Apesar do amplo acordo do público americano sobre a inutilidade do Congresso e a incompetência dos seus membros, investidores descobriram que os legisladores se destacam numa tarefa: escolher acções. O facto levou até a um aumento de produtos financeiros que visam replicar as negociações feitas pelos congressistas.
Os comerciantes e analistas de mercado monitorizam os dados disponíveis publicamente para acompanhar os ganhos dos legisladores no mercado de acções. A Lei STOCK, promulgada para restringir negociações questionáveis no Congresso, exige que os legisladores divulguem transações acima de US$ 1.000.
O CEO da Unusual Whales, uma startup de tecnologia financeira, começou a analisar estas negociações há cerca de cinco anos, descobrindo que a literatura académica subestimava a capacidade dos congressistas para fazerem excelentes negócios na bolsa. Ele documentou cerca de 100 milhões de dólares em investimentos feitos por cerca de 15 senadores e 40 membros da Câmara entre Fevereiro e Abril de 2020.
Comentando os dois fundos negociados em bolsa e constituídos com base em investimentos de congressistas republicanos (KURZ) e da democrata e ex-speaker da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi (NANC), o corretor afirmou:
“Acho que o KRUZ superou o mercado nos últimos três meses, tanto em termos médios quanto de risco-retorno, como o NANC tem feito desde o início.”
Em 2023, Pelosi, uma licenciada em ciências políticas sem qualquer formação em gestão ou economia, obteve um retorno de 65% na sua carteira de ações, superando o S&P em 92%.
A Lei STOCK impõe desincentivos bastante fracos aos congressistas, exigindo-lhes que divulguem as negociações dentro de 30 a 45 dias, mas fixando multas por não conformidade em apenas 200 dólares. Sim, 200 dólares. Só o património líquido de Pelosi é estimado em cerca de 120 milhões de dólares.
Os investidores que copiam as negociações de Pelosi e de outras empresas criam uma espécie de ciclo vicioso, com os investidores lucrando com os investimentos dos políticos, o que também incentiva os membros do Congresso a continuarem a fazer investimentos porque, de facto, lucram quando outras pessoas investem nas mesmas acções.
Escusado será dizer que investir no mercado accionista com base em informação priveligiada do género que é acessível aos senadores e aos representantes do capitólio é um crime nos Estados Unidos.
Mas também é redundante afirmar que só há de facto um criminoso na América. Chama-se Donald Trump.
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