Em Nashville, seis activistas pró-vida foram na semana passada condenados num tribunal federal por conspiração para violar a Lei de Liberdade de Acesso a Clínicas, porque oraram e cantaram pacificamente na entrada de uma clínica de aborto em Mt. Juliet, Tennessee, em Março de 2021. Os condenados enfrentam agora uma possível pena de prisão de 10 anos e até 250.000 dólares em multas.
O Departamento de Justiça do regime Biden, que é extremamente passivo no que diz respeito aos responsáveis pelos motins “Black Lives Matter” de 2020 ou às dezenas de ataques violentos contra centros pró-vida, parece ver alguns cristãos – especificamente cristãos conservadores – como uma ameaça à a paz e à segurança dos Estados Unidos.
Nesta mesma altura do ano passado, e como o ContraCultura noticiou, o denunciante do FBI Kyle Seraphin digulgou um memorando originário do escritório do FBI em Richmond, Virgínia. O memorando pretendia abordar preocupações sobre o “extremismo” dentro de segmentos da Igreja Católica Romana na América. O seu título é extenso e deveras revelador:
“O interesse dos extremistas violentos com motivação racial ou étnica na ideologia católica radical-tradicionalista quase certamente apresenta novas oportunidades de mitigação”.
Essas “oportunidades” para “mitigar” o extremismo violento incluíam o recrutamento de espiões ou a “infiltração” de agentes federais em certas igrejas para fornecer informações sobre potencial terrorismo doméstico. De acordo com o memorando, os católicos “radicais tradicionalistas” – definidos como aqueles que assistem à missa em latim, que se opõem ao aborto, que expressam insatisfação com o papado de Francisco e que não gostam das reformas modernizadoras produzidas pelo Concílio Vaticano II – são secretamente “supremacistas brancos” que tramam violência contra judeus e membros de outras religiões, negros e outras minorias étnicas, homossexuais e repórteres do New York Times.
O memorando parecia basear-se em informações sobre “grupos de ódio” fornecidas pelo Southern Poverty Law Center, uma organização de esquerda conhecida pelas suas acusações desleixadas e infundadas de racismo e difamações contra grupos e indivíduos conservadores.
Envergonhado, o FBI posteriormente rejeitou o documento por não atender aos seus “padrões rigorosos” e removeu-o dos seus sistemas. Mas não podemos deixar de nos perguntar o que o FBI teria feito se o memorando não tivesse sido tornado público. E que memorandos análogos existem para além do domínio público.
No entretanto, um gabinete de “antiterrorismo” do Departamento de Segurança Interna dos EUA financiou o programa de uma universidade que, na sua candidatura a subsídios federais, incluiu um vídeo que associava grupos conservadores e cristãos a neonazis e terroristas.
Karine Jean-Pierre, a secretária de imprensa da Casa Branca, recusou a categoria de ‘crime de ódio’ ao acto terrorista perpetrado por um transexual sobre alunos e professores da escola cristã do Tenessee, que vitimou 6 pessoas (3 crianças), embora no seu próprio manifesto, o assassino confessasse precisamente o ódio que o levou ao acto. O FBI rejeitou também a classificação da ocorrência como “crime de ódio”.
Isto porque na mentalidade destas pessoas e nos valores destas instituições está inculcada a ideia de que, haja o que houver, os cristãos serão sempre os verdadeiros vilões. Os verdadeiros responsáveis pelo ódio na sociedade. Mesmo quando são odiados até à morte, literalmente.
Mas não é só o governo federal que está interessado em transformar cristãos em terroristas, contra todas as evidências.
Uma família em Montana perdeu a custódia da sua filha de 14 anos no Outono passado, depois de ter sido informada de que a transição de género era o tratamento adequado para os distúrbios mentais e emocionais da criança. A família opôs-se, dizendo aos funcionários do governo estadual e aos profissionais de saúde que a “transição” da sua filha para um rapaz violava os seus “valores morais e crenças religiosas”. A criança foi-lhes retirada e colocada sob custódia dos Serviços para Crianças e Famílias.
