Só nos saímos vitoriosos se combatemos algo que podemos substituir. O grande malefício de mentes como a de Karl Marx ou Auguste Comte foi criar o que chamamos de “ideologia”, que combateu e venceu, substituindo, a nossa “vida que sempre tivemos”.
Eles tinham algo a oferecer, ainda que fosse um sonho mentiroso e maquiado para esconder as perversidades embutidas. Nos acenaram com um novo mundo, toda uma nova geração repleta de paz, amor, justiça, compaixão com os pobres e uma liberdade de sonhos enquanto nós, “retrógrados reacionários”, nos agarrávamos à “vida que sempre tivemos”.
Agora que conhecemos o engôdo, que percebemos se tratar apenas de mera vigarice para a imposição de ditaduras opressoras, como combatê-la? O que temos para oferecer, em seu lugar? Apenas “a vida que sempre tivemos”?
Sim, e deveria ser o suficiente – mas a psique humana não a aceita. A recusa deve-se ao fato de não possuir uma “embalagem” palpável, com promessas e sonhos futuros, um messianismo ideológico a empolgar multidões – não há como oferecer sonhos vindouros vivendo “a vida que sempre tivemos”, tal proposta cheira a mediocridade e conformismo.
Este é o grande dilema e fator de dificuldade do conservadorismo: não ser uma ideologia, por mais que o grande filósofo brasileiro Olavo de Carvalho e outros assim o considerem. Se nada oferece, nada promete, não a será.
Pior: inúmeras gerações foram criadas no caldo de cultura ideológico – revolucionário, e tais formações de pensamento não serão apagadas pela simples substituição de uma conjuntura política por outra, elas persistirão e serão transmitidas às gerações vindouras por um prazo incalculável. Trocar conjunturas políticas não é a garantia de trocar pensamentos.
É fácil concluir que a criação das ideologias decretaram o fim da sociedade humana, pelos demônios que despertou e por oferecer promessas que a obstinação em “viver como sempre” jamais trará.
Homens como Karl Marx e Auguste Comte prestaram-se ao papel de verdadeiros “emissários do diabo”, ao plantarem as sementes da destruição do convívio humano saudável.
Havemos de aguardar o surgimento de um filósofo que formate o conservadorismo aos moldes de uma ideologia, oferecendo vantagens e promessas como as demais – e que me perdoem os puristas mas, sem uma boa embalagem, não chegaremos a lugar algum – para que tentemos uma cura.
Olavo de Carvalho, prudente, jamais aceitou tal tarefa.
WALTER BIANCARDINE
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Walter Biancardine foi aluno de Olavo de Carvalho, é analista político, jornalista (Diário Cabofriense, Rede Lagos TV, Rádio Ondas Fm) e blogger; foi funcionário da OEA – Organização dos Estados Americanos.
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