
Esta é a sexta notícia que o Contra publica sobre os “avisos” de uma guerra com a Rússia que altas patentes das forças militares europeias e políticos ligados à defesa subitamente começaram a debitar nas duas últimas semanas. E só este facto estatístico já nos deve deixar deveras preocupados.
Os civis britânicos devem estar preparados para lutar numa hipotética guerra terrestre, afirmou o chefe do exército britânico, general Patrick Sanders, alertando para o facto de a invasão russa da Ucrânia mostrar que são os “exércitos de cidadãos” que fazem a diferença nos conflitos. O general afirmou que o exército britânico é actualmente demasiado pequeno para responder às ameaças que surgem num mundo em mudança.
Num discurso que deve ter feito depois de enfiar no bucho dois ou três gins a mais do que devia, Sanders afirmou:
“A tomada de medidas preparatórias que permitam colocar as nossas sociedades em pé de guerra quando necessário não é apenas desejável, mas essencial. Os nossos amigos do Leste e do Norte da Europa, que sentem a proximidade da ameaça russa de forma mais aguda, já estão a agir com prudência, lançando as bases para a mobilização nacional.”
Actualmente, estima-se que o exército do Reino Unido integre cerca de 75.000 soldados profissionais totalmente treinados e que existam mais 60.000 membros na marinha e na força aérea britânicas.
O Reino Unido gasta cerca de 2% do seu produto interno bruto nas suas forças armadas. Embora o governo britânico afirme que esse valor irá aumentar para 2,5%, Sanders, que há muito defende o aumento das despesas militares, disse que o exército deveria ser redimensionado para uma força permanente de cerca de 120.000 soldados até 2027, sendo que mesmo esse número, segundo o generalíssimo, “não é suficiente”.
No discurso, Sanders disse também que
“A Ucrânia ilustra de forma brutal que os exércitos regulares começam as guerras; os exércitos dos cidadãos ganham-nas”.
Alguém deve dizer a este militar que a Ucrânia não está a ganhar a guerra. E muito menos com “exércitos de cidadãos”.
O Chefe do Estado Maior continuou a sua palestra defendendo as virtudes do recrutamento obrigatório. Os seus comentários, que juntamente com os de outros altos responsáveis da defesa, suscitaram uma resposta do gabinete do primeiro-ministro Rishi Sunak, que excluiu qualquer ideia de conscrição.
Outros altos responsáveis da defesa do Reino Unido têm partilhado os seu delírios sobre a “ameaça russa”, incluindo o Secretário da Defesa Grant Shapps, que disse que o Reino Unido precisava de se reposicionar, pois tinha havido uma transição “de um mundo pós-guerra para um mundo pré-guerra”.
Shapps afirmou num outro discurso tresloucado:
“Os velhos inimigos estão a ser reanimados. Novos inimigos estão a tomar forma. As linhas de batalha estão a ser redesenhadas. Os tanques estão literalmente no relvado ucraniano da Europa. Os alicerces da ordem mundial estão a ser abalados até ao âmago. Encontramo-nos numa encruzilhada – entre rendermo-nos a um mar de problemas ou fazer tudo o que pudermos para dissuadir o perigo. Penso que, na realidade, não há escolha. Para garantir as nossas liberdades, temos de estar preparados”.
Nas entrelinhas: para alimentar o ódio de estimação dos poderes instituídos em relação a Vladimir Putin, temos que estar preparados para morrer.
E, num país que prende menores por delito de opinião, justificar a guerra como forma de “garantir liberdades” é um raciocínio próximo daquele que garantia aos judeus que o Terceiro Reich escravizava que era pelo trabalho que encontrariam a liberdade.
E o que acha o inglês médio desta retórica? Andrew Lawrence esclarece.
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