
A sociedade ocidental europeia é baseada na fé no Deus de Israel, na razão filosófica grega e no saber jurídico romano; estas são as três colunas de nossa sociedade e que vivem, hoje, em estado terminal pela força da insanidade hegeliana da Escola de Frankfurt – tudo destruir, para que do nada restante resultar um novo paradisíaco.
À isso soma-se as aspirações secretas de Karl Marx – divinizar-se, tornar-se o novo Deus em lugar do Jesus Cristo por ele, teoricamente, derrubado – e podemos entender os porquês de, em suas obras, aparecer de forma evidente a mesma estrutura de toda a narrativa bíblica, com o proletariado sendo o povo crente e Marx (suas ideias) o novo Messias, que abriria as portas – através da revolução – ao paraíso na terra.
Colocando à parte as vicissitudes dos últimos 150 anos, o fato é que o tripé básico da sociedade ocidental está ruindo fragorosamente. O Deus de Israel foi contaminado pelo vírus da Teologia da Libertação desde a Alemanha; a filosofia grega sofre diuturna contestação – sejamos claros: negação – pela absoluta maioria dos filósofos atuais, sempre auxiliados e glamorizados pela mídia e cultura de massas; e mesmo os princípios basilares do Direito Romano sucumbem ao ativismo judicial, um fenômeno preocupante que já se espalha pelo mundo.
A grande mídia ocupou, garantida pela preguiça e omissão de pais e mães, o lugar de formadora de valores e conceitos nas crianças e jovens. Igualmente, a tal ponto o comodismo e fobia em pensar transformou jornalistas em sábios e profetas; oráculos reveladores das verdades sobre todos os temas – se um famoso tem ou não um bom caráter ou mesmo se Deus existe e qual é o sentido da vida; tudo o que se diga sobre isso – desde que publicados em jornais, revistas e programas de TV – assim tomamos como a Verdade Revelada.
A resultante é chegarmos ao ponto de, ao menos no Brasil, sequer termos a capacidade de falar. A ignorância deliberada transformou homens pensantes em pitecantropus incapazes, sequer, de expressarem suas necessidades básicas.
Nenhuma de nossas instituições funciona, estamos sempre aquém de uma justa remuneração, vivemos em aglomerados sujos e feios e tudo o que nos retrata foca apenas na luxúria, diversão ou crime que compensa.
O Brasil já alcançou o preconizado pela Escola de Frankfurt, tudo foi devidamente destruído. Trata-se agora de saber se o velho continente – a Europa – deixou-se contaminar por tal pestilência e em qual nível, pois é nítida a má vontade dos líderes deste bloco (União Europeia) para com os propósitos ressuscitadores de Donald Trump.
Por óbvio o Presidente norte-americano foca seus esforços em seu país, mas o que poucos se dão conta é a onda avassaladora “vintage”, que novamente coloca na ribalta princípios, costumes e até coisas, como vestimentas, em alta cotação – ao menos entre o povo, que paga impostos e sustenta a privilegiada casta.
Tal movimento, mundial, não se dá à toa: trata-se da mais clara evidência de repúdio ao atual estado moral da humanidade, que chegou ao paroxismo – verdadeiro ponto de inflexão – na abertura das Olimpíadas de Paris, ano passado.
Sem perspectivas para o futuro, o homem volta-se para o passado e nele encontra abrigo, raízes, referências, acolhimento e proteção.
Alguém poderá, em sã consciência, condená-lo?
O apocalipse – o fim de nosso mundo – aconteceu na virada do século e os líderes mundiais, com poucas exceções, até hoje não perceberam.
Somos zumbis em um mundo de escombros, mas ainda há tempo de salvarmo-nos.
WALTER BIANCARDINE
___________
Walter Biancardine foi aluno de Olavo de Carvalho, é analista político, jornalista (Diário Cabofriense, Rede Lagos TV, Rádio Ondas Fm) e blogger; foi funcionário da OEA – Organização dos Estados Americanos.
Relacionados
13 Jul 26
Proteger as Crianças: Os Perigos Reais da Transição Social e da Medicalização da Disforia de Género.
Maria Helena Costa traz ao debate sobre a transição de género uma questão central e urgente: existe uma categoria de “crianças verdadeiramente trans” que justifique intervenções médicas precoces?
13 Jul 26
Não há virtude nem alegria, na morte de alguém.
É deprimente que aqueles que se mostram ultrajados quando os leninistas-globalistas festejam, despudoradamente, homicídios e falecimentos de adversários políticos, estejam agora a celebrar a morte de Lindsey Graham. Deus amava-o, por muito luciferino que ele fosse.
10 Jul 26
Mark Rutte como auto-corrector.
De uma forma que é em absoluto perversa, O Secretário-Geral da NATO ajuda-nos a encontrar a verdade, porque essa residirá, inevitável e simetricamente, no inverso daquilo que ele diz.
10 Jul 26
O Corpo Não se Apaga: O Grito de Scott Newgent contra o Negócio da Mutilação de Menores.
A verdade é desconfortável, mas simples: não se muda de sexo. E Scott Newgent não pede ódio; pede protecção. Pede que a verdade — homem e mulher são categorias biológicas — volte a guiar a medicina e a educação. A crónica de Maria Helena Costa.
8 Jul 26
Paróquias Vivas
Ousem transformar a sacristia numa sala de ensaios. Ousem abençoar os campos de desporto como se abençoam os altares. Ousem misturar o sagrado e o profano, porque, para Jesus, o que era "profano" tornou-se o lugar privilegiado da Revelação. A crónica de António Justo.
7 Jul 26
A Sabotagem do Nord Stream 1 e 2: Responsabilidades, Impactos e a Erosão da Ordem Europeia.
A destruição dos gasodutos Nord Stream em 2022 não foi um mero incidente de percurso num conflito regional; foi a demolição controlada do modelo industrial alemão e, por extensão, da estabilidade económica europeia. A análise de Francisco Henriques da Silva.





