A banda por trás dos hinos da campanha de Trump, YMCA e Macho Man, confirmou na segunda-feira que estará em Washington para as festividades deste fim de semana, para actuar no palco durante o evento de domingo, enquanto milhares de apoiantes tentam ensaiar a sua melhor “Trump dance”.
Os Village People e o Presidente eleito têm tido uma relação atribulada. Há alguns anos, a banda ameaçou processá-lo por tocar e dançar YMCA nos seus comícios. Depois, os seus membros moderaram o seu orgulho ideológico. Apesar do risco legal, Trump continuou a tocar a música em altifalantes por todo o país, dando aos Village People uma exposição inestimável e uma afiliação gratuita à marca mais poderosa da América.
Antes das promoções gratuitas de Trump, a banda estava esquecida. Agora, bombam por todo o lado.
Na verdade, os Village People não queriam que Donald Trump recuperasse a presidência. Victor Willis, o líder do grupo, afirmou no anúncio da actuação da banda no fim de semana da tomada de posse.
“O nosso candidato preferido perdeu.”
Dito isto, a banda de música disco dos anos setenta vai contribuir para a festa deste fim de semana, cantando YMCA enquanto o 47º presidente e os seus apoiantes dançam ao som da sua música.
A cena será contrária à cultura de divisão da América do século XXI. Nas últimas duas décadas, as facções partidárias do país tornaram-se extremamente intolerantes em relação aos que têm pontos de vista opostos, pondo os “outros” de lado como radicais, traidores, lunáticos ou agentes do mal, que anseiam pelo fim da nação.
É óbvio porquê. A classe dominante estabelecida está ciente de que o status quo está a falhar com as pessoas comuns, por isso os seus membros alimentam a divisão entre as massas para as manter a discutir entre si em vez de apontarem a sua raiva para o topo. É uma história tão antiga como o tempo.
Este estratagema, cuidadosamente elaborado, foi concebido para distrair o público da verdade central e eterna de que há mais coisas que unem os americanos do que as que os separam. Toda a população americana procura essencialmente as mesmas coisas: paz, prosperidade e liberdade. As pessoas que circulam nos corredores do poder ganharam a vida a destruir esses elos partilhados pelas massas, mas o seu modus vivendi pode terminar em breve. Quando os americanos, que não os seus líderes políticos, perceberem que o país é deles e não dos corruptos e incapazes elitistas que lamentavelmente têm elegido para os representar.
A tomada de posse será uma evocação disso mesmo. Embora se centre em Trump, o seu simbolismo transcende a celebração de um homem e do que ele será capaz de fazer. O evento terá mais que ver com liberdade, independência e o direito do povo a traçar o seu próprio caminho. E se nesse caminho se ouvir a batida pop e democrática de um tema dos Village People, será apenas apropriado.
AFONSO BELISÁRIO
Oficial fuzileiro (RD) . Polemista . Português de Sagres
As opiniões do autor não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.
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