A Administração Federal da Aviação (FAA) identificou uma avaria em 292 aviões Boeing 777 registados nos EUA, principalmente operados pela United e pela American Airlines, que pode fazer com que os seus motores a jacto descarreguem energia electrostática nos depósitos de combustível e os façam explodir em pleno ar.
Em Março, a FAA propôs uma “Directiva de Aeronavegabilidade”, que afirmava ser motivada pela constatação de que
“o conjunto da placa de cobertura do sistema de distribuição de ar enriquecido com azoto (NEADS) ligado a uma determinada longarina de ventilação no tanque central da asa [de certos aviões Boeing 777] foi instalado sem uma ligação eléctrica concebida”.
O regulador alertava para potenciais resultados catastróficos deste problema de engenharia:
“A acumulação de carga electrostática no conjunto da placa de cobertura e no conjunto da válvula de flutuação pode levar a uma descarga electrostática na estrutura circundante. Esta condição, se não for resolvida, pode resultar numa fonte de ignição no interior do tanque de combustível e subsequente incêndio ou explosão”.
A Boeing e o fornecedor de peças Spirit AeroSystems têm sido afectados por escândalos nos últimos meses. Vários aviões perderam portas em pleno ar, deixaram cair pneus e feriram passageiros na sequência de movimentos violentos provocados por “eventos técnicos”.
Uma auditoria da FAA reprovou a Boeing e a Spirit em dezenas de auditorias de produtos, numa altura em que estes problemas estavam a ser amplamente divulgados, com denunciantes a alegarem que estavam a levantar sérios problemas de segurança a nível interno e a serem ignorados pelas chefias.
Dois destes denunciantes morreram subitamente, incluindo um, John Barnett, que se terá suicidado depois de ter dito aos amigos:
“Se me acontecer alguma coisa, não é suicídio”.
Um outro denunciante entretanto falecido, Sam Salehpour, alegou ter sofrido retaliações – sob a forma de ameaças e exclusão de reuniões – por ter detectado problemas de engenharia que afectavam a integridade estrutural dos jactos. Os advogados de Salehpour afirmaram que ele reconheceu atalhos de engenharia que colocavam tensão nas juntas dos aviões, resultando em resíduos de perfuração entre juntas críticas em mais de 1.000 aeronaves.
Salehpour também observou sérios problemas de desalinhamento na produção do jacto 777:
“Vi pessoas a saltar literalmente sobre as peças de um avião para as alinhar.”
O advogado que representou estes dois denunciantes da Boeing diz estar a representar mais de dez outros informadores, que estão determinados a falar sobre questões “graves” de segurança e qualidade.
Os informadores alegam que os padrões da empresa estão a cair em resultado de directivas “politizadas” dos Recursos Humanos (RH) que promovem políticas “anti-excelência” de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI).
No entanto, a própria FAA também tem vindo a pressionar a indústria da aviação no sentido de promover políticas de DEI, não só para mulheres e minorias étnicas, mas também para pessoas com “deficiência psiquiátrica” e até “deficiência intelectual grave”.
A 21 de Maio, um Boeing 747-400 aterrou de emergência na Indonésia, depois de um dos seus motores se ter transformado numa bola de fogo.
Duas semanas antes, aviões da gigante aeronáutica americana sofreram três acidentes em dois dias: No Senegal, passageiros aterrorizados escaparam de um 737-300 em chamas; na Turquia, um pneu explodiu durante a aterragem de um 737-800; e, 24 horas depois, o trem de aterragem de um 767 cedeu, fazendo com que a aeronave embatesse na pista, quando aterrava em Istambul.
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