O Bundeswehr anunciou que um destacamento militar alemão será em breve colocado na Lituânia para reforçar as defesas orientais da NATO, marcando uma mudança significativa na estratégia militar da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. A unidade, que deverá estar totalmente operacional em 2027, representa o primeiro destacamento permanente de tropas alemãs no estrangeiro desde a guerra, quando a Lituânia fazia parte da União Soviética.
O brigadeiro-general Christoph Huber, que vai comandar a brigada alemã na Lituânia, sublinhou assim os objectivos essenciais da sua missão:
“Temos de garantir a protecção, a liberdade e a segurança dos nossos aliados lituanos aqui no flanco oriental da NATO”.
O destacamento faz parte de uma estratégia mais vasta da NATO para assegurar uma presença militar robusta na Europa Oriental. O objectivo é dissuadir potenciais – ou imaginárias – ameaças, demonstrando o empenhamento da aliança na segurança dos seus Estados membros próximos da Rússia.
A Alemanha moderna tem participado em algumas missões militares no estrangeiro, incluindo o seu envolvimento no Afeganistão, mas estas operações não têm sido permanentes. O estacionamento permanente de tropas na Lituânia reflecte o histerismo russofóbico das elites políticas europeias e a consequente evolução do panorama de segurança, com maior ênfase na fortificação das posições da NATO ao longo das suas fronteiras orientais.
É também uma vitória diplomática para o Presidente Donald J. Trump, que há muito pressiona a Alemanha, enquanto potência económica da Europa, a fazer valer o seu peso em matéria de defesa, uma vez que, até agora, não cumpriu os objectivos de despesa da NATO e enriqueceu a Rússia através de uma série de acordos energéticos.
No entanto, o destacamento será provavelmente visto como uma provocação pelo Kremlin, que considera a invasão alemã durante a Segunda Guerra Mundial – ou Grande Guerra Patriótica – como um acontecimento determinante. É quase certo que o Kremlin citará o regresso dos soldados alemães às fronteiras da Rússia como prova de que a sua postura hostil em relação à NATO e o seu envolvimento com a Ucrânia são justificados.
Serviço Militar obrigatório no horizonte.
A Alemanha está também a considerar a possibilidade de reintroduzir o serviço militar obrigatório. Carsten Breuer, Chefe da Defesa Alemã, indicou que a reintrodução da conscrição poderá ser essencial para recrutar mais 100.000 soldados.
Breuer sublinhou a necessidade de um modelo de serviço obrigatório para atingir os objectivos de recrutamento necessários à segurança nacional, salientando que o aumento das tropas sem a implementação de uma forma de recrutamento compulsivo parece improvável.
“Não vamos conseguir esses 100.000 soldados adicionais sem ter um ou outro modelo de conscrição”.
Salientando a urgência, Breuer alertou para o facto de as forças russas poderem potencialmente ameaçar os territórios da NATO dentro de quatro anos. Este cenário levou as autoridades de defesa alemãs a propor um reforço militar substancial como medida de dissuasão.
“Somos ameaçados por Putin e temos de fazer tudo o que for necessário para dissuadir e, ao construirmos uma linha de defesa forte, estamos fazê-lo melhor”.
Nos últimos meses, o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, já apresentou planos para aumentar as forças armadas nacionais em 50.000 efectivos, elevando o total para 230.000. Em Maio do ano passado, Pistorius declarou que já estava a ponderar a ideia de introduzir a conscrição para jovens de 18 anos na Alemanha, para ajudar a aumentar o número de tropas.
A Alemanha tem um precedente histórico para o alistamento militar, tendo aplicado o serviço militar obrigatório para os homens até 2011, quando a política foi arquivada.
O próximo chanceler alemão, Friedrich Merz, deixou claro que apoia maioritariamente a Ucrânia no seu conflito com a Rússia e prometeu um aumento massivo das despesas com a defesa.
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