O tirano Trudau é capaz de passar por cima de todas as ironias deste mundo, imune ao ridículo; é capaz da máxima hipocrisia, sem pestanejar; é capaz de ser o mais desprezível insecto da política contemporânea, mas a sua desvergonha nunca deixa de surpreender. Eis um bom exemplo: O Gabinete do Primeiro-Ministro canadiano acaba da aprovar 8,4 milhões de dólares para estudar a forma como a autocracia prospera com as alterações climáticas.
Não, a sério: Trudeau vai gastar este dinheiro todo para descobrir como é que o clima gera criaturas como ele. Num discurso gravado em vídeo para a terceira Cimeira Anual sobre Democracia, um encontro orquestrado pelo regime Biden (mais uma ironia a somar às várias ironias deste texto), o homenzinho anunciou a onerosa e esquizofrénica iniciativa:
“Hoje, anuncio que o Canadá está a investir 8,4 milhões de dólares em investigação em todo o hemisfério sul para compreender como as alterações climáticas interagem com o declínio democrático. Estas iniciativas também ajudarão a proteger os direitos humanos dos defensores do ambiente”.
PM Trudeau announces Canada will spend $8.4 million on research to understand how “climate change interacts with democratic decline.” pic.twitter.com/TyhxvKoF9E
— True North (@TrueNorthCentre) March 21, 2024
Como é que o tiranete consegue dizer estas coisas sem se desmanchar a rir será sempre um mistério e percebe-se bem por que é que o projecto tem foco apenas no hemisfério sul. Se fosse direccionado para o hemisfério norte, o caso de estudo mais gritante seria por certo o canadiano.
Está-se mesmo a ver que o Estudo vai concluir que Javier Milei só foi eleito porque a temperatura média na Paragónia aumentou 0,02º centígrados nos últimos cinquenta anos e que Bolsonaro perdeu as eleições de 2022 porque a precipitação média na Amazónia aumentou 1% nos século XXI.
O dinheiro faz parte de um pacote de 30 milhões de dólares de subvenções para “reforçar as democracias”, dos quais 22,3 milhões se destinam a “defender os direitos humanos e promover a inclusão”.
Dizer que o governo de Justin Trudeau reforça as democracias é como sugerir que José Estaline promovia a dissidência interna, mais coisa menos coisa.
Um relatório sobre o projecto descreve-o como uma iniciativa para recuperar o “espaço cívico e enfrentar a emergência climática”. No documento, lemos:
“O Canadá está a investir 8,4 milhões de dólares para apoiar os defensores dos direitos humanos que trabalham em questões climáticas e ambientais no Sul Global”.
Infelizmente, esta paixão pelos direitos humanos não incluiu os camionistas canadianos, que o regime Trudeau enfiou na prisão e a quem congelou as contas bancárias, pelo simples facto de não quererem ser injectados com terapias genéticas experimentais.
O estudo sobre o “declínio democrático” está a ser gerido pelo Centro Internacional de Investigação para o Desenvolvimento, uma empresa pública que é um dos principais canais de Ottawa para a ajuda externa. Esta entidade de cariz soviético irá também receber mais 4,6 milhões de dólares para “criar uma esfera digital equitativa, feminista e inclusiva”, de acordo com uma nota do Gabinete do Primeiro-Ministro.
Outros componentes do pacote de 30 milhões de dólares incluem 1,44 milhões de dólares “para reforçar a resiliência dos movimentos francófonos pelos direitos LGBTQI+ no Norte de África”.
Boa sorte com isso.
O Primeiro-Ministro do Canadá detém a autoridade executiva para aprovar subsídios não orçamentados para actores externos, que em nada se relacionam com o Canadá ou favorecem a sua economia, e é relativamente comum que faça anúncios multimilionários na véspera de participar em conferências e cimeiras no estrangeiro.
Pouco antes de Trudeau participar na Associação das Nações do Sudeste Asiático em 2022, por exemplo, o seu governo anunciou 333 milhões de dólares para vários projectos, fundos e organizações sem fins lucrativos sediados na Ásia. Essa febre despesista incluiu um fundo de 32,8 milhões de dólares para quaisquer “organizações da sociedade civil” que pudessem provar seu compromisso com a promoção da “igualdade e inclusão de género”.
Em 2023, durante uma visita a uma cimeira da Comunidade das Caraíbas, Trudeau anunciou um desembolso de 44,8 milhões de dólares para várias agências do arquipélago que trabalham na área da “crise climática”. O pacote incluia 8 milhões de dólares para “melhorar a saúde do ecossistema” por meio de “organizações ambientais e de direitos das mulheres”.
As três visitas-surpresa de Trudeau à Ucrânia desde a invasão russa foram, de igual modo, fortificadas por contributos substanciais do orçamento canadiano para a ajuda ao regime de Zelensky. A visita do primeiro-ministro a Kiev, em Fevereiro deste ano, por exemplo, foi acompanhada de várias centenas de milhões de dólares em ajuda civil, incluindo um subsídio de 4 milhões de dólares para “desminagem com inclusão de género”.
“Desminagem com inclusão de género”? A sério? Trudeau quer mesmo mulheres e homossexuais e transexuais a desactivarem campos minados?
A resposta é sim. O dinheiro, a ser enviado para uma organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido chamada The HALO Trust, iria estabelecer “um grupo de trabalho sobre género e diversidade para promover acções de desminagem que transformem o género na Ucrânia”.
Vão “transformar o género”, sim. De forma explosiva.
A hemorragia de dólares em projectos que misturam o clima com o feminismo, a guerra com a identidade de género e os direitos LGBT com o declínio das democracias é eloquente sobre o estado mental de Justin Trudeau, numa altura em que as sondagens indicam que caiu em desgraça entre os retardados que votaram nele.
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