Por qualquer razão insondável o Pentágono achou que era uma boa ideia testar o lançamento de um míssil nuclear hipersónico no dia das eleições americanas, horas depois do encerramento das urnas.
Um míssil balístico intercontinental (ICBM) Minuteman III desarmado foi lançado esta noite da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. Alguns americanos mostraram-se preocupados com o facto de o teste de armas nucleares se realizar no mesmo dia em que o país votava para eleger o próximo presidente e a composição das duas câmaras do Capitólio. Mas os oficiais militares norte-americanos argumentaram entretanto que o “teste é de rotina e foi programado com anos de antecedência”.
O objectivo do ensaio é demonstrar a “prontidão das forças nucleares dos Estados Unidos” e dar “confiança na dissuasão nuclear da nação”, num contexto da ameaça crescente de eclosão da Terceira Guerra Mundial.
Durante o exercício, o ICBM percorrereu 7.000 quilómetros da base até ao Atol de Kwajalein, uma pequena ilha no Pacífico Norte, num trajecto que durou cerca de 22 minutos. A arma pode atingir velocidades superiores a 25.000 quilómetros por hora, o que lhe permite atingir qualquer alvo em todo o mundo em apenas 30 minutos após o lançamento.
Moscovo situa-se a cerca de 9.000 quilómetros da Califórnia, enquanto Pequim está a cerca de 10.000 quilómetros de distância – as duas nações consideradas uma ameaça para os EUA.
O ICBM é um dos dois mísseis nucleares actualmente utilizados pelas forças militares americanas – o outro é o míssil balístico lançado por submarinos (SLBMs). o Projéctil é um componente vital das forças nucleares dos EUA, capaz de transportar uma carga nuclear para alvos em todo o mundo, mas deverá ser retirado de serviço até 2029 e substituído pelo ICBM Sentinel LGM-35A.
O coronel Bryan Titus, vice-comandante do Space Launch Delta 30, afirmou:
“Este lançamento de teste marca o início de uma semana notável para os nossos Guardiões e Aviadores em Vandenberg, com dois lançamentos de teste programados a partir da Western Range. Estes testes têm um enorme significado, não só para a defesa da nossa nação, mas também como um momento crucial para mostrar as capacidades excepcionais e a experiência da nossa equipa”.
O teste, ocorre menos de uma semana depois de a Coreia do Norte ter prometido ficar ao lado da Rússia até à sua vitória na Ucrânia. E apenas alguns dias depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov , ter avisado que os EUA e a Rússia estão muito perto de se envolverem num “conflito militar directo”. Na altura, o diplomata russo afirmou em declarações ao diário Hurriyet:
“Sob o comando do actual presidente Joe Biden, que levou a espiral descendente da russofobia nos EUA à sua conclusão lógica, os nossos países estão à beira de um conflito militar directo”.
Questionado sobre as eleições nos EUA, Lavrov disse que o resultado não fará grande diferença para a Rússia.
“Não temos qualquer preferência. Quando a administração Trump estava no poder, adoptou o maior número de sanções anti-russas em comparação com os seus antecessores.”
Seja como for, a escolha do momento eleitoral para a realização de um teste desta natureza terá sempre leituras oblíquas. E dados os resultados eleitorais de ontem – e a hostilidade do Pentágono em relação a Trump, tanto como em relação a Putin – há aqui muito conteúdo para especulações.
Depois não se queixem dos teóricos da conspiração.
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