O Presidente Donald Trump falou ontem com o Presidente russo Vladimir Putin, durante pelo menos 90 minutos, sobre o fim da guerra na Ucrânia, segundo revelou a Casa Branca, referindo que os dois líderes concordaram que “as negociações vão começar imediatamente”.
Os dois líderes também concordaram com um cessar-fogo sobre infra-estruturas energéticas, de acordo com o que disseram ambas as partes. Trump descreveu a chamada como “muito boa e produtiva” no Truth Social, acrescentando:
“Muitos elementos de um Contrato de Paz foram discutidos, incluindo o facto de milhares de soldados estarem a ser mortos, e tanto o Presidente Putin como o Presidente Zelenskyy gostariam de ver isso acabar. Esse processo está agora em pleno vigor e efeito, e esperamos que, para o bem da Humanidade, consigamos concluir o trabalho!”
Num comunicado emitido pela Casa Branca após a chamada telefónica, lemos:
“Hoje, o presidente Trump e o presidente Putin falaram sobre a necessidade de paz e de um cessar-fogo na guerra da Ucrânia. Ambos os líderes concordaram que este conflito precisa de terminar com uma paz duradoura. Também sublinharam a necessidade de melhorar as relações bilaterais entre os Estados Unidos e a Rússia. O sangue e o tesouro que tanto a Ucrânia como a Rússia têm gasto nesta guerra seriam mais bem empregues nas necessidades dos seus povos.”
O Contra suspeita que a este propósito Vladimir Putin também possa ter dito a Trump que “o sangue e o tesouro que os EUA têm gasto nas sucessivas guerras que criaram no mundo seriam mais bem empregues nas necessidades do seu povo”, mas especulamos, claro. O comunicado continua nestes termos:
“Este conflito nunca deveria ter começado e deveria ter terminado há muito tempo com esforços de paz sinceros e de boa fé. Os líderes concordaram que o movimento para a paz começará com um cessar-fogo sobre as infra-estruturas energéticas, bem como com negociações técnicas sobre a implementação de um cessar-fogo marítimo no Mar Negro, um cessar-fogo total e uma paz permanente. Estas negociações começarão imediatamente no Médio Oriente. Os líderes falaram amplamente sobre o Médio Oriente como uma região de potencial cooperação para evitar conflitos futuros. Discutiram ainda a necessidade de pôr termo à proliferação de armas estratégicas e irão colaborar com outras entidades para garantir a sua aplicação mais alargada possível. Os dois dirigentes partilham a opinião de que o Irão nunca deverá estar em posição de destruir Israel. Os dois líderes concordaram que um futuro com uma relação bilateral melhorada entre os Estados Unidos e a Rússia tem enormes vantagens. Isso inclui enormes negócios económicos e estabilidade geopolítica quando a paz for alcançada.”
Durante o telefonema, Putin disse que a cessação total da ajuda militar à Ucrânia era uma condição fundamental para pôr fim à guerra, segundo informou a agência de notícias estatal russa TASS, citando o Kremlin.
Putin apoiou a ideia de Trump de uma pausa mútua de 30 dias nos ataques às infra-estruturas energéticas e deu essa ordem aos seus militares, segundo a TASS. A Rússia também irá devolver 23 soldados ucranianos gravemente feridos a Kiev como gesto de boa vontade.
Trump disse ontem à noite que “muitos elementos de um acordo final” para acabar com a guerra na Ucrânia “foram acordados, mas ainda falta muito”.
Sim, falta muito. Falta cessar o apoio militar americano a Kiev, comprometer a NATO e a CIA a nunca mais pensarem em fazer da Ucrânia um inferno neo-liberal, dar à Rússia o que é da Rússia (o Donbass), terminar o regime Zelensky, impedir que os líderes ensandecidos da Europa coloquem tropas na Ucrânia e levantar todas as sanções económicas impostas a Moscovo. É muito, sim. Mas é simples, também.
O mais complicado, afinal, será convencer o mundo de que Donald Trump é instrumental para que tudo isto possa acontecer. Na verdade, haverá que elogiar o Presidente norte-americano caso consiga abreviar a concretização dos objectivos militares russos, porque a circunstância, a plasmar-se, poupará dezenas ou centenas de milhar de vidas humanas. Mas para além disso, com Donald Trump ou sem Donald Trump, com mais ou menos sangue, com mais ou menos anos de guerra e destruição, todos os outros objectivos seriam atingidos pelos russos, sem necessitarem do beneplácito e da intermediação seja de quem for.
A Ucrânia e a Europa e até a América tinham esta guerra perdida desde o momento em que ela começou.
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