Agora ao cuidado do governo de Montana vai ser com certeza uma criatura muito mais realizada no correr da vida.
O padeiro cristão Jack Phillips continua a ser assediado no estado do Colorado. Phillips ganhou um caso na Supremo Tribunal em 2018, depois de se recusar a fazer um bolo de casamento para um casal gay, argumentando que isso violava as suas convicções religiosas. Mas está de novo a ser processado, desta vez porque se recusou (também por motivos religiosos) a fazer um bolo que celebrava a transição de género de um indivíduo.
A imprensa corporativa também adora inflamar esta narrativa. Depois que Donald Trump venceu as recentes primárias do Iowa por uma margem recorde, a co-apresentadora da MSNBC, Joy Reid, argumentou que o resultado era explicável porque o estado é “sobre-representado por cristãos brancos” que querem que as pessoas de cor “se curvem” diante deles. Mas na verdade é precisamente o contrário que se passa, na medida em que as principais razões pelas quais os cristãos estão sob ataque são estas:
1) Porque não se conformam com uma cultura que exalta o sexo e a identidade de género como elementos fundamentais de toda a actividade humana;
2) Porque insistem que existe uma autoridade superior ao governo.
Estas duas posições colocam os cristãos (bem como os membros de algumas outras religiões) em conflito com a cultura americana contemporânea.
Os documentos fundadores dos EUA deixam clara a filosofia subjacente à governação federal. A Declaração de Independência, por exemplo, afirma explicitamente que todos os homens são “dotados pelo seu Criador de certos direitos inalienáveis”. Embora não especifique quem ou o que pode ser esse “Criador”, é claro que esses direitos são oriundos desse Criador e não do governo.
Contudo, o actual governo dos Estados Unidos não tolera a noção de que qualquer pessoa ou entidade limite os seus poderes. Esta é a fonte de grande parte do conflito por trás da actual pressão para políticas “transgénero”; nada – nem os direitos dos pais, nem as necessidades dos jovens com doenças mentais, nem a justiça para com as mulheres biológicas no desporto, nem mesmo a biologia cromossomática – supera o poder do governo de declarar que um homem pode tornar-se uma mulher e vice-versa.
Em outras palavras, até a verdade é o que o governo quer que a verdade seja. Qualquer pessoa que afirme o contrário é um extremista, um “nacionalista cristão”, um “supremacista branco” ou uma ameaça à segurança interna.
Não é necessário ser cristão – ou judeu ou muçulmano ou hindu ou budista – para compreender a sabedoria dos princípios consagrados na Declaração de Independência e os correspondentes limites impostos ao governo na Constituição. Milhões de americanos que não se consideram religiosos permanecem ainda assim leais a esses princípios.
Estes cidadãos ateus ou agnósticos deveriam estar preocupados com os ataques do governo aos cristãos, porque os fiéis não são inimigos dos americanos. Mas são cada vez mais vistos como inimigos de um regime com uma claríssima inclinação totalitária, que reconhece poucos limites ao seu poder.
Aqueles que, porque não têm convicções religiosas, são indiferentes à perseguição dos crentes, deviam perceber que a aqueles que perseguem cidadãos por razões religiosas, também os perseguirão por razões ideológicas, sanitárias, económicas ou étnicas.
Deviam perceber que a tirania não se plasma neste ou naquele sector social, neste ou naquele vector político, neste ou naquele credo religioso. Um governo totalitário é, como a expressão indica, dedicado ao controlo e domínio total e absoluto do comportamento social. E se agora o Departamento de Justiça do regime Biden se decide a perseguir os cristãos conservadores, ou os manifestantes de 6 de Janeiro, mais cedo do que tarde se irá dedicar a outras fatias do corpo social. Com igual ferocidade.
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