A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, eleita por uma plataforma populista nacional no final de 2022, prepara-se para gastar o equivalente mil milhões de euros em subsídios aos carros eléctricos, em nome da redução da chamada pegada de carbono no país mediterrânico.
O fundo deverá ser anunciado num próximo decreto e entrará em vigor a partir de Fevereiro. Será oferecido aos italianos um mínimo de 6.000 euros para a aquisição de veículos eléctricos até o valor de 35.000 euros, aumentando para até 13.750 euros caso os consumidores também enviarem para a sucata um veículo de motor de combustão interna.
O foco de Meloni nas alterações climáticas será uma fonte de frustração para os seus eleitores, dado o facto de a imigração ilegal que ela prometeu conter durante a campanha estar a aumentar exponencialmente.
Além de não conseguir controlar a imigração ilegal, a senhora também está permitir um aumento brutal da imigração legal para Itália, autorizando a emissão de perto de meio milhão de vistos para não-europeus, entre 2023 e 2025.
Outrora classificada pela imprensa corporativa como uma nacionalista radical e a líder mais à direita de Itália desde Benito Mussolini, Giorgia Meloni tem sossegado esses histerismo, e logo que acedeu ao poder começou a trair o mandato pelo qual foi eleita, sendo agora uma activa aliada dos poderes instituídos no que diz respeito às políticas fronteiriças, à guerra na Ucrânia, ao conflito do Médio Oriente e assim por diante. Ao ponto de, em Novembro do ano passado, ter manifestado intenção de ceder mais controlo das fronteiras italianas à UE.
Martin Schulz, um socialista alemão e antigo presidente do Parlamento Europeu, gabou-se de a União Europeia a ter disciplinado para se tornar um “parceiro de confiança” no ano passado. Schulz é um reputado fanfarrão, mas neste caso, a sua afirmação é suportada por sólidos argumentos.
Itália pede “exército europeu”
Aprofundando a vertiginosa transição de populista para globalista da sua chefe, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, apelou aos líderes da UE para estabelecerem um exército europeu comum. Sem forças armadas conjuntas, argumenta Tajani, o bloco não pode ter uma política externa credível.
Evocando, talvez inadvertidamente, a novilíngua de George Orwell, Tajani disse isto ao jornal italiano La Stampa:
“Se quisermos ser portadores da paz no mundo, precisamos de um exército europeu”.
Pausa para respirar fundo.
O ministro continuou num tom que não envergonharia o mais dedicado apparatchik de Bruxelas:
“Esta é uma pré-condição fundamental para ter uma política externa europeia eficaz. Num mundo de actores poderosos como os EUA, a Rússia e a China, os cidadãos europeus só podem ser protegidos por algo que já existe, e chama-se União Europeia.”
Cerca de 22 Estados da UE são actualmente membros da NATO, sendo que o pacto liderado pelos EUA dita efectivamente a política de segurança no continente desde o início da Guerra Fria. Acontece que a NATO tem permitido aos governos europeus, que não pagam praticamente nada dos custos monumentais da aliança atlântica, deslocar as verbas que normalmente seria consumidas pelas forças armadas nacionais para as políticas socialistas que desde o pós-guerra reinaram no Velho Continente.
Assim sendo, o que Tajani não explicou foi quanto vai custar esse “exército europeu” aos contribuintes da União, já subjugados por cargas fiscais que há muito deixaram de ser alguma coisa que não roubo descarado.
O governo de Meloni está porém bem acompanhado nesta onerosa iniciativa. Vários líderes da UE lançaram nos últimos anos a ideia de reunir as suas forças armadas numa coluna comum, independente do controlo dos EUA. O presidente francês Emmanuel Macron e a ex-chanceler alemã Angela Merkel foram dois dos mais veementes defensores desta ideia (claro). Macron referiu-se à NATO como “morte cerebral” em 2019 e instou os líderes europeus a prosseguirem uma política de “autonomia estratégica” em relação a Washington.
E também é verdade que, caso Trump seja eleito, as condições em que a NATO opera (a exclusivas expensas dos EUA) podem de facto sofrer alterações profundas. Há até quem diga nos EUA que Donald Trump vai, muito simplesmente, deixar cair o Tratado do Atlântico Norte.
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