Devo dizer: acho esplêndido que a Terceira República não conspurque os símbolos da nação.
A Terceira República não está à altura da esfera armilar e não é digna das cinco quinas e não merece o legado de um escudo feito com o sangue da reconquista.
A Terceira República não merece ser representada com a iconografia de guerreiros imortais, navegadores do impossível, conquistadores do desconhecido, argonautas da palavra de Cristo e civilizadores do mundo.
A Terceira República não levantou castelos nem catedrais, não fez a guerra nem negociou a paz, não sentiu a fome nem transcendeu sofrimentos, não se consumiu de febres tropicais nem conheceu a fúria dos sarracenos, não venceu tormentas, não fundou feitorias antípodas, não deu novos mundos a este mundo velho, não fez de florestas aventuras marítimas e nada sabe de cartografia.
A Terceira República não é de facto cristã e não tem de facto valores, nem históricos, nem morais.
A Terceira República não herdou nem deixa herança, não criou nem deixa criado, é um parêntesis, um interregno, um equívoco aleatório no destino de um povo e no desígnio de um país.
A Terceira República é a República de Coisa Nenhuma.
E assim, deve limitar-se à geometria espúria de rectângulos e circunferências, formatos adequadamente despidos de qualquer significado, porque a Terceira República é vazia de substância para além da corrupção, da ganância, da incompetência, do corporativismo e do socialismo globalista, e seria por demais excessivo fazer heráldica disso!
Deixem a semióptica de Portugal para aqueles que a honraram no passado e que, eventualmente, se a nação sobreviver para experimentar melhores dias, a irão honrar no futuro.
Por favor e obrigado.
Relacionados
13 Jun 26
O Regresso à Realpolitik:
Da Narrativa Moralista ao Pragmatismo Estratégico na Europa Ocidental.
A exaustão dos recursos militares e a cristalização das frentes de batalha impõem à Europa uma capitulação intelectual: o abandono definitivo do moralismo binário em favor de um pragmatismo de sobrevivência. A análise de Francisco Henriques da Silva.
12 Jun 26
Deutschland über alles?
O mundo não está preparado para o rearmamento alemão.
À medida que as prioridades dos EUA se afastam da UE, a NATO enfrenta um futuro moldado pela russofobia, pelas ambições francesas e pelo renascimento militar da Alemanha. Mas a história ensina sobre os perigos da militarização germânica. A análise de Afonso Belisário.
11 Jun 26
O preço da estupidez.
Houve um tempo em que se acreditou, com a candura típica do Iluminismo, que bastava alfabetizar as massas para vaciná-las contra a barbárie. Acontece que o inimigo da civilização nunca foi propriamente o criminoso, mas o tolo. A crónica de Marcos Paulo Candeloro.
11 Jun 26
Não, já não há volta a dar.
Não podes simplesmente entrar numa cápsula de má ficção científica e voltar aos anos 80 porque decides gritar uns slogans, publicar umas opiniões atrevidas nas redes sociais, participar numa manifestação do Tommy Robinson ou votar Chega. É tarde demais para chegar cedo.
10 Jun 26
O globalismo está a inverter o crescimento.
Há uma patologia oculta no coração do globalismo contemporâneo: a inversão da direcção natural do crescimento humano. Toda a civilização floresceu organicamente, mas o que hoje nos é proposto é engenharia, desconstrução e desnaturação. A análise de António Justo.
9 Jun 26
A Hipersexualização de Menores no Expresso: Uma Linha Vermelha Ultrapassada.
O Expresso considerou apropriado publicar, no Dia Mundial da Criança, um podcast com dois menores de 13 e 15 anos a falar abertamente sobre sexualidade, pornografia, consentimento e masturbação. Uma ideia inaceitável que merece o protesto de Maria Helena Costa.






