O comediante Jerry Seinfeld disse ao New Yorker Radio Hour que a extrema-esquerda e o politicamente correcto estão a matar o humor, com demasiados comités, activistas, policias do discurso e justiceiros sociais a pesar nos guiões da comédia.

“Nada afecta realmente a comédia. As pessoas precisam sempre dela, precisam tanto dela”, disse Seinfeld. Mais ou menos, porque logo a seguir, o próprio cómico argumentou que o público não está a receber a comédia de que necessita e que as sitcom de referência desapareceram das televisões dos americanos:

“Antigamente, quando iam para casa ao fim do dia, a maioria das pessoas dizia: ‘Oh, está a dar o Cheers’. ‘Oh, está a dar o M*A*S*H’. ‘Oh, está a dar Mary Tyler Moore’. ‘Está a dar All in the Family’. Esperavam que houvesse alguma coisa engraçada para ver na televisão. Bom, adivinhem? Onde é que isso está? Onde é que isso está?”

O célebre comediante partiu daqui para identificar e criticar os responsáveis por esse desaparecimento:

“Este é o resultado da extrema-esquerda, da treta do politicamente correcto e das pessoas que se preocupam tanto em ofender os outros. Agora vão ver comediantes de stand-up porque não somos policiados por ninguém. O público é que nos controla. Sabemos quando estamos fora do caminho, sabemos imediatamente e ajustamo-nos a isso instantaneamente. Mas quando escrevemos um guião e ele vai para quatro ou cinco mãos diferentes, comités, grupos, ‘Aqui está o nosso pensamento sobre esta piada’, bem, isso é o fim da comédia.”

 

 

Seinfeld, cuja sitcom homónima esteve entre os programas de maior audiência de todos os tempos nos Estados Unidos, disse que o seu próximo filme, Unfrosted, terá uma “paródia muito engraçada sobre o dia 6 de janeiro”. Considerando o tema altamente polarizador, ou será algo de muito corajoso ou algo de muito cobarde.

É preciso notar que Jerry participou na última temporada de Curb Your Enthusiasm, do co-criador da série Seinfeld, Larry David, que fazia a apologia de argumentos de esquerda contra as leis de integridade eleitoral da Geórgia.

E se é verdade que o comediante tem tentado mostrar-se de certa forma independente dos radicalismos woke que dominam o meio em que vive e prospera, não podemos esquecer que é nova-iorquino, judeu e estrelinha do sistema.

A ver vamos.