Afectando os direitos de cerca de 5,5 milhões de pessoas, o governo de Keir Starmer – que criticou o “desprezo pela democracia” da anterior administração conservadora no seu manifesto eleitoral – acaba de “adiar” muitas das eleições locais deste ano.
Segundo o governo, o adiamento de um ano das eleições permite a realização de grandes reorganizações em nove autarquias locais. Mas este raciocínio não parece estar a convencer os eleitores.
Em vez disso, o partido de Nigel Farage, Reform UK, que acaba de liderar a sua primeira sondagem nacional, salientou o facto de parecer estar particularmente bem posicionado em algumas (se não em todas) destas eleições autárquicas e descreveu as acções de Starmer como ditatoriais.
Dictators cancel elections.
Demand the right to vote in May.
➡️ https://t.co/yikGOfThri pic.twitter.com/Ahd5DTsKYW
— Nigel Farage MP (@Nigel_Farage) February 5, 2025
De tal forma que os jornais britânicos sugeriram que a anulação dos actos eleitorais constituem um “golpe” para o Reform UK. No entanto, podem resultar numa maior afluência às urnas nestas zonas quando as eleições se realizarem, num voto de protesto contra o governo em Westminster.
Farage também não deverá ficar perturbado com a oportunidade de afirmar que os trabalhistas estão em pânico – e que aparentemente estão a ler o manual do comissariado de Bruxelas que afirma defender princípios democráticos enquanto procura de todas as formas anular a vontade popular expressa nas urnas e nas sondagens.
No mesmo espírito, o novo e duro discurso da líder dos conservadores, Kemi Badenoch, sobre imigração – depois do seu partido ter passado 14 anos no Governo a permitir o insano afluxo de estrangeiros – foi visto por quase todos os observadores como mais uma tentativa de travar a maré do Reform UK.
As eleições autárquicas estavam marcadas para dentro de poucas semanas. Também de forma autoritária e cínica, característica de Keir Starmer, o imposto municipal vai aumentar pelo menos 5% nos locais onde a votação foi adiada. A estratégia é claramente a de não permitir que os eleitores manifestem o seu protesto nas urnas por este aumento da carga fiscal.
A iniciativa do regime Starmer visa também impedir que o Reform UK aceda a fundos adicionais, recebidos através da obtenção de lugares de vereação e liderança municipal.
Farage acusou os conservadores de serem responsáveis pelos cancelamentos já que, segundo ele, algumas das autarquias do partido apoiaram a iniciativa dos trabalhistas, de forma a evitarem a eleição de potenciais vereadores e autarcas reformistas.
O ministro-sombra dos conservadores, Kevin Hollinrake, tentou distanciar porém o seu partido da directiva de Starmer, descrevendo o adiamento como um “dia preocupante para a democracia”.
O problema é que os “dias preocupantes para a democracia” não são de agora. E líderes ditos conservadores como David Cameron e Boris Johnson muito fizeram para que esse deficit democrático assumisse as proporções grotescas que tem hoje.
Relacionados
16 Mar 26
Serviços de inteligência dos EUA sugerem que regime iraniano “não corre perigo” de colapso.
Uma avaliação das agências de informação norte-americanas sugere que o Irão perdeu dezenas de importantes líderes políticos e militares, mas que o colapso da República Islâmica está longe de acontecer.
16 Mar 26
Tarde piaste: Von der Leyen, que votou a favor da eliminação da energia nuclear na Alemanha, diz agora que foi um “erro estratégico”.
A presidente da Comissão Europeia classificou o retrocesso da energia nuclear na Europa como um "erro estratégico", apesar de ter votado a favor da sua eliminação gradual na Alemanha, quando era deputada.
13 Mar 26
O fim de uma tradição milenar: Governo britânico avança com plano para eliminar a maioria dos julgamentos com júri.
O Governo britânico fez aprovar no parlamento o seu plano para limitar drasticamente o milenar direito a um julgamento por júri. A desgraçada iniciativa visa um reforço do poder despótico das elites sobre as massas mais que um aumento da eficiência do sistema judicial.
12 Mar 26
Investigação norte-americana aponta para provável responsabilidade do Pentágono no ataque à escola iraniana de Minab.
Investigadores militares norte-americanos acreditam que é provável que as forças do Pentágono sejam responsáveis pelo ataque a uma escola feminina iraniana que matou cerca de 160 crianças a 28 de Fevereiro, um dos mais graves crimes de guerra alguma vez cometidos pelos EUA.
11 Mar 26
Confundir, mentir, destruir: A guerra esquizofrénica de Donald J. Trump
O registo da administração Trump sobre a Guerra no Irão tem sido, nos últimos dias, de natureza esquizofrénica. Mas esta é afinal a lógica do Regime Epstein: confundir, iludir, distrair. E no entretanto, destruir.
10 Mar 26
Distopia do Reino Unido: prisões por crimes de liberdade de expressão superam largamente os números da União Soviética.
Estatísticas divulgadas recentemente sugerem que a Grã-Bretanha processa todos os anos muito mais casos relacionados com a liberdade de expressão do que a antiga União Soviética durante um dos seus períodos mais repressivos.






