O ex-primeiro-ministro Tony Blair quer que o seu sucessor como primeiro-ministro britânico e líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, imponha um regime de identificação digital, em parte para “expulsar” os populistas anti-migração em massa.
Ele explica o seu retorcido exercício orweliano nestes termos:
“O que os populistas fazem é pegar numa queixa real e explorá-la, mas muitas vezes não querem encontrar uma solução, porque as soluções são muito mais difíceis do que falar de problemas. A queixa sobre a imigração seria a de que a situação está fora de controlo. No caso da criminalidade, a queixa seria que não estamos a fazer o suficiente. Por isso, dizemos: ‘Muito bem, vamos fazer o seguinte’. E depois há uma grande luta política. O populista é forçado a escolher. Tem de criar uma agenda à qual o outro lado tem de responder”.
Acontece que os populistas oferecem recorrente e repetidamente soluções para o fluxo migratório insano na Grã-Bretanha – por exemplo, limitar simplesmente os vistos emitidos em função da realidade estatística do mercado de trabalho – mas, numa entrevista ao The Times, Blair deu a entender que essas propostas não existem e que a identificação digital pode preencher a lacuna. O arquitecto da Guerra do Iraque revelou estar em contacto regular com o primeiro-ministro Starmer e com o seu gabinete, na prossecução desse sistema:
“Estamos a criar os blocos de construção para essa ideia, o que é bom. Mas devemos abraçá-la totalmente e implementá-la o mais rapidamente possível, porque terá um conjunto imediato de benefícios. Haverá um grande debate a seguir – e este é o argumento político que as pessoas devem ter – que é: quanta privacidade estás preparado para trocar por eficiência? A minha opinião é que as pessoas estão efectivamente dispostas a trocar bastante. Penso que se trata de um debate político que o governo vai ganhar. Também vai afastar muitas pessoas que querem falar de questões como a imigração ou a fraude nas prestações sociais, mas que não querem os meios para chegar ao fim”.
Bom, o Contra fala certamente por muitos dos seus leitores: não estamos dispostos a sacrificar coisa nenhuma da nossa privacidade por uma definição vaga de “eficiência” do sr. Blair, um homem que governou o Reino Unido durante uma década, de 1997 a 2007, só para ser considerado “o pior britânico vivo” pelos seus concidadãos.
Enquanto primeiro-ministro, Blair tentou impor cartões de identificação analógicos à população, mas enfrentou uma enorme resistência, uma vez que o público britânico da altura não estava disposto a aceitar uma cultura de vigilância estatal, alegadamente em nome da segurança nacional.
Até porque a primeira ameaça à segurança de um cidadão britânico, nos tempos que correm, é o governo britânico.
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