Os propagandistas dos meios de comunicação social estão a tocar os seus êxitos favoritos, atribuindo a retumbante vitória eleitoral de Donald Trump ao racismo, ao sexismo, à xenofobia, à imoralidade e a qualquer outra coisa que desvie a culpa da verdadeira causa: A inépcia do estabelecimento.
A América não é uma nação intolerante. Se fosse, os seus eleitores nunca teriam enviado um político negro com o nome do meio “Hussein” para a Casa Branca. É, no entanto, um país que espera que os seus representantes actuem no seu interesse e exaltem os seus valores, e não que os abominem. O Partido Democrata falhou completa e deliberadamente nessas frentes.
Líderes com alguma, mesmo que tímida, consideração pelos cidadãos que representam não teriam permitido que os últimos quatro anos se desenrolassem da forma como se desenrolaram.
Não teriam permitido que o sonho americano se tornasse inacessível, ficando de braços cruzados enquanto algo tão fundamental como a propriedade da habitação redundasse numa fantasia para a próxima geração. E certamente não o teriam feito enquanto exigiam que esses mesmos jovens americanos, que mal podem pagar as compras do supermercado, desembolsassem dezenas de milhares de milhões de dólares para financiar os últimos projectos de guerra dos neo-conservadores de Washington.
Não teriam permitido até que o país se envolvesse nesses conflitos desastrosos, condenados ao fracasso, ignorando os interesses nacionais como se fossem insignificantes quando comparados com as necessidades sagradas de nações “aliadas” que a maioria dos americanos não consegue encontrar num mapa.
Nem sequer pensariam em desrespeitar as suas próprias leis de segurança nacional, fazendo passar ilegalmente pela fronteira do México milhões de estrangeiros, em nome da substituição demográfica e da alteração dos registos políticos da federação, historicamente funcionais, roubando aos verdadeiros eleitores da nação a sua legítima influência eleitoral.
E depois de quatro anos de dificuldades económicas criadas intencionalmente, com um governo indiferente às leis fundamentais da federação e uma liderança perigosa, agressiva e alienada, os democratas construíram o seu discurso de fim de campanha em torno da ideia de que os eleitores que recusavam o seu programa recessivo eram “lixo”. Para muitos, essa foi a última variável que os empurrou para o voto republicano.
2016 ensinou que o estabelecimento é incrivelmente firme na sua recusa em olhar-se ao espelho e aceitar a responsabilidade pelas suas óbvias deficiências. E foi por essa mesma e teimosa razão que governaram como governaram durante o último mandato presidencial.
A reeleição de Trump é o justo castigo para os seus crimes.
AFONSO BELISÁRIO
Oficial fuzileiro (RD) . Polemista . Português de Sagres
___________
As opiniões do autor não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.
Relacionados
16 Abr 26
A vitória de Péter Magyar na Hungria: Será preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma?
A derrota de Viktor Orbán pode ser interpretada como o fim de um ciclo político e a abertura de um novo, marcado pela recomposição do campo conservador húngaro, mais próximo da UE. Mas será que estamos perante mudanças de fundo? A análise de Francisco Henriques da Silva.
15 Abr 26
O Regime Epstein tem um fascínio maluco pela ficção científica.
A veia fantasista da Casa Branca garante sistemas que detectam batimentos cardíacos a 60 quilómetros de distância, "tecnologia capaz de manipular o espaço-tempo" e armas sónicas super poderosas, retiradas directamente do universo Marvel. A maquinaria é bestial. Mas implausível.
13 Abr 26
Um Ocidente irredimível.
Aconteça o que acontecer, com o Estreito de Ormuz aberto ou fechado, com a gasolina mais barata ou mais cara, com mais ou menos colégios de raparigas a serem rebentados no Irão, com mais ou menos horrores inomináveis perpetrados em Gaza e no Líbano, não nos livramos do inferno.
13 Abr 26
Provavelmente, o texto mais estúpido alguma vez publicado nas redes sociais.
A 9 de Abril, caiu na web o post mais parvalhão, pesporrente, ignóbil, retardado, mentiroso, e, sobretudo, ingrato alguma vez publicado por um ser humano nas redes sociais. Foi redigido por Donald J. Trump, actual presidente dos Estados Unidos da América, e merece contraditório.
7 Abr 26
Tucker Carlson e a importância de um detalhe que todos ignorámos.
A 20 de Janeiro de 2025, Donald J. Trump foi empossado como o 47º Presidente dos EUA. No juramento de fidelidade à Constituição, rompeu o protocolo ao evitar colocar a mão sobre a Bíblia. Tucker Carlson testemunhou o facto e estranhou-o. Mas agora, já percebeu tudo.
7 Abr 26
Reabertura do Estreito de Ormuz: Uma ‘bomba nuclear’ económico-financeira?
A reabertura do Estreito de Ormuz pode ser um ponto de inflexão nas relações económicas internacionais, dadas as tensões entre a ordem financeira centrada no dólar e as tendências de diversificação monetária no comércio global. A análise de Francisco Henriques da Silva.






