadores”, capazes de reparar pequenos danos ou disfunções do sistema.
O Projeto Daedalus foi o primeiro estudo credível sobre a viabilidade de uma missão interestelar, demonstrando que as viagens a sistemas solares distantes poderiam ser realizadas num espaço de tempo relativamente curto, embora implicassem recursos técnicos e financeiros desmesurados.
Especificações técnicas:
Comprimento total: 190 metros
Massa propulsora para o primeiro estágio: 46.000 toneladas
Massa propulsora para o segundo estágio: 4.000 toneladas
Massa do primeiro estágio (sem o combustível): 1.690 toneladas
Massa do segundo estágio (sem o combustível): 980 toneladas
Tempo de funcionamento do primeiro estágio: 2,05 anos
Tempo de funcionamento do segundo estágio: 1,76 ano
Impulso do primeiro estágio: 7.540.000 Newtons
Impulso do segundo estágio: 663.000 Newtons
Velocidade de exaustão (plasma) do propulsor: 10 000 000 m/s
Carga útil: 450 toneladas
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Mais Foguetões do Contra:
A conquista da Lua, segundo a assertiva visão de Hergé.
Apolo XI: 15 minutos eternos.
Elogio da Cassini.
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