
No domingo, os eleitores alemães foram às urnas para as eleições mais aguardadas deste ano na Europa. Mas mais não fizeram que substituir um partido do estabelecimento globalista por outro, embora os populistas do AfD tenham registado um resultado histórico.
Tal como noutros países europeus, as forças nacionalistas e dissidentes alemãs registaram um enorme aumento de popularidade nos últimos meses, com o partido populista de direita AfD a conquistar o segundo lugar com mais de 20% dos votos. Os eleitores do AfD sentem que nenhum outro partido está disposto a enfrentar verdadeiramente o maior problema do país, que identificam como um aumento da criminalidade induzido pela migração em massa, preços elevados da energia, desindustrialização devido a políticas climáticas ensandecidas e o declínio da liberdade de expressão e de outras liberdades básicas, à medida que as autoridades reprimem o “discurso de ódio” e a “desinformação”.
Em 150 dos 299 distritos apurados (à hora em que este artigo foi escrito):
A CDU/CSU vence com 28,5%, prevendo-se que obtenha 208 lugares, um dos piores desempenhos das últimas décadas.
O AfD solidifica-se como a segunda maior força no Bundestag, com 20,6%, o que se traduz em 150 lugares – duplicando os seus votos como o rosto da revolta populista da Alemanha contra o estabelecimento corporativo.
O SPD, partido socialista no poder, sofre a maior derrota desde 1880, terminando em terceiro lugar com 16,5% e 121 lugares.
Os Verdes terminam em quarto lugar com 11,8% (86 lugares).
O Die Linke, de extrema-esquerda, duplica a sua quota-parte e sobe para 8,7% (64 lugares).
O FDP, liberal, e o BSW, populista de esquerda, ficam abaixo do limiar parlamentar.
AfD claramente à frente em todos os Estados da Alemanha de Leste.
O AfD posicionou-se como primeiro partido em todos os Estados da Alemanha de Leste. Estes são os números:
Brandenburgo: o AfD obteve 32,5% dos votos, sendo a CDU a segunda força mais forte, com 18,1%.
Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental: após a contagem de 2 dos 6 círculos eleitorais, o AfD está bem à frente da CDU, com 41,4% e 17,6%, respectivamente.
Saxónia: Depois de contados 12 dos 16 círculos eleitorais, o AfD está com 38,8% e a CDU com 19,5%.
Saxónia-Anhalt: Após a contagem de metade dos círculos eleitorais, o AfD obteve 36,9%t e a CDU 19,5%.
Turíngia: Quando falta contar apenas um dos 8 círculos eleitorais, o AfD conta com 37,8% dos votos e a CDU 18,7%.
Confirmando a teoria da conspiração que afirma que a imigração massiva também se destina a alterar velhos equilíbrios ideológicos nas nações do Ocidente, estes resultados têm uma segunda leitura: A CDU ganhou nos estados com mais população imigrante. O AfD nos estados com menos estrangeiros.
German election result map is basically the German migrant population map pic.twitter.com/D35JChefym
— Joe Rogan (@meet_rogan_joe) February 23, 2025
Alguma coisa tem que mudar para que tudo continue na mesma.
Uma coligação governamental entre a CDU, o SPD e os Verdes será o resultado mais provável destas eleições, embora as negociações possam ser dificultadas pelos pontos de vista diferentes em relação à energia, à economia e ao apocalipse climático. A geringonça terá um risco elevado de colapso a dois ou três anos. Basta pensar que a coligação anterior, apenas com partidos liberais e de esquerda, não conseguiu cumprir o mandato na sua integralidade. O SPD e os verdes farão com que a CDU se desloque mais para a esquerda, colocando o centro-direita em desacordo com as expectativas dos eleitores. A CSU (um partido dentro da CDU) também se opõe fortemente aos Verdes, o que contribui para aumentar as tensões internas.
This is incredible. On the left you have the German election results. On the right the “possible coalitions.” Notice how no AfD coalitions are possible—not because the math doesn’t work, but because the German establishment and media have decided that 1 in 5 citizens don’t exist. pic.twitter.com/GHnHsIsT8Z
— Hans Mahncke (@HansMahncke) February 24, 2025
Os líderes da AfD, Alice Weidel e Tino Chrupalla, sugeriram que uma coligação CDU-SPD-Verdes cairá provavelmente muito antes da próxima votação, em 2029, e que, nesse caso, é possível que os populistas acedam ao poder em apenas alguns anos. A menos que a CDU ceda à “vontade do povo, à vontade da Alemanha” – como disse Weidel – e abandone a ‘barreira sanitária’ que impede o partido dito conservador de tentar um governo forte e de direita com a AfD.
To fulfill “the will of the people, the will of Germany:”
Although #Merz ruled out joining the @AfD and insists on keeping the firewall intact, Weidel said she “was ready” to start coalition negotiations whenever CDU is. pic.twitter.com/qcCgOfrOMb
— The European Conservative (@EuroConOfficial) February 23, 2025
Europa em silêncio.
Os líderes europeus mantiveram um silêncio notável após a vitória do líder da CDU, Friedrich Merz. Embora a sua vitória tenha sido um momento importante para o partido que lidera, é um dos desempenhos mais fracos da CDU em décadas.
O silêncio da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que normalmente se apressa a felicitar os aliados vitoriosos, é ensurdecedor, levando muitos a interrogarem-se se a fraca prestação terá implicações mais vastas tanto para a CDU como para a política europeia no seu conjunto.
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