Perguntam-me, os que abriram olhos para a realidade,
que fazer para travar a guerra pela liberdade?
Como se eu, colarinho azul das palavras operário,
soubesse mais que armar o abecedário.
Peço aos jovens o favor de terem filhos
e aos velhos, que se escusem de sarilhos.
Dos outros espero que saibam dizer não
e que guardem uns euros debaixo do colchão.
Não é fácil a dissidência, nos tempos que correm,
mas sabemos pelos vacinados que morrem
que é mais perigosa a medicina do telejornal
que a irredutível bactéria do hospital.
Desaconselho a pólvora ou a trincheira,
porque já não há homens soldados fiéis à bandeira.
Recomendo o amor da família, a paz de Deus,
e o Evangelho de Mateus.
Não há muito mais p’ra fazer, na verdade,
que por regra desconfiar da autoridade.
E sobretudo rejeitar a pretensão e o mito
que são constantes do discurso perito.
Não há nada que o justo repórter mais mereça
que um leitor que pense pela sua cabeça.
Confia pois nos teus melhores instintos
e que o bem e o mal são valores distintos.
Desaconselho a tolice ou a violência,
mas não a redentora virtude da desobediência.
Recomendo a verdade de Cristo, a sua paixão
e o Evangelho de João.
Relacionados
3 Dez 25
Haikus d’Inverno
A arte do haiku: O Inverno toma a baía de surpresa, o oceano diz-te da tua situação no universo e Deus entretém-se com a cenografia, para teu prazer estético.
30 Nov 25
Faz hoje noventa anos que morreste.
Faz hoje noventa anos que morreste? Uma ova! Logo tu, que em vida te comprazias a enganar toda a gente, ias agora ser um morto de verdade...
28 Nov 25
No cais.
Carrego uma âncora na alma e os erros pesam na mala e o navio que não chegou já zarpou e tudo o que me resta é o mapa de ficar aqui e tenho medo e coragem e cigarros para nunca mais voltar.
11 Nov 25
Haikus de um lugar no inferno
A arte do haiku: no fim da tempestade permaneces cristão, mesmo quando sabes que vais ser condenado na mesma. Salva-te, por enquanto, o gato que salvaste.
30 Out 25
Haikus da Praia de S. João
A arte do haiku: rumas em direcção à morte com expectativas de odisseia, mas a vinte minutos de Lisboa, com o Tejo pelas costas e o Atlântico pela frente, já não estás assim tão a leste do paraíso.
18 Out 25
A Criança Mágica
Contam-se as estrelas devagarinho. O número a que se chegar quando só faltarem as estrelas que há por contar é a idade da Criança Mágica. Uma fábula de Alburneo.






