O Alternativa para a Alemanha (AfD) atingiu uma marca histórica e é agora o partido mais popular no país pela primeira vez, atingindo 26% das preferências do eleitorado. A sondagem, da Forsa, mostra a União Democrata-Cristã (CDU) em segundo lugar, com 25%.
Se o escrutínio se realizasse hoje, os dois partidos que se preparam para entrar no governo, os socialistas do SPD e a CDU, não teriam votos suficientes para uma maioria viável. O SPD tem 15%, o que dá aos dois partidos um total combinado de 40%. A sondagem revelou que o apoio aos Verdes desceu um ponto para 11% e o Partido da Esquerda também desceu um ponto para 9%.
BREAKING: 🇩🇪The AfD party is now the most popular party in Germany for the first time ever, soaring to 26%.
The main German parties are working to ban the AfD, and a vote on a ban is expected in the coming months in the new Bundestag.
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— Remix News & Views (@RMXnews) April 22, 2025
A notícia chega numa altura em que a esquerda está a forçar um voto de proibição do AfD no parlamento alemão, o Bundestag. No entanto, apesar dos relatos iniciais de que a CDU apoiaria essa proibição, o cenário está a tornar-se mais turvo.
Por um lado, há cada vez mais vozes na CDU e no seu partido irmão, a CSU, que apelam a “mais calma” em relação à AfD, incluindo a do influente vice-presidente do grupo parlamentar, Jens Spahn. Spahn afirmou mesmo que o AfD deveria poder liderar algumas das comissões do Bundestag, o que lhe daria mais voz e poder. Dado que foi o segundo partido mais votado durante as eleições alemãs, deveria, tal como todos os outros partidos, ter acesso a estas comissões, mas muitos querem excluí-lo completamente, especialmente das comissões dos serviços secretos.
A questão pode levar a uma grande cisão na coligação entre a CDU e o SPD. Ralf Stegner, deputado do SPD, disse ao Welt que o seu partido não tem “absolutamente nenhum sentido de humor” em relação a qualquer tentativa de facilitar a vida ao AfD.
Qualquer tipo de aproximação representaria um “teste de stress máximo” para o novo governo de coligação, dada a advertência de Stegner:
“Quem quiser formar uma coligação com o SPD não pode juntar forças com radicais de direita. E juntar forças significa também votar nos inimigos da democracia.”
O deputado, conhecido pelas suas posições radicais, e não por ser amigo da democracia, tem defendido a proibição do AfD caso o Departamento Federal de Protecção da Constituição (BfV) classificar o partido como “extremista de direita confirmado”:
“Se o Departamento Federal de Proteção da Constituição actualizar a sua classificação, então também temos o dever de trabalhar para iniciar uma proibição do partido.”
No entanto, a CDU está a rejeitar uma abordagem “automática” para proibir o AfD. Günter Krings, porta-voz de política jurídica do grupo parlamentar CDU-CSU, afirmou:
“A obrigação de iniciar um processo de proibição a partir de uma actualização do Gabinete Federal para a Protecção da Constituição ignora claramente a situação legal. A melhor receita contra a AfD são os sucessos concretos do novo governo federal, especialmente em matéria de migração, segurança e economia. [A interdição] só faria com que o AfD esfregasse as mãos e a usasse como apoio gratuito para o seu mito de vítima”.
Entretanto, o AfD está a criticar cerradamente os apelos a uma proibição. Alice Weidel, a co-líder do partido, afirmou a este propósito:
“O novo pedido de proibição da AfD é completamente infundado e seria completamente inútil. Em vez de se envolver em fantasias absurdas e antidemocráticas de proibição, Stegner devia pensar na razão pela qual o seu partido tem vindo a perder eleitores em massa há anos”.
Sahra Wagenknecht, líder do partido de esquerda BSW, manifestou-se também contra a interdição:
“Primeiro, uma fraude eleitoral gigantesca e, depois, o debate sobre a proibição: será possível ser mais estúpido? O facto de tais propostas virem agora do autoproclamado ‘centro democrático’, entre todos os lugares, é vergonhoso e vai fortalecer ainda mais a AfD”.
Wagenknecht chegou mesmo a dizer que se trata de uma medida puramente autocrática:
“Sem dúvida, numa autocracia, o ‘problema’ seria resolvido exactamente da mesma maneira”.
Até no SPD há debate sobre a proibição. O Ministro Presidente do SPD da Saxónia, Stephan Weil, advertiu que um processo de proibição pode acabar por ser “um banquete para o AfD”.
Seja como for, a intenção latente nos corredores do poder de interditar o partido mais popular da Alemanha é só por si eloquente sobre o estado da democracia no país.
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