O colapso da população e a redução da fertilidade no Ocidente são factores “positivos”, “bons para o planeta” e razões para “optimismo”, segundo a senhora Sarah Harper, conselheira do Word Economic Forum.

O gentil leitor lembra-se quando a tese de que as elites estavam a tentar reduzir a demografia humana era considerada uma teoria da conspiração da direita? As coisas mudaram e o “colapso populacional”, que já não pode ser negado, é agora uma boa notícia!

O Telegraph escolheu o mensageiro perfeito para comunicar a nova forma como devemos pensar sobre os declínios populacionais: uma conselheira de alto nível do WEF, professora em Oxford, como não podia deixar de ser:

 

 

Sarah Harper é uma pessoa muito importante. Tão importante que o artigo do Telegraph que enumera as suas importantes credenciais esqueceu-se de mencionar que ela faz parte do Conselho da Agenda Global sobre o Envelhecimento das Sociedades do Fórum Económico Mundial.

A Professora Harper, que concorre directamente com a professora MacCormack (de Cambridge) para o título mundial de grande exterminadora teórica da humanidade, está entusiasmada, deliciada, maravilhada até com os recentes declínios da fertilidade, principalmente, claro, nos países ocidentais:

“Penso que é positivo que os países de elevado rendimento e de elevado consumo estejam a reduzir o número de filhos que têm. Estou bastante otimista quanto a isso”.

Segundo a notável académica, o declínio da fertilidade nos países ricos ajudaria a resolver o “excesso generalizado de consumo que temos neste momento”, que tem um impacto negativo no planeta.

Não sabemos que hábitos de consumo tem a distinta professora, mas considerando os chorudos ordenados com que é engordado o quadro de académicos da famosa, ou infame, universidade, suspeitamos que serão talvez mais excessivos do que aqueles praticados por 90% da da população europeia.

Mas a senhora professora não está inclinada para esta conversa, preferindo virar os seus argumentos para as pegadas de carbono do proletariado, que se deixar de produzir prole e passar apenas à condição servil de plebe esterilizada irá provocar uma redução das emissões de CO2:

“A investigação revelou que os países ricos tendem a ter uma pegada de carbono muito maior do que os países mais pobres, uma vez que as pessoas ricas podem dar-se ao luxo de comprar mais bens, viajar mais e realizar outras actividades que geram emissões. As emissões de carbono dos países de elevado rendimento foram 29 vezes superiores às dos países de baixo rendimento numa base per capita em 2020, segundo os dados do Banco Mundial.”

Por indução, especulamos que a visionária professora não se dá a luxos, não ambiciona a aquisição de mais bens, nem acumula milhas na British Airways. De certeza absoluta.

É claro que o argumento da ilustre figurinha é completamente destituído, se tivermos algum bom senso, respeito pelos factos, e um vestígio de humanismo a circular nas veias do intelecto.

Primeiro: se há locais no planeta em que as pessoas deviam reduzir o número de filhos que têm não é com certeza no Ocidente. Esses sítios são infernos na Terra como Bombaim, uma cidade onde se esmagam umas contra as outras 22 milhões de pessoas e em que pelo menos dois terços delas vivem na mais abjecta miséria que se possa imaginar, condenadas culturalmente a um ciclo de fertilidade abundante e escravidão total. Ou a Cidade do México, cuja área metropolitana arruma 18 milhões de almas, metade delas a viver abaixo do limiar de pobreza e que até a Wikipédia reconhece que polui tanto como a cidade de Los Angeles, mas rica e igualmente populosa.

Segundo: não há evidências de que países mais desenvolvidos libertem mais dióxido de carbono, nem em números absolutos nem per capita. Pelo contrário, são as nações mais pobres que poluem mais, pelo simples facto de integrarem indústrias que, pela tecnologia utilizada ou por ausência de legislação, queimam mais fósseis como o carvão e não promovem cuidados ambientais minimamente comparáveis aos cânones ocidentais. O mesmo se passa aliás com países mais ricos, mas fora da esfera Ocidental, como a China ou a Índia. Harper prefere olvidar esses factos evidentes, porque a sua agenda é a de Davos e a Davos importa destruir primeiro a civilização mais incómoda para os seus objectivos totalitários, que é naturalmente a Ocidental.

Terceiro: um país com altos níveis de consumo, como a generalidade dos ocidentais depois da globalização, não traduz necessariamente maior libertação de carbono, na medida em que os produtos que consome não são produzidos no seu território, como os habitantes de Detroit, de Frankfurt e da Marinha Grande sabem muito bem. Ao invés, a actividade industrial desregulada e poluente dos países para onde o Ocidente foi instalar as suas fábricas depois que Bill Clinton liberalizou os mercados produtores mundiais, podem consumir pouco dos bens que fabricam, mas não é por isso que deixam de emitir carbono como gente grande.

Mas há mais estupidez profunda, ou fraude declarada, no discurso da discípula de Klaus Schwab. Porque se a intenção real desta gente fosse reduzir as emissões dos países ricos, a imigração para os países ocidentais de etnias tradicionalmente férteis, como aquelas provenientes do Médio Oriente, do Magrebe, da África Oriental ou do Subcontinente Indiano, não seria vista com bons olhos. Porque enquanto os nativos europeus já não se reproduzem em número necessário para manter a população, a imigração aumenta, e os imigrantes produzem uma percentagem cada vez maior dos nascimentos.

Porém, o Contra era capaz de apostar o alojamento web onde está instalado que a professora Harper deve ser uma adepta incondicional da “diversidade” e das políticas de imigração que são tão caras a Bruxelas e a Washington.

No Reino Unido, o número de nascimentos entre a população nativa está a diminuir, mas a percentagem de crianças nascidas de pais imigrantes atingiu um nível recorde. Quase uma em cada três crianças nascidas no ano passado foi concebida por mãe nascida fora do Reino Unido (30,3%). Mais de uma em cada três crianças nascidas em 2022 tinha pelo menos um progenitor oriundo do estrangeiro. Em Londres, esse número era de dois terços.

Esta evolução é incompatível com a vontade de reduzir as populações dos países de elevado consumo. Parece contraproducente celebrar a redução da natalidade e, ao mesmo tempo, clamar pelo aumento na percentagem de imigrantes na população, já que estes, na sua maioria, trabalham arduamente para viver bem, consumir muito, ter muitos filhos e assim realizar o sonho de viver no Ocidente.

A questão, claro, é que a professora Harper, como todos os seus camaradas do politburo globalista, não está preocupada com o carbono, nem com a qualidade de vida das pessoas, nativos ou imigrantes, nem com a construção de uma sociedade mais justa ou próspera para todos. Ela está preocupada com a agenda de Davos. Equalizar e empobrecer indivíduos, povos e nações, reduzir tudo a cinzas, para que desse apocalíptico esforço possam ser edificados os ideiais distópicos do Great Reset.

E é assim.