Le Mans, ou o suplício nipónico.
As 24 horas de Le Mans são, nos tempos que correm e em definitivo, o maior espectáculo automobilístico do mundo. Ao contrário do que acontecia há 20 ou 30 anos atrás, a corrida é disputada ao sprint na sua total duração e a incerteza quanto aos vencedores (nas várias classes em competição) tem sido a regra e não a excepção.
Ainda é muito cedo para fazer um balanço da nova era do automobilismo de resistência, e seus “hipercarros”, que se iniciou em 2021, mas os automóveis da LMP1, que reinaram entre 2004 e 2020 eram mais bonitos, mais rápidos e tecnologicamente mais impressionantes que os carros da Fórmula 1 e não precisavam de truques manhosos do género RDS para se ultrapassarem alegremente uns aos outros.

Mas o que aconteceu em 2016 não tem comparação com nada que possa ter sucedido na história do desporto automóvel. A 6 minutos do fim da prova que dura 1460 ciclos de 60 segundos (sim, 6 míseros minutos), o carro nº 5 da Toyota, que tinha a corrida ganha (o Porsche que vinha imediatamente atrás estava a cerca de um minuto) e que ia garantir a primeira vitória do gigante industrial japonês ao fim de décadas de tentativas frustradas, encosta à parede exterior das boxes e imobiliza-se em plena recta da meta para nunca mais dali sair. Ninguém queria acreditar, mas o Porsche 919 tripulado por Dumas / Jani / Lieb acabava de vencer a 83ª edição das 24 horas de Le Mans.
Se há momentos em que a realidade supera a inventiva do mais fantasioso dos novelistas, este é um deles. O que aconteceu naquele dia de Junho no eterno circuito de La Sarthe é mesmo, mesmo, inacreditável. E super cruel para os desgraçados dos japoneses.
Duelo ao Sol.
Kevin Eriksson e Scott Speed discutem de forma absolutamente épica a final da prova de Rally Cross de Glen Helen, Califórnia, em 2021. A última volta é de doidos: um elogio ao desporto automóvel.
Seis minutos de pura nostalgia.
O Grande Prémio do Mónaco de 1962, a segunda de nove provas do campeonato do mundo de F1 desse ano, foi a corrido a 3 de Junho de 1962. A prova, que nesse tempo implicava o cumprimento de 100 voltas e durava mais de duas hora se meia, foi ganha por Bruce McLaren, ao volante de um Cooper, depois de ter partido da terceira posição. Phil Hill terminou em segundo para a equipa Ferrari e o seu companheiro de equipa Lorenzo Bandini ficou em terceiro. E isto tudo vem a propósito de um clip de qualidade fílmica exuberante, que documenta essa corrida.
Como dominar uma besta selvagem num caminho de cabras.
E a propósito de nostalgia, uma dos mais talentosos pilotos da história do automobilismo, o grande Juan Manuel Fangio, mostra como é que se conduz uma besta inguiável num circuito – Modena – que parece um eixo rodoviário sob a manutenção da Estradas de Portugal, E. P.
Neste clip, até o som assusta. E vale mesmo a pena registar o virtuosismo de Fangio.
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