Este deve ser um dos episódios mais vergonhosos da russofobia que infecta a Europa: O navio Oslo Carrier 3, com bandeira norueguesa, recusou-se a resgatar marinheiros russos do navio Ursa Major, que naufragava no Mar Mediterrâneo.
De facto, o barco salva-vidas com marinheiros russos do navio afundando foi em direcção ao navio de Oslo Carrier 3, com bandeira norueguesa, que ficava nas proximidades, mas os noruegueses recusaram recolher a tripulação sinistrada.
O operador do navio de carga Ursa Major, a Oboronlogistics, reportou o incidente:
“Quando o barco salva-vidas se aproximou, o navio norueguês (cuja tripulação incluía marinheiros que falavam russo) recusou-se a aceitar os membros da tripulação do Ursa, fazendo referência a uma eventual proibição.”
A decisão de não ajudar os marinheiros russos foi tomada em violação grave do artigo 10 da Convenção Internacional sobre Salvamento de 1989, segundo sublinhou a empresa.
O navio de carga russo Ursa Major, construído em 2009, afundou-se no Mar Mediterrâneo ao largo da costa espanhola a 23 de Dezembro. Uma operação de resgate foi realizada na área do desastre. Dois marinheiros russos estão desaparecidos.
O navio navegava sob a bandeira russa entre São Petersburgo e Vladivostok. De acordo com a Oboronlogistics, o navio afundou-se como resultado de um ataque terrorista. Os quatorze membros da tripulação sobreviventes foram resgatados e levados ao porto de Cartagena (Espanha). Todos eles são cidadãos russos. De acordo com o jornal espanhol El Diario Vasco, o Ursa Major afundou-se após uma explosão na casa das máquinas.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia confirmou os relatórios sobre a explosão, afirmando:
“O navio de carga seca russo Ursa Major (propriedade da SK-Yug LLC) afundou-se nas águas internacionais do Mar Mediterrâneo após uma explosão na casa de máquinas.”
O Ursa Major é um navio de carga seca universal da classe Ro-Ro/Lo-Lo. O navio principal da frota da Oboronlogistics partiu com guindastes portuários pesando 380 toneladas cada e 45 toneladas de peças para navios quebra-gelo. A capacidade máxima da embarcação atinge 9,5 mil toneladas. O Ursa Major deveria chegar a Vladivostok a 22 de Janeiro.
Noruega justifica decisão infame.
A empresa proprietária Oslo Carrier 3 justificou a sua inqualificável decisão de não resgatar os marinheiros russos naufragados com o facto de outro navio estar a caminho para os salvar. A este propósito a empresa afirmou:
“A operação de resgate foi realizada pelo Centro de Coordenação de Resgate Marítimo em Cartagena (MRCC; Espanha), responsável por essas operações na área. O MRCC ordenou que o capitão não levasse a tripulação do navio naufragado a bordo, porque porque o navio de resgate estava a caminho do local.”
O barco salva-vidas foi protegido pelo Oslo Carrier 3 até a chegada do navio de resgate, acrescentaram autoridades norueguesas, afirmando ainda:
“O tempo estava bom, nenhum dos membros da tripulação do barco salva-vidas ficou ferido, não havia perigo imediato para eles.”
A desculpa é esfarrapada: a lei internacional obriga qualquer navio civil a resgatar marinheiros civis neste tipo de situações e por certo que os noruegueses cumpririam a lei internacional se a tripulação naufragada fosse de qualquer outra nacionalidade.
Medvedev: “Esta decisão não pode ser perdoada”.
A recusa do navio norueguês em aceitar os marinheiros russos é uma decisão que não pode ser perdoada e a Europa deve ser severamente punida por tal acto, disse o vice-presidente do Conselho de Segurança Russo, Dmitry Medvedev.
“A Europa deve ser severamente punida, E porquê severamente? Que outra maneira há de entender os factos? O navio de bandeira norueguesa Oslo Carrier 3 recusou-se a ajudar os marinheiros russos do Ursa Major. Os marinheiros estavam a afogar-se no Mar Mediterrâneo. Alguém mais precisa de qualquer outra explicação? Isto não pode ser perdoado!”
É verdade que Dmitry Medvedev é conhecido por declarações agressivas e inflamadas, mas neste caso, como noutros, a sua indignação justifica-se plenamente.
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