Como o Contra tinha previsto na sexta-feira passada, Joe Biden abandonou oficialmente a corrida presidencial na sequência da sua catastrófica actuação no debate contra Donald Trump e da subsequente pressão exercida pelo seu partido para que terminasse a campanha.
Numa declaração formal emitida no domingo à tarde, Biden declarou:
“Nos últimos três anos e meio, fizemos grandes progressos como nação.
(…) Foi a maior honra da minha vida servir como vosso Presidente. E embora tenha sido minha intenção tentar a reeleição, acredito que é do melhor interesse do meu partido e do país que me demita e me concentre apenas no cumprimento dos meus deveres como Presidente durante o resto do meu mandato. Para já, permitam-me que expresse a minha mais profunda gratidão a todos aqueles que trabalharam arduamente para me verem reeleito.
Quero agradecer à vice-presidente Kamala Harris por ser uma parceira extraordinária em todo este trabalho. E permitam-me expressar o meu sincero apreço ao povo americano pela fé e confiança que depositaram em mim.
Acredito hoje no que sempre acreditei: que não há nada que a América não possa fazer – quando o fazemos juntos. Só temos de nos lembrar que somos os Estados Unidos da América”.
— Joe Biden (@JoeBiden) July 21, 2024
Isto dito por um homem que declarou por várias vezes que metade da população americana constituía uma “ameaça extremista aos fundamentos da República.”
Mais tarde, numa outra declaração publicada no X, e ao contrário do que o Contra tinha noticiado no mesmo artigo já referido de sexta-feira, Biden apoiou a candidatura de Kamala Harris:
“Caros colegas democratas, decidi não aceitar a nomeação e concentrar todas as minhas energias nos meus deveres como Presidente durante o resto do meu mandato. A minha primeira decisão como candidato do partido em 2020 foi escolher Kamala Harris como vice-presidente. E tem sido a melhor decisão que tomei. Hoje quero oferecer o meu total apoio e endosso a Kamala para ser a candidata do nosso partido este ano. Democratas – é altura de nos unirmos e derrotarmos Trump. Vamos a isto.”
Harris foi rápida a aceitar o apoio e a anunciar a intenção de ganhar a nomeação democrata, afirmando numa declaração.
“Sinto-me honrada por ter o apoio do Presidente e a minha intenção é ganhar e conquistar esta nomeação. Faltam 107 dias para o dia das eleições. Juntos, vamos lutar. E juntos, venceremos”.
Convém lembrar neste momento que a última vez que Kamala Harris tentou concorrer a eleições sozinha, nas primárias do Partido Democrata de 2020, abandonou a corrida quando somava menos de 4% das intenções de voto dos democratas.
Sobre o génio de Kamala Harris.
Uma das mais medíocres personagens da vida política norte-americana desde que Jefferson e Adams escrevinharam a Declaração de Independência, Kamala Harris tem apenas as virtudes pós-modernas de ser mulher e mestiça, características estas que, naturalmente, não são da sua responsabilidade nem decorrem do seu mérito porque já nasceram com ela.
De resto, a vice-presidente é reconhecida pelas suas frases insubstanciais e redondinhas, o seu gargalhar nervoso, que usa tanto em funerais como em banquetes de estado, e a sua total incapacidade para o desempenho de qualquer cargo, público ou privado, que implique o fluxo electroquímico de informação entre os neurónios.
Ainda quando estava na Fox News, Tucker Carlson tentou resumir o génio, a originalidade, a competência técnica e as qualidades de liderança de Kamala Harris. Como estas variáveis são inexistentes nela, a coisa desviou-se rapidamente para uma dúzia de minutos de mordaz martelada. Que a senhora merece completamente.
Não vale a pena fazer agora uma descrição exaustiva das falências técnicas de Kamala, por certo teremos outras oportunidades para o fazer, num futuro próximo, mas é difícil resistir à tentação de deixar aqui, para já, dois ou três exemplos do sua impreparação para o cargo a que aspira.
Em Março de 2021, a senhora decidiu mostrar ao mundo a sua vocação filosófica, dissertando sobre o jugo cronológico da condição humana:
“O significado da passagem do tempo, certo? O significado da passagem do tempo. Portanto, quando pensamos nisso, há um grande significado na passagem do tempo… E há um significado tão grande na passagem do tempo.”
Kamala Harris: “The significance of the passage of time, right? The significance of the passage of time. So when you think about it, there is great significance to the passage of time … and there’s such great significance to the passage of time…” pic.twitter.com/0yjBdfzFwm
— The Post Millennial (@TPostMillennial) March 21, 2022
Sim, quando pensamos nisso, há de facto um significado grande na relojoaria.
Em Julho de 2022, Kamala Harris alertou para uma problema gravíssimo da sociedade americana:
“As mulheres estão a engravidar! E estão a engravidar diariamente!”
E esta ameaça existencial é quase, quase tão preocupante como as alterações climáticas. Se calhar as mulheres engravidam por causa das alterações climáticas. E as mulheres que não conduzem carros eléctricos engravidam muito mais facilmente! É preciso decretar o estado de emergência, já, de forma a impedir que as mulheres engravidem. Ou, pelo menos, que conduzam automóveis de combustão interna.
Em Março de 2022, A vice-presidente americana foi convidada a explicar às pessoas menos entendidas em geo-política o conflito na Ucrânia. No que diz respeito ao poder de síntese, saiu-se esplendidamente:
“Bem, a Ucrânia é um país da Europa. Existe junto a um outro país chamado Rússia. A Rússia é um país maior. A Rússia é um país poderoso. A Rússia decidiu invadir o país mais pequeno chamado Ucrânia. E, basicamente, isso é errado.”
Sim, basicamente.
Em comum com Joe Biden, Kamala partilha a tendência para os lapsos de linguagem. No Verão de 2023, numa conferência sobre alterações climáticas, a vice-presidente deixou escapar a boca para a verdade, quando afirmou, inadvertidamente, que os objectivos globalistas passam pela redução demográfica:
“Quando investimos em energias renováveis, em veículos eléctricos e na redução populacional, os nossos filhos podem respirar ar puro e beber água limpa.”
Qualquer pessoa que não careça de tratamento psiquiátrico já percebeu que a actual vice-presidente dos EUA é destituída de qualidades, mas, como o Contra noticiou em Janeiro deste ano, até os próprios membros do seu staff desaconselham a sua promoção ao mais alto cargo da federação.
Enfim, Kamala terá uma virtude: A de que será um motor de conteúdos do ContraCultura, daqui até Novembro.
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