Marcelo Rebelo de Sousa, filho do Governador Geral de Moçambique durante o período da guerra colonial, abordou novamente o patético, delirante e insultuoso tema das reparações históricas. O globalista, num jantar com correspondentes internacionais realizado em território nacional, afirmou na terça-feira, dia 23 de Abril, noticiou o Expresso, que “temos de pagar os custos” da escravatura e igualmente do colonialismo.
Não é a primeira vez que o globalista tenta injectar o tema no sistema de comunicação, procurando induzir o povo português ao auto-flagelo assente no sentimento de culpa, considerando que Portugal, enquanto país dito colonizador, particularmente em África, deve pagar pela escravatura e alegados crimes coloniais. O que o globalista nunca faz é concretizar como executaria a exuberante palermice. Também não é necessário, dado que o único fito é a erosão da Kryptonite globalista: a nação.
Simplificando, o pressuposto globalista das reparações históricas assenta na ideia de que as injustiças cometidas no passado deixaram legados de desigualdade e sofrimento, que persistem até hoje. Os globalistas, conscientes como Marcelo ou inconscientes como inúmeras grafonolas da praça mediática, defendem que tais medidas são necessárias para promover a justiça social, a reconciliação e a igualdade entre descendentes de escravizados e a sociedade em geral. Isto é, evidentemente, totalmente estapafúrdio.
O argumento é tão falacioso, delirante e imbecil, que, logo na primeira revisão, colidimos com vigor numa ironia fatal. A ironia dos não-escravos, que procuram lucrar com a escravidão ancestral através daqueles que nunca foram proprietários de escravos ou sequer beneficiaram da prática. Marcelo assume o indecoroso papel de promover as olimpíadas da vitimização, competição na qual os atletas do vitimismo se acotovelam constantemente em busca de um lugar no pódio. Além desta inexorável ironia promovida pelo globalista, outras questões se levantam.
Se, por razões incompreensíveis, acordássemos um dia forçados a pagar reparações a não-escravos, qual seria o limite? Caso tal delírio se concretizasse, o que impediria a voracidade por mais e outras exigências? Que tal reparações históricas pelas alterações climáticas? E quanto aos descendentes de semeadores de batatas, que, como eu, não tiveram qualquer participação? Seriam eles também violentados pelo Estado, coagidos a pagar reparações históricas a indivíduos que nunca foram escravizados?
Outra questão que tem de ser colocada sem tibiezas é: o colonialismo foi exclusivamente prejudicial? Objectivamente, a resposta é não. O papel das elites portuguesas nas colónias e no tráfico de escravos foi unicamente explorador, ou contribuiu, de alguma forma, para o desenvolvimento dos actuais Estados independentes? Defender uma visão que reconheça apenas os aspectos negativos é claramente uma leitura míope da história. Esta não é uma defesa das elites da época, verdadeiras precursoras desse período histórico, ao contrário dos semeadores de batatas. Trata-se de analisar o passado com honestidade através das lentes morais daquela época, em vez de aplicar critérios de moralidade contemporâneos.
Se é possível atribuir culpa colectiva aos portugueses e aos europeus em geral, como poderíamos então justificar a recusa em atribuir a mesma culpa colectiva ao povo palestiniano pelos horrores praticados pelo Hamas? E ao povo Israelita? E ao povo russo? Devo continuar?
Comprovadamente, a escravidão não foi um exclusivo dos povos europeus. O académico americano Thomas Sowell, pessoa com muito mais melanina do que qualquer europeu autóctone, é uma autoridade no desmantelamento da narrativa da escravidão unilateral:
“Embora a escravidão tenha sido uma instituição mundial por milhares de anos, em nenhum lugar do mundo a escravidão foi uma questão controversa antes do século 18. Pessoas de todas as raças e cores foram escravizadas – e escravizaram outras. Os brancos eram comprados e vendidos como escravos no Império Otomano, décadas depois de os negros americanos terem sido libertados.”
Da mesma forma, o franco-senegalês Tidiane N´Diaye, também ele portador de concentração assinalável de melanina, argumenta e documenta no seu “O Genocídio Ocultado”, que:
“Sete séculos antes do tráfico de escravos europeu, que não poderia ter, aliás, a dimensão que teve sem a participação dos negreiros árabes e africanos, os árabes fizeram razias na África subsariana durante treze séculos sem interrupção.”
Vamos pedir reparações históricas aos otomanos? Vamos pedir reparações históricas aos árabes? E os descendentes dos negreiros africanos, devem receber reparações? Como os identificamos?
Evidentemente, Marcelo Rebelo de Sousa, manifesto globalista, tem presente que a implementação de reparações históricas conduz ao escarafunchar de antigas feridas, infectando povos e raças. Seguramente, está consciente de que é uma tarefa praticamente impossível de ser concretizada de forma criteriosa, dada a sua natureza abstracta e absurda. No entanto, globalista praticante que é, a sua principal intenção é promover o auto-flagelo do povo português, contribuindo assim para a erosão da única unidade política capaz de resistir às pressões globalistas: a nação.
JORGE PINTO
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Jorge Pinto é licenciado em Ciência Política e o analista político da conta do X Líder da União.
As opiniões do autor não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.
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